10  Certeza da evidência e da evidência à prática

Depois da síntese (Seção 8.1 e Seção 9.1), a revisão ainda não respondeu à pergunta de quem decide: quanto se pode confiar em cada achado e o que ele autoriza dizer sobre a política em outro lugar, em particular no Brasil. Esta etapa tem duas partes. A primeira julga a certeza (certainty) de cada efeito, com GRADE, e a confiança (confidence) de cada achado qualitativo, com GRADE-CERQual. A segunda leva esses julgamentos à decisão: critérios de Evidence to Decision (EtD), transferibilidade ao contexto de uso e redação de implicações que não prometam mais do que a evidência sustenta. As decisões exigidas são: que achados recebem julgamento e com qual abordagem; qual o ponto de partida de cada corpo de evidência; que limiar de relevância (δ) e que fatores de transferibilidade foram fixados no protocolo; como cada domínio é julgado e por quem; que rótulo cada célula recebe na caixa de ferramentas; e que tipo de implicação a certeza permite. O risco de viés de cada estudo é insumo desta etapa, não seu conteúdo: as ferramentas por desenho estão na Seção 6.1.

ImportanteCerteza não é risco de viés

Risco de viés é um julgamento sobre um estudo ou um resultado de um estudo. Certeza é um julgamento sobre um corpo de evidência para um desfecho, que considera risco de viés entre estudos, inconsistência, indireção, imprecisão e viés de publicação (Schünemann, Higgins, et al. 2024, sec. 14.2.1). Um conjunto de ensaios de baixo risco de viés pode ter certeza baixa (efeitos inconsistentes, população diferente da pergunta, intervalo largo). A tabela de risco de viés nunca substitui o perfil de evidência.

10.1 Decisões e regras

Que abordagem para cada tipo de achado

Tipo de achado Unidade julgada Abordagem Fonte
Efeito com meta-análise Célula da caixa (família de intervenção × construto de desfecho), randomizados e não randomizados em corpos separados GRADE: alta, moderada, baixa, muito baixa Schünemann, Higgins, et al. (2024, sec. 14.2.1)
Efeito sem meta-análise (SWiM, direção dos efeitos) Idem GRADE aplicado ao resumo narrativo (tabela própria abaixo) Murad et al. (2017)
Modificação de efeito (moderador testado por subgrupo ou meta-regressão) Cada afirmação de que o efeito difere entre subgrupos Credibilidade pelo ICEMAN; o efeito em cada subgrupo entra como linha própria com seu GRADE Schandelmaier et al. (2020); Schünemann, Higgins, et al. (2024, sec. 14.2.2)
Achado qualitativo (percepção, barreira, implementação, mecanismo relatado) Cada enunciado de achado, não a síntese inteira GRADE-CERQual: confiança alta a muito baixa Lewin, Bohren, et al. (2018)
Achado de meta-agregação no método JBI Achado sintetizado ConQual, alternativa declarada no protocolo Munn et al. (2014)
Configuração contexto-mecanismo-resultado (realista) e solução de QCA Cada CMOC ou configuração Sem ferramenta validada: enunciado narrativo com campos fixos, sem níveis GRADE Lewin, Booth, et al. (2018, tabela 4); Seção 10.3
Recursos e custos Diferença de uso de recursos entre opções Critério do EtD, com certeza própria Moberg et al. (2018, tabela 1)

Níveis e limiares

Nível GRADE (efeito) CERQual (achado qualitativo)
Alta Muita confiança de que o efeito verdadeiro está próximo da estimativa É muito provável que o achado seja uma representação razoável do fenômeno
Moderada O efeito verdadeiro provavelmente está próximo da estimativa, mas pode ser substancialmente diferente É provável que seja representação razoável
Baixa Confiança limitada: o efeito verdadeiro pode ser substancialmente diferente É possível que seja representação razoável
Muito baixa Pouquíssima confiança: o efeito verdadeiro provavelmente é substancialmente diferente Não está claro se é representação razoável
Fonte Schünemann et al. (2013, tabela 5.1) Lewin, Booth, et al. (2018, tabela 3)

Certeza é sempre relativa a um limiar ou a uma faixa: julga-se a confiança de que o efeito verdadeiro está de um lado de um limiar (zero, ou o menor efeito relevante) ou dentro de uma faixa de magnitude. Para revisões, o GRADE considera mais apropriadas abordagens pouco contextualizadas, com faixas como “nenhum, trivial, pequeno, moderado, grande”, e pede que os limiares sejam declarados (Hultcrantz et al. 2017). No projeto, δ e as faixas de magnitude por campo são fixados no protocolo (Seção 3.1).

Ponto de partida e quanto rebaixar

Situação Regra Fonte
Corpo de ensaios randomizados Começa em alta Schünemann, Higgins, et al. (2024, sec. 14.2.1)
Não randomizados avaliados com ROBINS-I (Seção 6.1) Podem começar em alta, mas em geral são rebaixados dois níveis por confundimento e seleção; não rebaixar exige justificativa detalhada, e o Handbook registra que há pouquíssimos exemplos em que isso foi apropriado Schünemann, Higgins, et al. (2024, sec. 14.2.1)
Não randomizados sem ROBINS-I (outra ferramenta ou nenhuma avaliação por domínio) Começam em baixa. Escala de Maryland e hierarquias de desenho não são avaliação de risco de viés Schünemann, Higgins, et al. (2024, sec. 14.2.1); Seção 6.1
Não contar duas vezes Quem começou em baixa não rebaixa de novo por confundidores desconhecidos; rebaixar por falha em medir ou ajustar confundidores conhecidos é legítimo Schünemann et al. (2019)
Séries temporais interrompidas bem feitas Poderiam, em tese, chegar a moderada sem elevação, mas os autores do GRADE não encontraram exemplos Schünemann et al. (2019)
Quanto rebaixar Um nível por domínio “grave”, dois por “muito grave”, até três no total; três por risco de viés só com ROBINS-I “crítico”; nunca abaixo de muito baixa Schünemann, Higgins, et al. (2024, sec. 14.2.1-14.2.2)
Quem julga Idealmente duas pessoas independentes, com consenso; cada rebaixamento e elevação justificado por escrito (MECIR C74 e C75, obrigatórios) Schünemann, Higgins, et al. (2024, sec. 14.2.1)

Os cinco domínios, operacionalizados

Domínio Julgar como grave quando… Observações para políticas públicas Fonte
Risco de viés O peso da estimativa vem de estudos com limitação decisiva em um item ou limitações em vários. RoB 2 “baixo” indica sem limitação; “algumas preocupações”, sem ou grave; “alto”, grave ou muito grave; ROBINS-I “crítico”, extremamente grave Não fazer média entre estudos: pesar a contribuição de cada um para a estimativa. A sensibilidade sem estudos de alto risco (Seção 8.1) testa o julgamento Schünemann, Higgins, et al. (2024, sec. 14.2.2); Schünemann et al. (2013, sec. 5.2.1)
Inconsistência Estimativas muito diferentes, pouca sobreposição de ICs, teste de heterogeneidade com p baixo, I² grande, sem explicação Faixas indicativas e sobrepostas de I²: < 40% pode ser baixa; 30-60% moderada; 50-90% substancial; 75-100% considerável. Com estudos grandes, diferenças pequenas geram I² alto; τ² não depende do tamanho dos estudos. Olhar também o intervalo de predição (Seção 8.1). Com modificador importante e bem sustentado (de preferência pré-especificado), os subgrupos podem ir para linhas ou tabelas separadas; heterogeneidade sem explicação plausível reduz a certeza Schünemann et al. (2013, sec. 5.2.2); Schünemann, Higgins, et al. (2024, sec. 14.2.2)
Indireção População, intervenção, comparador ou desfecho diferem da pergunta; comparação só indireta; desfecho substituto ou janela diferente Inclui contexto institucional e nacional, nível de governo, implementador e estimando (tabela específica abaixo). Cada aspecto recebe “sim, provavelmente sim, provavelmente não, não” Schünemann, Higgins, et al. (2024, sec. 14.2.2, tabela 14.2.b); Schünemann et al. (2013, sec. 5.2.3)
Imprecisão O IC cruza o limiar de interesse (zero ou δ); se não cruza e o efeito é grande, a amostra total fica abaixo do tamanho ótimo de informação (OIS) IC que cruza o limiar de forma apreciável: considerar dois ou três níveis. Para desfechos contínuos, o GRADE Handbook evita regra fixa, mas associa a diferença média padronizada de 0,2, com α = 0,05 e β = 0,20, a cerca de 400 participantes e manda considerar rebaixar abaixo disso; o cálculo convencional de tamanho amostral para d = 0,2 dá cerca de 390 por grupo (cálculo nosso), de modo que 400 no total é piso, não garantia de precisão. Não usar o número de estudos como razão de imprecisão. Autor de revisão não rebaixa por trade-offs entre benefício e dano: isso é juízo de decisão Zeng et al. (2022); Schünemann et al. (2013, sec. 5.2.4.2); Schünemann, Higgins, et al. (2024, sec. 14.1.6)
Viés de publicação Só estudos pequenos e positivos; busca pouco abrangente; estudos que ficaram em teses, anais ou periódicos não indexados O risco pode ser maior em revisões de estudos observacionais. Testes de funil só com k ≥ 10 (Seção 8.1). Relato seletivo de desfechos entra em risco de viés, não aqui Schünemann et al. (2013, sec. 5.2.5); Murad et al. (2017, tabela 1)
Elevação (em geral só não randomizados) Regra Fonte
Efeito grande RR > 2 ou < 0,5 sem confundidores plausíveis; RR > 5 ou < 0,2 sem ameaças importantes à validade. Até dois níveis; hesitar se o IC fica bem abaixo do limiar Schünemann, Higgins, et al. (2024, sec. 14.2.3); Schünemann et al. (2013, tabela 5.3, sec. 5.3.1)
Dose-resposta Gradiente entre intensidade da exposição e desfecho; um nível Idem
Confundimento plausível contrário Os vieses plausíveis reduziriam o efeito observado, e ainda assim ele aparece; um nível Idem

GRADE sem meta-análise

Quando os estudos medem o desfecho de modos que não permitem agregação, a certeza continua obrigatória; o resumo narrativo segue o SWiM (Seção 8.1) e cada domínio é adaptado (Murad et al. 2017).

Domínio Como julgar sem estimativa combinada
Risco de viés Julgamento entre estudos para o desfecho; como não há análise de sensibilidade, considerar tamanho, risco de viés e peso provável de cada estudo no resumo
Indireção Julgamento global de quanto população, intervenção e desfechos dos estudos se afastam da pergunta
Imprecisão Somar participantes entre estudos; 400 ou menos é preocupante. Também é imprecisão quando os ICs de todos os estudos, ou dos maiores, incluem zero e benefício ou dano relevantes
Inconsistência Variação de direção e, sobretudo, de magnitude entre estudos
Viés de publicação Suspeitar se só há estudos pequenos positivos ou se a busca não foi abrangente; teste estatístico não é possível
Elevação Considerar se efeito grande, dose-resposta ou confundimento contrário aparecem na maioria dos estudos

Fonte: Murad et al. (2017, tabela 1). A orientação não se aplica a revisões metanarrativas nem qualitativas.

Credibilidade de moderadores

Um moderador que muda a implicação (“funciona melhor em redes vulneráveis”) é uma afirmação de modificação de efeito. O ICEMAN tem oito perguntas para meta-análises: a comparação é dentro dos estudos, e não entre estudos; nas comparações dentro dos estudos, a modificação é parecida de estudo para estudo; nas comparações entre estudos, há muitos estudos; a direção foi hipotetizada a priori; um teste de interação torna o acaso improvável; poucos modificadores foram testados (ou a multiplicidade foi considerada); o modelo é de efeitos aleatórios; e, para variáveis contínuas, evitaram-se pontos de corte arbitrários. O julgamento final vai de credibilidade muito baixa a alta, faixas que correspondem, grosso modo, a probabilidades abaixo de 25%, de 25% a 50%, de 51% a 75% e acima de 75% de que a modificação exista (Schandelmaier et al. 2020). Regra desta base: na caixa, moderador com credibilidade baixa ou muito baixa aparece como hipótese; moderador relatado só qualitativamente recebe CERQual (Seção 9.1).

Indireção em avaliação de políticas

GRADE nasceu em saúde, e os exemplos de indireção dos manuais são clínicos. A tabela desdobra as fontes de indireção para políticas públicas.

Aspecto Pergunta de verificação Por que importa Fonte
População e contexto Países, redes e populações dos estudos são comparáveis ao contexto da pergunta? O efeito médio depende da distribuição dos fatores de suporte, que varia entre populações Deaton e Cartwright (2018, sec. 2.3)
Nível de governo e implementador O programa foi executado pelo mesmo nível e tipo de executor? No levantamento de Vivalt citado por Deaton e Cartwright, ECRs de desenvolvimento conduzidos por agências governamentais acharam efeitos padronizados menores que os de acadêmicos ou ONGs Deaton e Cartwright (2018, sec. 2.5)
Seleção dos locais Onde os experimentos aconteceram, e por quê? ECRs de desenvolvimento são mais prováveis em jurisdições politicamente competitivas, sobretudo com o governo como parceiro; o efeito pode refletir instituições e burocracias mais capazes Corduneanu-Huci et al. (2021, 1–3)
Arranjos de governança, financiamento e prestação A política depende desses arranjos? Lições de revisões sobre esses arranjos tendem a ser sensíveis ao contexto Lavis (2009, 4)
Intervenção e comparador A intervenção pode ser implementada no contexto de uso com o mesmo rigor? Tratamento e controle são os mesmos entre estudos? GRADE sugere rebaixar se o rigor não é reproduzível no contexto de uso; harmonizar só o tratamento não basta Schünemann et al. (2013, sec. 5.2.3); Slough e Tyson (2023, 22 da versão de trabalho)
Desfecho e mensuração O construto e a janela são os da pergunta? Janela diferente (3 contra 12 meses) e desfecho substituto são indireção; mensurações diferentes quebram a equivalência de alvo Schünemann et al. (2013, sec. 5.2.3); Slough e Tyson (2023, 2–3 da versão de trabalho)
Estimando O estudo identifica ATE, ATT, LATE ou efeito local na descontinuidade? O efeito pode valer para uma subpopulação e diluir-se de forma diferente entre locais conforme a composição da amostra; o registro do estimando está na Seção 7.1 Slough e Tyson (2023, 12 da versão de trabalho)
NotaOnde a proposta OQF e as normas divergem: a revisão amplia a validade externa?

A proposta OQF e os slides apresentam a validade externa como vantagem da revisão sistemática (Schaefer 2026c, 16; Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 6, 8, 37), e a proposta cita Slough e Tyson em apoio. O resultado desses autores é condicional: estudos combinados só miram o mesmo alvo quando o mecanismo é externamente válido e os estudos são harmonizados em contraste e mensuração; os modelos de efeitos fixos e aleatórios pressupõem essa condição, e por isso estimar um efeito comum não demonstra validade externa (Slough e Tyson 2023, 3, 21, 25 da versão de trabalho). Deaton e Cartwright chamam de “extrapolação simples” a transposição sem análise dos fatores de suporte (Deaton e Cartwright 2018, sec. 2.2-2.3). A revisão ajuda a examinar a validade externa (heterogeneidade, moderadores, contextos cobertos), mas não a concede. Regra do projeto: transferibilidade é julgada (indireção no GRADE, relevância no CERQual, TRANSFER), nunca presumida.

Da certeza à caixa de ferramentas

A proposta OQF usa “escala do efeito” para a direção (positivo, misto ou negativo) e “força do efeito” para magnitude e significância, embora em outro trecho chame os testes combinados de medida da “escala, ou tamanho” (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 19–21; Schaefer 2026c, 40). A especificação metodológica desta base (Seção D.4) separa magnitude de confiança:

Dimensão Termo no OQF Termo na especificação Conteúdo
Direção Escala do efeito Efeito Positivo, Negativo, Nulo, Misto, Inconclusivo
Magnitude Força do efeito Escala Faixas de magnitude do campo fixadas no protocolo
Confiança Não existe Força Certeza GRADE da célula: alta = forte; moderada = moderada; baixa = fraca; muito baixa = insuficiente
Mecanismo, moderador, percepção, implementação, custo “Quantitativa e/ou qualitativa” Enunciado com CERQual (ou ICEMAN, para moderador testado) e estudos de suporte Seção 9.1

“Força” na caixa é força da evidência. O GRADE usa “forte” e “fraca” para a força da recomendação, e admite chamar a recomendação fraca de “condicional” justamente para não confundi-la com evidência fraca (Schünemann et al. 2013, sec. 6.1.2).

Rótulo de efeito Condição (especificação da skill) Certeza mínima
Positivo Estimativa benéfica com IC que exclui zero; sem meta-análise, teste de sinal p < 0,05, ≥ 5 estudos, ≥ 70% benéficos, não só estudos de alto risco Baixa
Negativo Idem, na direção danosa, inclusive efeitos perversos previstos no DAG Baixa
Nulo IC inteiro dentro de ±δ, com δ fixado a priori Moderada
Misto / depende do contexto Intervalo de predição cobre benefício e dano relevantes (k ≥ 5 e δ fixado a priori) e moderador pré-especificado ou achado qualitativo explica a variação Certeza do efeito ao menos baixa e confiança (CERQual ou ICEMAN) do achado explicativo ao menos baixa; sem essa confiança, Inconclusivo
Inconclusivo Todos os demais casos Não se aplica

A especificação não fixa a ordem entre “Misto” e os demais rótulos. Esta base adota a ordem da Seção 9.1, que o protocolo declara e que a skill aplica na versão de regra caixa-3: (1) sem juízo de certeza, “Pendente”; (2) certeza muito baixa, “Inconclusivo”, antes de qualquer outro teste, porque nenhum rótulo pode ser mais forte que a certeza; (3) “Misto”, só com k ≥ 5, δ e achado explicativo com confiança própria ao menos baixa, e “Inconclusivo” quando a explicação é alegada sem esses requisitos; (4) “Positivo” ou “Negativo”; (5) “Nulo”; (6) “Inconclusivo” nos demais casos. A exigência de confiança do achado explicativo aplica a esta regra a de credibilidade de moderadores acima: moderador de credibilidade baixa ou muito baixa aparece como hipótese e não sustenta “Misto”. Quando randomizados e não randomizados têm rótulos diferentes, o painel mostra o do corpo de maior certeza, e o empate de certeza vira “Inconclusivo” (Seção 9.4). Testes combinados (Fisher, Stouffer, Cooper) nunca definem rótulo (Seção 8.1).

Linguagem padronizada das conclusões

As frases combinam tamanho do efeito e certeza, conforme a Tabela 15.6.b do Cochrane Handbook, que adota as declarações informativas do GRADE (Schünemann, Vist, et al. 2024, sec. 15.6.4; Santesso et al. 2020). No teste original, as declarações para certeza baixa, moderada e alta foram aceitáveis para mais de 60% dos participantes (Santesso et al. 2020). A tradução abaixo é deste capítulo. A adaptação transcultural para o português brasileiro recomenda “efeito médio” no lugar de “efeito moderado”, para não confundir tamanho com certeza moderada, e encontrou aceitabilidade abaixo de 50% para algumas frases de certeza baixa (Parahiba et al. 2025); quando as frases publicadas dessa adaptação estiverem acessíveis, elas prevalecem. A versão para produtos de divulgação está na Seção 11.1.

Certeza Efeito grande Efeito médio Efeito pequeno e relevante Trivial ou nenhum
Alta X resulta em grande aumento/redução de Y X aumenta/reduz Y X aumenta/reduz Y ligeiramente X resulta em pouca ou nenhuma diferença em Y
Moderada X provavelmente resulta em grande aumento/redução de Y X provavelmente aumenta/reduz Y X provavelmente aumenta/reduz Y ligeiramente X provavelmente resulta em pouca ou nenhuma diferença em Y
Baixa X pode resultar em grande aumento/redução de Y X pode aumentar/reduzir Y X pode aumentar/reduzir Y ligeiramente X pode resultar em pouca ou nenhuma diferença em Y
Muito baixa A evidência é muito incerta sobre o efeito de X em Y Idem Idem Idem

Três regras acompanham a tabela (Schünemann, Vist, et al. 2024, sec. 15.3, 15.6.4). “Ausência de evidência de efeito” não é “evidência de ausência de efeito”: se o IC inclui zero, não se escreve “não tem efeito”, e se ele é compatível com benefício e dano, as duas possibilidades são mencionadas. A conclusão é lida “às cegas”, invertendo a direção do resultado, para detectar enquadramento otimista. E a interpretação usa estimativas e ICs, sem a dicotomia “significativo / não significativo” (MECIR C72).

Implicações proporcionais à certeza

O GRADE separa certeza e força da recomendação: certeza alta não implica recomendação forte, e recomendação forte com certeza baixa fica restrita a cinco situações paradigmáticas, como benefício de certeza baixa em situação de risco de vida (Schünemann et al. 2013, sec. 1.2, tabela 6.3). Quem decide, e não recomenda, escolhe entre implementar, implementar com avaliação de impacto, fazer piloto, implementar só em alguns cenários ou populações, adiar ou não implementar (Moberg et al. 2018). Revisões também podem servir para desenhar um plano de monitoramento e avaliação quando há incerteza substancial sobre o que esperar da política (Lavis 2009, 2). A tabela é a regra operacional desta base, que combina essas fontes com a exigência da especificação (Seção D.4) de que nenhuma implicação seja mais forte que a certeza.

Certeza do efeito principal Transferibilidade ao contexto de uso Implicação admissível Verbo típico
Alta ou moderada Sem preocupações sérias Opção favorecida, com condições de implementação e monitoramento “adotar”, “priorizar”
Alta ou moderada Preocupações moderadas ou sérias Condicional aos fatores de transferibilidade; piloto ou implementação restrita “considerar, desde que”
Baixa Qualquer Condicional; só com avaliação de impacto ou piloto; dizer o que mudaria a conclusão “pode ser considerada, com avaliação”
Muito baixa Qualquer Nenhuma implicação de adoção baseada em efetividade; implicações de pesquisa e de desenho de avaliação “a evidência não permite concluir”

As normas divergem sobre recomendações em revisões. O Cochrane Handbook diz que revisões não devem recomendar, porque pessoas diferentes tomam decisões diferentes com a mesma evidência, conforme recursos, valores, equidade, viabilidade e aceitabilidade; podem, depois de descrever certeza e balanço, apontar ações compatíveis com diferentes padrões de valores (Schünemann, Vist, et al. 2024, sec. 15.1, 15.6.2). Os Campbell Standards consideram recomendações de política desejáveis, com cautela para não ir além da evidência (Aloe et al. 2024, item 7). O formato OQF tem uma seção “Da evidência à prática: recomendações” (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 107). A solução desta base é chamar a seção de implicações, amarrá-las à tabela acima e aos critérios EtD, e deixar explícito que a decisão cabe a quem tem mandato para tomá-la.

10.2 GRADE-CERQual para achados qualitativos

CERQual avalia a confiança de que cada achado de uma síntese qualitativa é uma representação razoável do fenômeno de interesse (Lewin, Booth, et al. 2018). Cada componente tem um análogo no GRADE, o que ajuda a alinhar a caixa de ferramentas.

Componente Definição Análogo no GRADE O que gera preocupação Fonte
Limitações metodológicas Preocupações com desenho ou condução dos estudos que sustentam o achado Risco de viés Limitação que afeta este achado (grupo focal para tema sensível, pesquisador que também presta o serviço estudado); estudo com limitação séria que fornece a maior parte dos dados. Diretrizes de relato não servem como ferramenta de avaliação Munthe-Kaas et al. (2018)
Coerência Quão claro e convincente é o ajuste entre os dados e o achado Não tem Dados contraditórios, ambíguos ou incompletos; casos que desafiam a explicação; explicações concorrentes não exploradas Colvin et al. (2018)
Adequação dos dados Riqueza e quantidade dos dados que sustentam o achado Imprecisão Dados “finos” ou poucos estudos para um achado que pretende valer amplamente. Não há número mínimo fixo: o julgamento depende da natureza do achado Glenton et al. (2018)
Relevância Aplicabilidade dos dados ao contexto da pergunta (perspectiva, população, fenômeno, cenário) Indireção Relevância indireta (um aspecto do contexto substituído por outro), parcial (só um subgrupo ou subtipo coberto) ou incerta (fator importante não descrito nos estudos) Noyes et al. (2018)

Regras de julgamento (Lewin, Bohren, et al. 2018; Munthe-Kaas et al. 2018):

  1. Escrever antes um resumo explícito de cada achado; se ele propõe uma relação entre fatores, a relação deve estar escrita.
  2. Julgar cada componente como nenhuma ou muito pequena, pequena, moderada ou séria preocupação, sempre descrevendo a preocupação.
  3. Todo achado começa em confiança alta.
  4. Rebaixar em geral pelo menos um nível por componente com preocupação séria; preocupações pequenas ou moderadas podem não exigir rebaixamento, mas várias delas podem justificar um nível.
  5. Não pontuar numericamente os componentes: dá falsa precisão.
  6. Não rebaixar duas vezes pela mesma preocupação (poucos dados afetando adequação e coerência, por exemplo).
  7. Pelo menos duas pessoas da equipe fazem o julgamento, em discussão.
  8. Registrar no Evidence Profile e resumir na tabela Summary of Qualitative Findings (SoQF): resumo do achado, nível de confiança, estudos com seus contextos e, de preferência, a explicação.

CERQual pressupõe uma síntese bem conduzida e relatada; aplicado a uma síntese fraca, não produz resultado útil (Lewin, Booth, et al. 2018). Nas revisões mistas OQF, os achados de percepção, implementação, aceitabilidade e viabilidade respondem a critérios do EtD que estudos quantitativos comparativos costumam abordar pouco (Barreto e Lewin 2019, 24). O Brasil tem experiência institucional: o Ministério da Saúde usa GRADE em diretrizes, há treinamento em GRADE-CERQual, e Barreto e Lewin apontam uma tradução em português do artigo de 2015 que apresentou a abordagem (Barreto e Lewin 2019, 25, 34). Se a revisão seguir o JBI, o ConQual é a alternativa: parte de alta, rebaixa um nível quando 2 ou 3 das 5 perguntas de confiabilidade (dependability) são respondidas “sim” e dois quando só 0 ou 1, e rebaixa por credibilidade um nível quando os achados combinam inequívocos e equívocos, dois quando são equívocos, três quando combinam equívocos e não sustentados e quatro quando não são sustentados (Munn et al. 2014). A escolha é declarada no protocolo.

10.3 Realista e QCA: enunciado narrativo, sem pseudo-GRADE

Não há ferramenta validada de certeza para configurações contexto-mecanismo-resultado nem para soluções de QCA. Os autores do CERQual listam como agenda aberta a adaptação para produtos interpretativos, como modelos lógicos e meta-etnografia, e para sínteses que integram dados quantitativos e qualitativos (Lewin, Booth, et al. 2018, tabela 4). Na revisão realista, a conclusão não é um veredito sobre o que funciona ou o tamanho do efeito, e sim uma revisão da teoria do programa, que leva no máximo a recomendações tentativas (Pawson et al. 2005, 32). Atribuir ⊕⊕◯◯ a uma CMOC dá a aparência de padronização que nenhuma validação sustenta, o tipo de “impressão espúria de precisão” que críticos do movimento de políticas baseadas em evidências apontam no uso de indicadores (Faria 2022, 10).

AvisoNão fazer

Não atribuir nível GRADE ou CERQual a CMOCs, teorias de programa refinadas ou soluções de QCA. Não somar “pontos” de estudos de suporte. Não chamar uma configuração de “forte” porque a consistência passou de um limiar.

Produto Campos obrigatórios do enunciado Fonte
CMOC (realista) (a) formulação da CMOC; (b) estudos que sustentam cada elo e tipo de dado; (c) julgamento de relevância (o estudo aborda a teoria testada?) e de rigor (a inferência se sustenta?) por fonte, lembrando que não são critérios absolutos; (d) evidência contrária encontrada; (e) status: hipótese inicial, refinada ou testada Pawson et al. (2005, 24, 30, 32)
Solução de QCA (a) configuração; (b) consistência e cobertura, com limiar de consistência pré-especificado (usualmente entre 75% e 90%); (c) cobertura da solução e casos não explicados; (d) sensibilidade a limiares alternativos de calibração; (e) risco de viés dos estudos cobertos; (f) rubrica de calibração com justificativas registradas Kahwati et al. (2016, 7–10)

Quando uma CMOC ou configuração sustenta um rótulo “Misto” ou uma implicação, o texto informa o status do enunciado e remete ao efeito correspondente, que tem seu GRADE. A condução da síntese realista e da QCA está na Seção 9.1.

10.4 Da evidência à decisão e transferibilidade ao Brasil

Critérios EtD para decisões de política pública

Os frameworks EtD do GRADE, introduzidos por Alonso-Coello e colegas (Alonso-Coello et al. 2016), organizam a passagem da evidência à decisão em três seções: pergunta, avaliação de critérios e conclusões (Moberg et al. 2018, tabela 2). A versão para sistemas de saúde e saúde pública é a base aqui, por quatro diferenças: a decisão é tomada em nome de uma população; a pergunta parte de um problema e de opções (POCO: problema, opção, comparação, desfechos) em vez de PICO; a certeza costuma ser baixa ou muito baixa e ainda assim é preciso decidir; e equidade, aceitabilidade e viabilidade pesam mais (Moberg et al. 2018, tabela 2). A especificação da skill usa uma versão reduzida (EtD-lite) com transferibilidade ao Brasil como critério explícito.

Critério EtD Pergunta O que a revisão OQF fornece
Prioridade do problema O problema é prioritário (gravidade, urgência, número de afetados)? Introdução e contexto da política
Efeitos desejáveis e indesejáveis Quão substanciais são? Células de efeito com magnitude e GRADE, incluindo efeitos perversos do DAG (Seção 2.1)
Certeza Qual a certeza geral da evidência de efeitos? Tabela SoF
Valores Como os afetados valorizam os desfechos? Há variação? Achados de percepção com CERQual
Balanço Os efeitos desejáveis superam os indesejáveis? Julgamento explícito com as linhas anteriores
Recursos e custo-efetividade Que recursos são necessários, com que certeza? O benefício líquido compensa? Linha “custo” da caixa; “não reportado” quando não houver
Equidade Qual o impacto sobre grupos em desvantagem? Quem arca com os custos? Moderadores (vulnerabilidade, renda, região) com ICEMAN ou CERQual
Aceitabilidade A opção é aceitável para os atores-chave? Achados de percepção com CERQual
Viabilidade É viável e sustentável? Há barreiras importantes? Linha “implementação” da caixa
Transferibilidade ao Brasil Os fatores priorizados estão presentes no contexto de uso? Avaliação TRANSFER

Fonte dos critérios: Moberg et al. (2018, tabela 1); transferibilidade: Munthe-Kaas et al. (2020). Duas orientações de Moberg et al. valem para a redação: recomendações condicionais precisam dizer quais condições favorecem ou desfavorecem a opção, e monitoramento e avaliação fazem parte das conclusões quando há incerteza importante. No exemplo do artigo, a recomendação condicional ficou restrita a áreas rurais com baixo acesso a serviços, provavelmente porque os estudos tinham sido feitos nesse contexto (Moberg et al. 2018).

Transferibilidade: o método TRANSFER

TRANSFER define transferibilidade como o grau em que o contexto da pergunta e o contexto dos estudos que sustentam o achado diferem segundo características identificadas a priori (Munthe-Kaas et al. 2020). O método desloca o julgamento para o início porque muitos autores só pensam em aplicabilidade no fim, quando já não há dados de contexto nem subgrupos planejados; numa amostra de 98 revisões, só uma em cada dez discutia a aplicabilidade dos resultados (Munthe-Kaas et al. 2020). As sete categorias de fatores encontradas no mapeamento de 25 checklists são população, intervenção, contexto imediato de implementação, condição de comparação, desfechos, contexto ambiental e conduta dos pesquisadores.

Estágio TRANSFER O que fazer Onde entra no projeto
1. Necessidade da revisão Com quem demanda ou usa a revisão Seção 2.1
2a. Refinar a pergunta Com os usuários Seção 2.1
2b. Identificar e priorizar fatores Guia de conversa; priorizar 3 a 5 fatores; buscar evidência de que importam e da direção esperada Protocolo (Seção 3.1)
2c. Caracterizar o contexto da revisão Descrever o contexto (global e/ou brasileiro) em cada fator Protocolo
3. Conduzir a revisão Extrair os fatores no codebook Seção 7.1
4. Comparar estudos e contexto Tabela estudos × fatores Síntese
5. Avaliar a transferibilidade Subgrupo ou regressão por fator quando k permite; preocupação por fator e global: nenhuma, pequena, moderada ou séria Síntese e esta etapa
6. Aplicar GRADE ou CERQual A avaliação TRANSFER sustenta a indireção ou a relevância Esta etapa
7. Discutir com os usuários Devolutiva antes da publicação Relato (Seção 11.1)

Fonte: Munthe-Kaas et al. (2020). Cartwright e Hardie organizam o mesmo problema como o caminho “de lá para cá”: saber que algo funcionou onde foi estudado não basta para prever que funcionará onde se quer implementar (Cartwright e Hardie 2012).

Fatores candidatos para o Brasil

Os fatores saem das leituras e do caso. Nível de governo e autonomia fiscal: em média, 60% das receitas municipais são transferências, e tributos locais são cerca de 15% (Hjort et al. 2021, 7 da versão de trabalho); um efeito sobre arrecadação federal não é direto para um município. Desigualdades regionais e populacionais, que mudam acesso e efeito (Barreto e Lewin 2019, 28). Escassez de estudos de países de renda média e baixa, que pode exigir pesquisa primária local em vez de transposição (Barreto e Lewin 2019, 29); no experimento com prefeitos, os autores não encontraram um estudo brasileiro comparável para oferecer (Hjort et al. 2021, 3, nota 5). Marco legal e discricionariedade das redes, como no decreto que deixa a implementação da proibição de celulares às redes (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 109). Fatores de suporte: transferências condicionadas à ida a clínicas não melhoram a saúde onde não há clínicas funcionando (Deaton e Cartwright 2018, sec. 2.3).

AvisoTransferibilidade não é um segundo rebaixamento

Se a indireção já foi rebaixada por diferença de contexto, a mesma diferença não rebaixa de novo no EtD nem na relevância CERQual. O CERQual alerta que usuários podem rebaixar outra vez por relevância sem perceber que isso já foi feito (Lewin, Bohren, et al. 2018). Registre em que domínio cada fator foi contabilizado.

Para quem se escrevem as implicações

As implicações são lidas por burocratas e políticos com rotinas, fontes e incentivos próprios. O empacotamento dos produtos está na Seção 11.1; aqui ficam as consequências para o conteúdo das implicações.

Achado sobre uso de evidências Consequência para as implicações Fonte
Prefeitos brasileiros pagam para conhecer resultados de avaliações e atualizam crenças, mas não distinguem estudos de países ricos e pobres; uma sessão de 45 minutos aumentou em 10 pontos percentuais a adoção de uma política simples e barata 15 a 24 meses depois, e os autores ressalvam que políticas caras ou complexas podem responder menos O contexto dos estudos e a comparação com o contexto de uso vão na mensagem principal; o efeito da divulgação não autoriza implicações mais fortes Hjort et al. (2021, 1, 3–5, 31 da versão de trabalho)
Em experimento com servidores federais dos EUA, a valoração de programas respondeu pouco ao impacto; comparação lado a lado e custo anual por pessoa atingida aumentaram essa sensibilidade Apresentar opções lado a lado, com a mesma métrica de magnitude e a mesma escala de certeza Toma e Bell (2024, 1–4 da versão aceita)
Burocratas federais brasileiros recorrem mais a normas, recomendações de órgãos de controle e mídia do que a dados de monitoramento e avaliação; o uso conceitual de pesquisa é mais frequente que o instrumental, e há uso simbólico Ligar cada implicação ao marco normativo e às exigências de controle; com certeza baixa, a revisão ainda pode reenquadrar o problema, sem virar recomendação Koga et al. (2020, 33–35); Gough e Tripney (2016, 12, 14 do manuscrito)
Decisões emergem da política e do julgamento; soluções testadas num contexto são adotadas em outro onde podem não funcionar; o movimento é recente e frágil no Brasil. Concordância com valores e oportunidade aumentam o uso Opções condicionadas, com os valores em jogo explícitos, entregues no tempo da decisão, e não receitas universais Faria (2022, 2, 9–10); Lavis (2009, 5)

Resultados de pesquisa sugerem cursos de ação, mas não os especificam; entre uma coisa e outra há processos formais de interpretação, como o GRADE e os toolkits que apresentam efetividade junto com a força da evidência (Gough e Tripney 2016, 9 do manuscrito). A caixa de ferramentas OQF é um desses produtos, e por isso precisa carregar a certeza.

10.5 Passo a passo

  1. No protocolo (Seção 3.1), fixar: até sete desfechos por tabela SoF (Schünemann, Higgins, et al. 2024, sec. 14.1.3); δ e faixas de magnitude ancorados no campo (em educação, é comum comparar com o aprendizado esperado em anos (Aloe et al. 2024, item 7)); abordagem de certeza por tipo de achado; moderadores com direção esperada; 3 a 5 fatores TRANSFER; ordem de aplicação dos rótulos.
  2. Montar o perfil de evidência de cada célula, com randomizados e não randomizados separados: estudos e participantes, risco de viés por estudo (Seção 6.1), estimativa com IC, τ² e intervalo de predição (Seção 8.1) ou resumo SWiM, contextos e estimandos.
  3. Atribuir o ponto de partida, registrando se ROBINS-I foi usado.
  4. Julgar os cinco domínios e as elevações, com duas pessoas independentes e justificativa escrita; sem meta-análise, usar a tabela de Murad et al.
  5. Montar a tabela SoF: população e cenário, comparação, desfechos, magnitude, participantes e estudos, certeza, comentários e explicações; desfechos sem meta-análise entram com resumo narrativo (Schünemann, Higgins, et al. 2024, sec. 14.1.3, 14.1.6).
  6. Julgar os moderadores com o ICEMAN e os achados qualitativos com CERQual; escrever os enunciados narrativos de CMOCs e soluções de QCA.
  7. Avaliar a transferibilidade (TRANSFER, estágios 4 a 6), registrando em que domínio cada preocupação foi contabilizada.
  8. Rotular as células da caixa na ordem do protocolo e preencher o EtD-lite, com fonte e certeza por critério.
  9. Redigir conclusões com as frases padronizadas e implicações com a tabela de proporcionalidade; implicações para pesquisa saem dos domínios que rebaixaram a certeza (risco de viés pede estudos melhores; indireção, estudos no contexto de uso; imprecisão, mais participantes) (Schünemann, Vist, et al. 2024, tabela 15.6.a).
  10. Checar a redação às cegas e submeter à revisão metodológica antes do portão G8.

10.6 O que as diretrizes exigem

Diretriz Item Exigência
PRISMA 2020 15 Descrever os métodos usados para avaliar a certeza (ou confiança) no corpo de evidência de um desfecho (Page et al. 2021)
PRISMA 2020 22 Apresentar a avaliação de certeza para cada desfecho avaliado (Page et al. 2021)
PRISMA 2020 23a-23d Interpretação à luz de outras evidências; limitações da evidência; limitações do processo da revisão; implicações para prática, política e pesquisa (Page et al. 2021)
SWiM 6 Descrever os métodos usados para avaliar a certeza dos achados da síntese (Campbell et al. 2020)
SWiM 8 Para cada comparação e desfecho, descrever os achados e sua certeza, em linguagem coerente com a pergunta, indicando os estudos que contribuem (Campbell et al. 2020)
Cochrane MECIR C72 (obrigatório) Interpretar por estimativas e ICs, sem a dicotomia “significativo / não significativo” (Schünemann, Vist, et al. 2024)
Cochrane MECIR C74 e C75 (obrigatórios) Usar as cinco considerações GRADE para cada desfecho; justificar e documentar todas as avaliações de certeza (Schünemann, Higgins, et al. 2024)
Campbell Standards 7a-7d Interpretar magnitude à luz da credibilidade; discutir a incerteza (heterogeneidade); interpretar à luz da diretividade (generalização, validade externa e de construto); implicações na medida justificada por 7a-7c (Aloe et al. 2024)

10.7 Exemplo trabalhado

Celulares nas escolas: o que foi feito

A revisão sobre proibição de celulares combinou oito estudos quantitativos causais (três experimentais, quatro de diferenças em diferenças e uma meta-análise) e treze qualitativos ou descritivos, de 12 países, nenhum do Brasil (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 99, 104). A meta-análise estimou g = 0,22 (IC 95% 0,02 a 0,42), com χ²₇ = 29,73 e I² = 76,5% na Figura 1 (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 105). O resumo diz que o efeito, embora fraco, é “consistente em diferentes metodologias e contextos” (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 97), e o texto usa os testes de Fisher e Cooper como reforço dessa consistência (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 104). A caixa registra “Escala do efeito: efeito positivo” e “Força do efeito: efeito fraco” (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 108), e o painel do MAPE mostra a proibição com efeito “Positivo” e implementação “Moderada” (Schaefer 2026c, 37). A seção de recomendações propõe responsabilidades de fiscalização compartilhadas e implementação gradual, com aviso prévio (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 109). Não há avaliação de certeza nem de transferibilidade.

O que deveria ser feito: GRADE reconstruído

O artigo não relata risco de viés por estudo nem identifica, na figura, quais estimativas são experimentais; a reconstrução é ilustrativa. A reanálise com os efeitos e erros-padrão do Anexo J da proposta OQF (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 106), detalhada na Seção 8.5, reproduz a estimativa publicada e dá τ ≈ 0,19 e intervalo de predição de −0,28 a 0,71 (cálculo desta base, conferido em metafor).

Domínio Evidência no artigo Julgamento ilustrativo
Ponto de partida Corpo misto; quatro estudos de diferenças em diferenças sem ROBINS-I; uma das oito estimativas é de meta-análise (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 104) Separar experimentos e não randomizados; o corpo não randomizado começa em baixa; a meta-análise sai do conjunto (Seção 5.1)
Risco de viés Não avaliado; critério de inclusão de “descrição metodológica mínima” (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 102) Grave, porque não é possível afirmar ausência de limitação; exige RoB 2 e ROBINS-I por estudo
Inconsistência I² de 76,5%; estimativas de −0,01 a 0,67; ICs que não se sobrepõem (0,05 a 0,07 contra 0,10 a 0,68); intervalo de predição de −0,28 a 0,71; o próprio texto fala em “alta variabilidade” (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 99, 105) Grave
Indireção Inclui ensino superior; tipos de banimento, disciplinas e avaliações diferentes; nenhum estudo brasileiro (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 99, 105, 109) Grave para “educação básica no Brasil”
Imprecisão IC de 0,02 a 0,42; mais de 400 participantes no total (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 106) Depende de δ: com δ hipotético de 0,10 DP, o IC cruza o limiar e o domínio é grave, mesmo com a OIS atendida
Viés de publicação Só estudos revisados por pares; os dois estimadores mais precisos perto de zero (0,06 e −0,01) e os menos precisos entre 0,39 e 0,67 (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 102, 105); k = 8 impede teste de funil Suspeito
Certeza final Muito baixa para o corpo agregado. O subconjunto experimental partiria de alta, mas indireção e imprecisão com três estudos tenderiam a rebaixá-lo; o julgamento exige separar as estimativas por desenho

Linha da tabela SoF (ilustrativa). Estudantes da educação básica e superior de 12 países; proibição ou restrição × ausência de restrição; desempenho acadêmico (medidas diversas); g = 0,22 (0,02 a 0,42), intervalo de predição de −0,28 a 0,71; 8 estimativas; ⊕◯◯◯ muito baixa (risco de viés, inconsistência, indireção, imprecisão).

Conclusão e rótulo. A frase admissível é “A evidência é muito incerta sobre o efeito da proibição do uso de celulares no desempenho acadêmico”; “consistente em diferentes metodologias e contextos” não é compatível com I² de 76,5% nem com um intervalo de predição que inclui efeitos negativos. Na caixa, “Positivo” exige certeza ao menos baixa e fica bloqueado; o intervalo de predição e os achados explicativos (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 106) abririam “Misto”, mas, pela precedência recomendada nesta base, certeza muito baixa leva primeiro a “Inconclusivo”. Força: insuficiente. Escala: depende das faixas que o protocolo não fixou.

Moderador de vulnerabilidade. O artigo afirma efeitos mais fortes para alunos e escolas mais vulneráveis, citando três estudos (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 106). Pelo ICEMAN, contariam a favor comparações feitas dentro de cada estudo e na mesma direção, o que precisa ser conferido nos originais; contam contra a direção não ter sido hipotetizada no protocolo, cujo PICOC não lista moderadores (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 100), e a ausência de testes de interação na revisão. Com a informação publicada, a credibilidade não passa de baixa (julgamento ilustrativo); o enunciado entra na caixa como hipótese, e subir a credibilidade exige extrair os testes de interação dos três estudos.

CERQual para um achado de implementação (ilustrativo)

Achado: quando a fiscalização da proibição recai sobre os professores, surgem tensões em sala. Estudos de suporte: Grigic Magnusson et al. (2023), sobre gestão da proibição em salas de escolas digitalizadas, e Wikström et al. (2024), sobre o ensino médio sueco, que registram tensões como custo de pessoal (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 106–7, 111, 113).

Componente Julgamento Explicação
Limitações metodológicas Moderada preocupação Estudos não avaliados criticamente na revisão
Coerência Moderada preocupação A versão publicada diz que, com fiscalização docente, “o resultado foi mais baixo”, uma afirmação de magnitude que dados qualitativos não mostram; o achado deve falar de tensões
Adequação Séria preocupação Dois estudos
Relevância Moderada preocupação (relevância indireta) Um país e escolas em que o celular já estava integrado às práticas pedagógicas; redes brasileiras têm outra infraestrutura e outra regulamentação
Confiança Baixa Um nível por adequação e um pelo conjunto de preocupações moderadas

A implicação correspondente não seria “retirar a fiscalização dos professores”, mas: há confiança baixa de que atribuir a fiscalização só aos docentes gera tensões; redes que implementarem a Lei 15.100/2025 podem testar modelos de responsabilidade compartilhada e monitorar conflitos e cumprimento.

EtD-lite para o Brasil

A decisão de proibir já foi tomada pela Lei 15.100/2025, e o Decreto 12.385/2025 deixa às redes a forma de implementar (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 108–9). Em termos POCO, a pergunta útil é sobre modelos de implementação: problema (uso de celulares em aula), opções (guarda na entrada, restrição só em aula, fiscalização docente ou compartilhada), comparação entre elas e desfechos (desempenho, conflitos, cumprimento). Com certeza muito baixa sobre o desempenho, a opção admissível é implementar com monitoramento e avaliação de impacto, sem justificar a política pela promessa de ganho de aprendizagem (Moberg et al. 2018). Equidade (efeito possivelmente maior entre vulneráveis, credibilidade baixa), aceitabilidade (professores mais favoráveis, estudantes mais resistentes a proibições totais) e viabilidade (custo monetário baixo, custos de pessoal e de conflito) entram com a confiança de cada achado (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 106–7). Os fatores TRANSFER prioritários seriam etapa de ensino, modelo de fiscalização, infraestrutura de guarda dos aparelhos e exceções previstas na lei para acessibilidade, inclusão e saúde (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 98, 107).

REFIS: indireção por nível de governo e janela do desfecho

No pipeline R de exemplo, o PICOC do REFIS define o contexto como “âmbito federal/estadual/municipal” e lista quatro desfechos: arrecadação, falência, emprego e compliance tributário futuro (Schaefer 2026b). O script de análise tabula a esfera de implementação e a cruza com o tipo metodológico, mas agrupa os testes combinados por estratégia de identificação e por cluster de desfecho, não por esfera (Schaefer 2026a). Pelas regras deste capítulo: (i) células separadas por nível de governo quando a pergunta for sobre um nível específico, ou rebaixamento por indireção quando estudos federais sustentarem uma implicação municipal, dada a estrutura de receitas dos municípios (Hjort et al. 2021, 7 da versão de trabalho); (ii) indireção de desfecho quando só houver arrecadação de curto prazo e a pergunta for sobre compliance futuro (Schünemann et al. 2013, sec. 5.2.3); (iii) nenhuma implicação de adoção sem GRADE por célula.

10.8 Erros comuns e como evitá-los

Erro Exemplo Por que é problema Como evitar
Tratar magnitude ou significância como “força” da evidência “Força do efeito: efeito fraco” (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 108; Schaefer 2026c, 40) Um efeito pequeno pode ter certeza alta, e um grande, muito baixa Escala = magnitude; Força = certeza GRADE
Presumir que a revisão garante validade externa Validade externa listada como vantagem da RS (Schaefer 2026c, 16) Os modelos de meta-análise pressupõem a invariância que precisaria ser demonstrada (Slough e Tyson 2023, 25 da versão de trabalho) Julgar indireção e transferibilidade explicitamente
Chamar de “consistente” um efeito heterogêneo Resumo dos celulares com I² = 76,5% (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 97, 105) Consistência é domínio GRADE com critérios próprios Relatar τ² e intervalo de predição e aplicar a regra de inconsistência
Usar Fisher ou Cooper como prova de consistência “Reforçando a consistência dos achados” (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 104) Testes de combinação não medem heterogeneidade nem certeza Seção 8.1; nunca usar para rótulo
Confundir avaliação de estudos com GRADE Texto que diz que revisões Cochrane avaliam a qualidade dos estudos primários “por meio” do GRADE (Bilotta et al. 2014, 72) GRADE julga o corpo de evidência por desfecho; o estudo é avaliado com RoB 2, ROBINS-I, CASP Tabela de risco de viés (Seção 6.1) separada do perfil GRADE
Contar o confundimento duas vezes Começar não randomizados em baixa e rebaixar de novo por confundidores não medidos Dupla penalização (Schünemann et al. 2019) Registrar o ponto de partida e o que cada rebaixamento cobre
Escrever “sem efeito” quando o IC inclui zero “A política não funciona” com IC de −0,10 a 0,30 Ausência de evidência não é evidência de ausência (Schünemann, Vist, et al. 2024, sec. 15.6.4) “Nulo” só com IC dentro de ±δ e certeza ≥ moderada
Tratar moderador pós-hoc como achado “Funciona melhor para vulneráveis” sem hipótese prévia nem teste de interação Credibilidade baixa (Schandelmaier et al. 2020) ICEMAN; enunciar como hipótese
Recomendar sem certeza Recomendações de implementação sem julgamento de certeza (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 109) Implicação mais forte que a evidência Tabela de proporcionalidade e EtD-lite
Restringir a revisados por pares sem discutir viés de publicação Critério dos celulares (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 102) Estudos em teses e fontes pouco indexadas ficam de fora (Schünemann et al. 2013, sec. 5.2.5) Literatura cinzenta (Seção 4.1) e julgamento explícito do domínio
Dar nível GRADE a CMOC ou solução de QCA “Configuração com certeza moderada” Não há validação (Lewin, Booth, et al. 2018, tabela 4) Enunciado narrativo com campos fixos
Julgar transferibilidade só no fim Descobrir na discussão que nenhum estudo é brasileiro Não há dados de contexto nem subgrupos planejados (Munthe-Kaas et al. 2020) Fatores TRANSFER no protocolo
Extrair o nível de governo e não usá-lo Esfera de implementação só descritiva no REFIS (Schaefer 2026a) Fator central de transferibilidade fica fora do julgamento Célula ou subgrupo por nível; indireção quando não houver

10.9 Na skill revisao-sistematica

Esta etapa corresponde ao passo 10 do fluxo planejado (síntese, integração, certeza e caixa de ferramentas) e fecha no portão G8. A skill está em construção; o contrato segue o resumo da Seção D.5, com os nomes do comando caixa já existentes no código.

  • Portão G8: humano no modo checkpoints. No autopiloto vira pendência, e relatório e declaração de IA saem marcados “RASCUNHO NÃO VALIDADO”, com a lista do que falta; fechar a pendência regenera o que depende dela.
  • Juízos humanos: GRADE, ICEMAN, CERQual, CMOCs e calibração de QCA são decisões humanas; subagentes só organizam a evidência por domínio, com trechos e páginas. Os juízos entram em 06-analise/certeza.csv (família, construto, dimensão, certeza, abordagem GRADE ou CERQual, enunciado, estudos, justificativa, δ, moderador que explica, classe de desenho e, nas linhas de moderador ou mecanismo, a marca de que o achado explica a heterogeneidade do efeito). O G8 exige esse arquivo, com uma linha de certeza para cada célula de efeito da caixa.
  • rs.py caixa (opções --certeza, --delta, --faixas, --k-min): só aplica as regras versionadas (regra_versao) aos resultados de meta.R, swim.R e ao arquivo de certeza. Célula sem juízo GRADE fica “Pendente”; testes combinados são ignorados; toda linha sai com fontes e assinatura. Conferir se a ordem dos rótulos na versão da regra (caixa-3: Pendente, Inconclusivo por certeza muito baixa, Misto com k ≥ 5, δ e achado explicativo com confiança própria, ou Inconclusivo quando a explicação não se sustenta, Positivo ou Negativo, Nulo, Inconclusivo) e a regra da linha de painel são as declaradas no protocolo.
  • Agentes planejados: revisor-metodologico em G2 e G8, conferindo domínios, linguagem e proporcionalidade das implicações; sintetizador-quali, por tema.
  • Instrução e assets: references/07b-sintese-qualitativa-integracao.md; assets/mapas/caixa_ferramentas_mapa.csv; templates relatorio_oqf.qmd, manuscrito_prisma.qmd e policy_brief.qmd; checklists prisma2020 e swim.
  • Estado e limites: Claude não edita rs_estado.json, rs_log.jsonl nem decisoes.jsonl, e toda sessão começa por rs.py status. Realista iterativa e QCA computacional ficam para a v2; nesses tipos, a skill orienta pela Seção 9.1 e pelos enunciados narrativos, sem produzir níveis.

10.10 Como relatar

O relato mínimo, em métodos, resultados e discussão, deve conter:

  1. Abordagem de certeza por tipo de achado (GRADE, ICEMAN, GRADE-CERQual, enunciado narrativo), quem julgou e como divergências foram resolvidas (Page et al. 2021, item 15; Campbell et al. 2020, item 6).
  2. Limiares (δ, faixas de magnitude) e sua origem no protocolo (Hultcrantz et al. 2017).
  3. Ponto de partida de cada corpo e ferramenta de risco de viés que o sustenta (Schünemann, Higgins, et al. 2024, sec. 14.2.1).
  4. Tabela SoF por comparação, com certeza e explicação de cada rebaixamento ou elevação (Page et al. 2021, item 22; Schünemann, Higgins, et al. 2024, sec. 14.2.1).
  5. Evidence Profile e SoQF para os achados qualitativos (Lewin, Bohren, et al. 2018).
  6. Fatores de transferibilidade, como foram escolhidos e o julgamento por fator (Munthe-Kaas et al. 2020).
  7. Conclusões com linguagem padronizada e implicações para prática, política e pesquisa proporcionais à certeza (Page et al. 2021, item 23d; Schünemann, Vist, et al. 2024, sec. 15.6.4).
  8. Limitações da evidência separadas das limitações do processo da revisão (Page et al. 2021, itens 23b-23c).

Exemplo de redação.

A certeza da evidência foi avaliada com GRADE para cada combinação de intervenção e desfecho, por duas pesquisadoras de forma independente, com consenso. Ensaios randomizados partiram de certeza alta; estudos não randomizados avaliados com ROBINS-I partiram de alta e foram rebaixados conforme o julgamento de risco de viés. A imprecisão foi julgada em relação ao limiar de 0,10 desvio-padrão fixado no protocolo, e a inconsistência pela dispersão das estimativas, pelo I² e pelo intervalo de predição. A indireção considerou etapa de ensino, esfera responsável e país dos estudos, fatores priorizados com gestores de duas redes estaduais antes da busca. Achados qualitativos foram avaliados com GRADE-CERQual e moderadores com o ICEMAN. Para o desempenho acadêmico, a certeza foi muito baixa (rebaixada por risco de viés, inconsistência, indireção e imprecisão; tabela 4): a evidência é muito incerta sobre o efeito da proibição. Há confiança baixa de que atribuir a fiscalização apenas aos professores gera tensões em sala. Não recomendamos justificar a política por ganhos de aprendizagem; redes que a implementarem podem acompanhar cumprimento, conflitos e desempenho com desenho que permita avaliação de impacto.

(O limiar, as avaliadoras e os gestores do exemplo são hipotéticos.)

10.11 Leituras

Normas e guias

  • Schünemann, Higgins, et al. (2024) e Schünemann, Vist, et al. (2024): capítulos 14 e 15 do Cochrane Handbook v6.5; SoF, domínios, elevações, frases por certeza e implicações.
  • Schünemann et al. (2013), Hultcrantz et al. (2017), Zeng et al. (2022) e Schünemann et al. (2019): GRADE Handbook, certeza relativa a limiares, imprecisão e uso do ROBINS-I.
  • Murad et al. (2017): GRADE sem meta-análise; Schandelmaier et al. (2020): ICEMAN.
  • Lewin, Booth, et al. (2018), Lewin, Bohren, et al. (2018), Munthe-Kaas et al. (2018), Colvin et al. (2018), Glenton et al. (2018) e Noyes et al. (2018): série GRADE-CERQual; Munn et al. (2014): ConQual.
  • Moberg et al. (2018) e Alonso-Coello et al. (2016): frameworks EtD; Munthe-Kaas et al. (2020): TRANSFER.
  • Santesso et al. (2020) e Parahiba et al. (2025): declarações informativas e adaptação ao português.
  • Page et al. (2021), Campbell et al. (2020) e Aloe et al. (2024): itens de relato e padrões de interpretação.

Validade externa e transferibilidade

  • Slough e Tyson (2023), Deaton e Cartwright (2018), Cartwright e Hardie (2012) e Corduneanu-Huci et al. (2021): equivalência de alvo, fatores de suporte e seleção dos locais de experimentos.

Leituras de apoio

Páginas de Hjort et al. (2021) e Slough e Tyson (2023) referem-se às versões de trabalho do repositório OSF do material didático, as de Gough e Tripney (2016) ao manuscrito e as de Toma e Bell (2024) à versão aceita.

  • Schaefer, Borges, e De Freitas (2025), Schaefer (2026c) e Schaefer, Borges, e Gomes Filho (2025): proposta OQF, caixa de ferramentas e aplicação aos celulares.
  • Barreto e Lewin (2019): evidência qualitativa e GRADE-CERQual no Brasil.
  • Gough e Tripney (2016), Lavis (2009), Koga et al. (2020) e Faria (2022): revisões para política, uso de evidências pela burocracia e crítica ao movimento de políticas baseadas em evidências.
  • Hjort et al. (2021) e Toma e Bell (2024): experimentos sobre como decisores respondem à evidência.
  • Bilotta et al. (2014): exemplo de confusão entre qualidade de estudo e GRADE.
  • Schaefer (2026b), Schaefer (2026a) e Schaefer (2026d): scripts do REFIS e programa de leituras sobre relato e divulgação dos resultados.
Aloe, Ariel M., Omar Dewidar, Emily A. Hennessy, et al. 2024. “Campbell Standards: Modernizing Campbell’s Methodologic Expectations for Campbell Collaboration Intervention Reviews (MECCIR)”. Campbell Systematic Reviews 20 (4): e1445. https://doi.org/10.1002/cl2.1445.
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