8 Síntese quantitativa: meta-análise, síntese sem meta-análise e testes combinados
Depois que os efeitos foram extraídos, convertidos para uma métrica comum e alinhados a uma direção desejada (Seção 7.1) e que o risco de viés de cada estudo foi julgado (Seção 6.1), a revisão decide se e como combinar os resultados numéricos. O Cochrane Handbook abre o capítulo de meta-análise com o aviso “Do not start here!”: o diamante no pé do forest plot engana quando pergunta, elegibilidade, coleta e risco de viés não foram bem resolvidos (Deeks et al. 2024, sec. 10.1). As decisões desta etapa são seis: (i) se os estudos são comparáveis o bastante para uma média ter sentido; (ii) modelo, estimador de heterogeneidade e intervalo; (iii) como tratar vários efeitos por estudo; (iv) que moderadores investigar e com quantos estudos; (v) como examinar small-study effects sem “corrigir” a estimativa principal; (vi) sem meta-análise possível, que método aceitável usar e como relatá-lo pelo SWiM. O capítulo também corrige os testes combinados (Fisher, Stouffer, Winer, Cooper) e a taxa de sucesso presentes na proposta OQF e no material didático, e explica por que ficam como análise secundária. A certeza (GRADE) está na Seção 10.1; a integração com a evidência qualitativa e a caixa de ferramentas, na Seção 9.1.
8.1 Decisões e regras
Meta-analisar ou não
A meta-análise só deve ser feita quando participantes, intervenções, comparações e desfechos forem suficientemente parecidos para a resposta ter sentido (MECIR C62, obrigatório) (Deeks et al. 2024, sec. 10.10.1); Vaessen e colegas exigem o mesmo, em termos de constructos e relações comparáveis (Vaessen et al. 2014, 53). Razões legítimas para não meta-analisar são evidência limitada, relato incompleto, medidas de efeito diferentes e viés na evidência; o argumento da diversidade vale igualmente contra os outros métodos, e diante de heterogeneidade o Handbook pede tentar explicá-la e apresentar o intervalo de predição (McKenzie e Brennan 2024, sec. 12.1, Tabela 12.1.a).
| Pergunta | Se sim | Se não | Fonte |
|---|---|---|---|
| 1. Os estudos passam no checklist de comparabilidade (tabela seguinte)? | Seguir para 2 | Reagrupar como o protocolo prevê ou sintetizar por subconjunto | Deeks et al. (2024, sec. 10.10.1); Slough e Tyson (2023, 21–22) |
| 2. Cada estudo contribui com um efeito independente, ou a dependência será modelada? | Seguir para 3 | Um efeito por estudo pela regra do protocolo, ou CHE + RVE | McKenzie e Brennan (2024, sec. 12.2); Pustejovsky e Tipton (2022) |
| 3. Há estimativa e erro-padrão confiável (ou dados para calculá-los) na mesma métrica? | Seguir para 4 | Método aceitável sem meta-análise (tabela adiante); EP incorreto por clusters leva a resumir estimativas | McKenzie e Brennan (2024, sec. 12.2.1.1, Tabela 12.2.a) |
| 4. Há pelo menos três estudos na célula (família de intervenção × construto)? | REML + HKSJ modificado | Forest plot sem diamante; com dois estudos, qualquer intervalo é insatisfatório | Seção D.1; Deeks et al. (2024, sec. 10.10.4.5); Röver et al. (2015) |
| 5. A evidência está sobretudo em risco alto, ou há suspeita forte de resultados faltantes? | Relato estruturado em tabelas e gráficos; análise restrita aos de menor risco quando houver | Seguir | McKenzie e Brennan (2024, Tabela 12.1.a); Reeves et al. (2024, sec. 24.6.1) |
| 6. Os efeitos têm direções opostas e heterogeneidade grande? | Não citar só a média; mostrar intervalo de predição e explorar moderadores pré-especificados | Seguir | Deeks et al. (2024, sec. 10.10.3, C69) |
Checklist de comparabilidade conceitual
Slough e Tyson descrevem cada estudo por cenário (setting), contraste (a comparação entre tratamento e controle) e estratégia de mensuração (Slough e Tyson 2023, 1–2). Estudos só miram o mesmo alvo empírico (target-equivalence) se o mecanismo tiver validade externa e se forem harmonizados no contraste, incluindo o braço de controle, e na mensuração (o mesmo desfecho medido do mesmo modo) (Slough e Tyson 2023, 15, 21–22). Sem harmonização, a meta-análise pode não achar um mecanismo presente em todos os cenários ou “achar” um que não existe (Slough e Tyson 2023, 3); e a harmonização se julga por validade de constructo, com argumento substantivo (Slough e Tyson 2023, 16). O checklist abaixo é respondido por estudo antes de rodar qualquer modelo.
| Dimensão | Pergunta por estudo | Exemplo (celulares) | Fonte |
|---|---|---|---|
| Família de intervenção | O contraste aciona o mesmo mecanismo com intensidade comparável? | Proibição na escola inteira ou só em sala de aula | Slough e Tyson (2023, 20–21); Schaefer, Borges, e Gomes Filho (2025, 109) |
| Comparador | O que recebe o grupo de controle? | Escolas sem restrição (PICOC) ou turmas de experimento com celular liberado | Slough e Tyson (2023, 22, Corolário 1); Schaefer, Borges, e Gomes Filho (2025, 100) |
| Construto e janela do desfecho | Mesmo constructo, mesma forma de medir, mesma distância temporal da intervenção? | Prova padronizada, teste do professor ou aprendizagem com vídeo | Slough e Tyson (2023, 17); Schaefer, Borges, e Gomes Filho (2025, 109) |
| População e cenário | A população está no escopo que o PICOC declarou? | Educação básica ou ensino superior | Slough e Tyson (2023, 12, 28); Schaefer, Borges, e Gomes Filho (2025, 98, 109) |
| Estimando | ATE, ITT, LATE, efeito condicional; estimativa ajustada ou bruta? | Coeficiente de diferenças em diferenças ajustado ou diferença de médias de experimento | Vaessen et al. (2014, 53); Reeves et al. (2024, sec. 24.6.1) |
| Desenho | Randomizado ou não randomizado? | Três experimentos e quatro diferenças em diferenças | Reeves et al. (2024, sec. 24.6.2.1); Schaefer, Borges, e Gomes Filho (2025, 104) |
| Tipo de documento | É estudo primário? | Um dos oito “estudos” é uma meta-análise | Seção D.1; Schaefer, Borges, e Gomes Filho (2025, 104) |
- Estudos randomizados e não randomizados são apresentados e analisados separadamente e não entram na mesma meta-análise (Reeves et al. 2024, sec. 24.2.2, 24.6.2.1).
- Revisões sistemáticas e meta-análises nunca entram no mesmo conjunto de síntese que estudos primários: numa RS de primários, vão para a bola de neve (Seção 5.1); em revisões rápidas e em overviews, podem ser usadas como fonte de evidência no nível de revisão, com controle explícito de sobreposição (CCA) e sem somar seus estudos aos primários (Garritty et al. 2021, R8; Pollock et al. 2024, sec. V.4.4, V.4.7).
- Contagem de votos por significância estatística não é método de síntese (McKenzie e Brennan 2024, sec. 12.2.2.1).
- Testes combinados de valores-p nunca definem, sozinhos, o rótulo de efeito da caixa de ferramentas (Seção D.1, item 5; Seção 9.1).
- A estimativa principal não é substituída por uma estimativa “corrigida” por viés de publicação; correções são sensibilidade (Page et al. 2024, sec. 13.3.4.6; Harrer et al. 2021, sec. 9.3).
- Resultados de estudos não randomizados em risco crítico de viés ficam fora das análises (Reeves et al. 2024, sec. 24.6.1, 24.6.2.1).
Número mínimo de estudos
| Análise | Mínimo | Justificativa | Fonte |
|---|---|---|---|
| Agregar numa meta-análise | k ≥ 3 | Com dois ou três estudos o HKSJ tende a dar intervalos largos demais e o Wald, estreitos demais; comparar os dois em sensibilidade | Seção D.1; Deeks et al. (2024, sec. 10.10.4.5) |
| Interpretar τ², seu IC e o intervalo de predição | k ≥ 5 | O IC de τ² (Q-profile) e o intervalo de predição só são informativos com cerca de cinco estudos ou mais | Deeks et al. (2024, sec. 10.10.4.3, 10.10.4.4) |
| Estimativa dentro de um subgrupo | ≥ 3 estudos por nível | Mesma regra de agregação | Seção D.1 |
| Teste de diferença entre subgrupos | ≥ 4 estudos por nível e cerca de 10 estudos por característica | A AHRQ fixa quatro por subgrupo como piso para começar a considerar a análise; o Handbook pede dez observações por característica | Fu et al. (2011); Deeks et al. (2024, sec. 10.11.5.1) |
| Meta-regressão com covariável contínua | ~10 estudos por covariável | Menos que isso quando a covariável é mal distribuída; a AHRQ aceita 6 a 10 como piso com estudos de tamanho moderado ou grande | Deeks et al. (2024, sec. 10.11.4, 10.11.5.1); Fu et al. (2011) |
| Funil, Egger e regressões de efeito de estudo grande | k ≥ 10 e estudos de tamanhos diferentes | Poder baixo com menos estudos; não aplicar se os erros-padrão forem parecidos | Page et al. (2024, sec. 13.3.4.4, 13.3.4.6) |
| PET-PEESE | k ≥ 10, lido com cautela abaixo de 20 | Desempenho ruim com K < 20 e I² > 80% | Harrer et al. (2021, sec. 9.2.1.5) |
| Modelo de seleção de três parâmetros (3PSM) | Sem piso fixo; Harrer o apresenta como aplicável mesmo com poucos estudos (p. ex., K = 15 a 20); sempre sensibilidade | Cada intervalo de p precisa ter ao menos um estudo | Harrer et al. (2021, sec. 9.2.3.1); Viechtbauer (2010) |
| CHE + RVE | gl de Satterthwaite acima de 4 | Erro tipo I controlado quando os gl passam de 4 ou 5; gl dependem das covariáveis, não só do número de estudos | Pustejovsky e Tipton (2018, arXiv v2, p. 14); Seção D.1 |
| Rótulo “Positivo” ou “Negativo” sem meta-análise | ≥ 5 estudos e ≥ 70% na mesma direção | Regra da caixa de ferramentas | Seção D.4; Seção 9.1 |
A especificação desta base (Seção D.1, item 7) fixa k ≥ 3 por nível de subgrupo. Esse piso serve para estimar o efeito dentro de cada nível. Para testar se os níveis diferem, valem os mínimos mais exigentes das normas: quatro estudos por nível (Fu et al. 2011) e, pelo Handbook, cerca de dez estudos por característica investigada (Deeks et al. 2024, sec. 10.11.5.1). Abaixo disso, a revisão apresenta as estimativas por nível lado a lado e declara que não testou a diferença.
Modelo padrão e alternativas
| Escolha | Padrão | Sensibilidade ou alternativa | Fonte |
|---|---|---|---|
| Modelo | Efeitos aleatórios (efeito médio de uma distribuição de efeitos); padrão para não randomizados | Efeito fixo para examinar small-study effects, nunca escolhido por teste de heterogeneidade | Deeks et al. (2024, sec. 10.10.4.1); Reeves et al. (2024, sec. 24.6.2.1); Page et al. (2024, sec. 13.3.4.6) |
| Estimador de τ² | REML | Paule-Mandel (menos indicado quando os tamanhos variam muito) e DerSimonian-Laird | Deeks et al. (2024, sec. 10.10.4.4); Harrer et al. (2021, sec. 4.1.2.1) |
| Intervalo do efeito médio | HKSJ modificado (\(q^* = \max\{1, q\}\)), t com k − 1 gl | Efeitos aleatórios convencional (Wald) em sensibilidade; com dois ou três estudos, os dois lado a lado | Röver et al. (2015); Jackson et al. (2017); Deeks et al. (2024, sec. 10.10.4.5) |
| Heterogeneidade | τ² com IC, τ, Q, I² com IC e intervalo de predição de 95% | Nenhuma | Deeks et al. (2024, sec. 10.10.2, 10.10.4.3); Harrer et al. (2021, sec. 5.2) |
| Dependência | Um efeito por estudo pela regra do protocolo | CHE + RVE (CR2, gl de Satterthwaite), com ρ variando | García e Saavedra (2017, 935, 937–38); Pustejovsky e Tipton (2022) |
| Moderadores | Poucos, pré-especificados, com racional teórico; teste formal de diferença | Post hoc só como hipótese; teste de permutação na meta-regressão | Deeks et al. (2024, sec. 10.11.3.1, 10.11.5); Harrer et al. (2021, sec. 8.3.3.4) |
| Viés por resultados faltantes | ROB-ME; funil com contornos; Egger com EP modificado (SMD) e PET-PEESE se k ≥ 10 | 3PSM | Page et al. (2024, sec. 13.3); Pustejovsky e Rodgers (2019); Harrer et al. (2021, sec. 9.2) |
| Sensibilidade mínima | Leave-one-out; sem risco alto; sem conversões aproximadas; outro estimador de τ² | Restringir a estudos maiores e mais rigorosos | Deeks et al. (2024, sec. 10.14); Page et al. (2024, sec. 13.3.4.6); Seção D.1 |
Sem meta-análise: métodos aceitáveis e inaceitáveis
O Handbook classifica os métodos em preferíveis (meta-análise e extensões), aceitáveis e inaceitáveis. Os aceitáveis respondem perguntas mais pobres que a meta-análise, mas são melhores que uma narrativa estudo a estudo que privilegia achados sem justificativa; qualquer que seja o método, só um desfecho por estudo entra na síntese (McKenzie e Brennan 2024, sec. 12.2).
| Dados disponíveis | Método | Pergunta que responde | Gráfico associado | Limitação principal | Fonte |
|---|---|---|---|---|---|
| Estimativas na mesma métrica, sem variância confiável | Resumo das estimativas (mediana, IIQ, amplitude) | Qual a distribuição dos efeitos observados? | Box plot, bubble plot | Não pondera pelo tamanho do estudo | McKenzie e Brennan (2024, sec. 12.2.1.1) |
| Valor-p exato e direção | Combinação de valores-p | Há efeito em pelo menos um estudo? | Albatross plot | Sem magnitude; não distingue estudo grande com efeito pequeno de estudo pequeno com efeito grande | McKenzie e Brennan (2024, sec. 12.2.1.2, Tabela 12.2.a) |
| Só direção | Contagem de votos por direção + teste de sinal | Há alguma evidência de efeito? | Effect direction plot, harvest plot por direção | Sem magnitude; não pondera; menos poder que combinar p | McKenzie e Brennan (2024, sec. 12.2.1.3) |
| Direção e significância | Contagem por significância | Nenhuma válida | Nenhum | Poder tende a zero com mais estudos | McKenzie e Brennan (2024, sec. 12.2.2.1) |
| Regras mistas (significância, magnitude, “mais de 10%”) | Regras subjetivas | Nenhuma válida | Nenhum | Validade de desempenho ruim, pouca reprodutibilidade | McKenzie e Brennan (2024, sec. 12.2.2.2) |
Testes combinados da proposta OQF: estatuto e uso
| Teste | Como aparece no material de origem | Forma correta | Pergunta que responde | Uso aceitável |
|---|---|---|---|---|
| Fisher | \(\chi^2 = -2\sum \ln p\) com gl = 2n (Figueiredo Filho et al. 2014, 213); no script, p bilateral (Schaefer 2026a) | A mesma estatística com p bilateral, rotulada “não direcional”; a pergunta direcional fica com o Stouffer ponderado | “Há efeito, em alguma direção, em pelo menos um estudo?” | Só com p exatos e sem estimativas; rótulo “não direcional / pelo menos um estudo” |
| Stouffer | \(\sum z/\sqrt{N}\) sem pesos (Figueiredo Filho et al. 2014, 213) | Z ponderado com \(w_i = \sqrt{n_i}\) e p unilateral | “Os estudos, ponderados por tamanho, indicam efeito na direção declarada?” | Preferível a Fisher quando só há p e n (Whitlock 2005; Zaykin 2011) |
| Winer | \(\sum t/\sqrt{\sum[df/(df-2)]}\), aproximação normal com df ≥ 10 (Figueiredo Filho et al. 2014, 213); no script, z reconstruído do p (Schaefer 2026a) | A fórmula de Figueiredo com o t de cada estudo, sinal alinhado e df > 2 | Igual à do Stouffer, para estatísticas t com gl conhecidos | Quando t e gl estão disponíveis mas o EP não é confiável |
| Cooper | \((N_p - N/2)/(\sqrt{N}/2)\) (Figueiredo Filho et al. 2014, 213) | Teste de sinal binomial exato bilateral sobre a direção da estimativa pontual, com proporção e IC exato de Clopper-Pearson (Wilson como alternativa) | “A proporção de efeitos benéficos difere de 0,5?” | É a contagem de votos por direção; nenhum outro |
Todo resultado de Fisher, Stouffer, Winer ou Cooper vem acompanhado desta ressalva no texto: “O teste combina valores-p (ou direções) e não informa a magnitude do efeito; não distingue estudos grandes com efeitos pequenos de estudos pequenos com efeitos grandes; quando significativo, indica apenas que há efeito em pelo menos um estudo (ou que a proporção de efeitos benéficos difere de metade); quando não significativo, com poucos estudos pequenos, não indica ausência de efeito. É análise secundária e não define o rótulo de efeito.” A formulação resume as limitações da Tabela 12.2.a do Handbook (McKenzie e Brennan 2024).
8.2 Fundamentos e fórmulas
Efeito fixo e efeitos aleatórios
Com k estudos, cada um com estimativa \(y_i\) e variância \(v_i\), a meta-análise de efeito fixo pelo inverso da variância calcula \(\hat\theta_{F} = \sum w_i y_i / \sum w_i\), com \(w_i = 1/v_i\); para o IC, supõe-se que o efeito verdadeiro é o mesmo em todos os estudos e que as diferenças observadas são só acaso (Deeks et al. 2024, sec. 10.3.1, 10.10.4.1). O modelo de efeitos aleatórios supõe que os efeitos verdadeiros seguem uma distribuição, em geral normal:
\[ y_i = \mu + u_i + \varepsilon_i, \qquad u_i \sim N(0, \tau^2), \qquad \varepsilon_i \sim N(0, v_i), \]
e estima \(\hat\mu = \sum w_i^* y_i / \sum w_i^*\), com \(w_i^* = 1/(v_i + \hat\tau^2)\). Os dois coincidem sem heterogeneidade (Deeks et al. 2024, sec. 10.10.4.1). O modelo aleatório dá relativamente mais peso aos estudos pequenos e não “resolve” a heterogeneidade, só a incorpora (Deeks et al. 2024, sec. 10.10.4); se os vieses não se distribuem simetricamente, a média aleatória também é enviesada (Deeks et al. 2024, sec. 10.10.4.2); e se estudos pequenos dão resultados sistematicamente diferentes dos grandes, ela é empurrada na direção deles, de modo que, com assimetria no funil, os dois modelos ficam problemáticos (Deeks et al. 2024, sec. 10.10.4.1). O Handbook não dá recomendação universal entre os modelos e proíbe escolher pelo teste de heterogeneidade (Deeks et al. 2024, sec. 10.10.4.1); para estudos não randomizados, o aleatório é o padrão e o fixo precisa de justificativa (Reeves et al. 2024, sec. 24.6.2.1). A skill adota o aleatório e usa o fixo como sensibilidade.
Os dois modelos pressupõem um parâmetro comum a todos os estudos (design invariance), o que embute a hipótese de validade externa; rodá-los não demonstra que o mecanismo generaliza, e a validade interna dos estudos é necessária mas não suficiente para identificar um efeito comum (Slough e Tyson 2023, 24–26). Com validade externa só local, meta-analise dentro dos subconjuntos em que ela é plausível (Slough e Tyson 2023, 28); com contraste não harmonizado mas mensurável numa escala comum, use a diferença de contraste como covariável de meta-regressão; e não trate o teste de τ = 0 como teste de harmonização, leitura que depende de pressupostos estruturais fortes (Slough e Tyson 2023, 27).
Heterogeneidade: Q, τ², I² e intervalo de predição
- Q de Cochran: \(Q = \sum w_i (y_i - \hat\theta_F)^2\), comparado a uma \(\chi^2_{k-1}\). Tem pouco poder com poucos estudos pequenos; Q não significativo não prova ausência de heterogeneidade, e por isso às vezes se usa P de 0,10 (Deeks et al. 2024, sec. 10.10.2).
- τ² e τ: variância e desvio-padrão dos efeitos verdadeiros; τ está na escala da métrica de efeito e τ² não cresce sistematicamente com o número nem com o tamanho dos estudos (Harrer et al. 2021, sec. 5.1.4, 5.2). Relate com IC Q-profile, informativo com cinco estudos ou mais (Deeks et al. 2024, sec. 10.10.4.4).
- I²: percentual da variabilidade das estimativas que se deve à heterogeneidade e não ao erro amostral, \(I^2 = \max\{0, (Q - (k-1))/Q\}\) (Harrer et al. 2021, sec. 5.1.2). As faixas “0-40% pode não ser importante; 30-60% moderada; 50-90% substancial; 75-100% considerável” são guia grosseiro: a importância depende da magnitude e da direção dos efeitos e da força da evidência de heterogeneidade, e o MECIR C63 manda evitar limiares simples (Deeks et al. 2024, sec. 10.10.2).
- Intervalo de predição (PI): \(\hat\mu \pm t_{k-1}\sqrt{\hat\tau^2 + SE(\hat\mu)^2}\). Resume a dispersão dos efeitos verdadeiros e o efeito provável num novo estudo semelhante; use com cinco ou mais estudos e sem assimetria clara no funil (Deeks et al. 2024, sec. 10.10.4.3). PI inteiro de um lado indica benefício esperado nos contextos estudados; PI largo é comum (Harrer et al. 2021, sec. 5.2).
I² depende da precisão dos estudos e tende a 100% quando eles ficam muito grandes, mesmo com a mesma dispersão de efeitos verdadeiros (Harrer et al. 2021, sec. 5.2). O valor também muda com a fórmula: o pacote meta calcula I² a partir de Q por padrão, e o metafor, a partir de τ², que varia com o estimador (Schwarzer 2026); o RevMan usa \(\hat\tau^2/(\hat\tau^2 + \widetilde{SE}^2)\), que só coincide com o I² de Q quando o estimador é DerSimonian-Laird (Deeks et al. 2024, sec. 10.10.4.4). Nos celulares (Seção 8.5), os mesmos dados dão I² de 76,5% pela fórmula de Q e 96,7% pela de τ² com REML, com τ = 0,19 desvio-padrão (cálculo nosso). O que orienta decisão substantiva é τ, na escala do efeito, e o intervalo de predição.
Intervalo do efeito médio e estimador de τ²
O intervalo de Wald (\(\hat\mu \pm 1{,}96\,SE\)) ignora a incerteza na estimativa de τ² e fica estreito demais com poucos estudos. O ajuste de Hartung-Knapp-Sidik-Jonkman (HKSJ) calcula
\[ q = \frac{1}{k-1}\sum w_i^*(y_i - \hat\mu)^2, \qquad \hat\mu \pm t_{k-1;\,0{,}975}\,\sqrt{q}\,SE(\hat\mu), \]
isto é, reescala a variância e usa a distribuição t (Röver et al. 2015; Deeks et al. 2024, sec. 10.10.4.4). Em simulações a 5%, o erro tipo I do DerSimonian-Laird com Wald passou de 30%, e o do HKSJ no máximo dobrou; em 689 meta-análises Cochrane, 25,1% dos resultados significativos por DL deixaram de sê-lo com HKSJ; mesmo o HKSJ pede cautela extra com até cinco estudos de tamanhos muito desiguais (IntHout et al. 2014). Quando os erros-padrão variam muito, o HKSJ excede o erro nominal; a versão modificada, com \(q^* = \max\{1, q\}\), impede que o intervalo fique mais curto que o convencional e é recomendada com poucos estudos de precisão variável, embora fique muito conservadora com k = 2 (Röver et al. 2015). Jackson e colegas recomendam relatar a análise de efeitos aleatórios convencional como sensibilidade, e não a de efeito fixo (Jackson et al. 2017). Em R, metafor::rma(..., test = "adhoc") impede que o EP ajustado fique menor que o não ajustado (Viechtbauer 2010), e meta::metagen(..., method.random.ci = "HK", adhoc.hakn.ci = "se") faz a correção equivalente (Schwarzer 2026). Com τ² estimado em zero, o HKSJ sem modificação pode dar intervalos estreitos demais (Deeks et al. 2024, sec. 10.10.4.4).
Para τ², simulações recomendam Paule-Mandel ou REML, nenhum universalmente preferível, e o RevMan passou a usar REML como padrão (Deeks et al. 2024, sec. 10.10.4.4); Paule-Mandel pode ser subótimo quando os tamanhos de amostra variam drasticamente (Harrer et al. 2021, sec. 4.1.2.1). Nos celulares, a escolha muda a conclusão (com DL e HKSJ o IC cruza zero), por isso o estimador vai no protocolo.
Dependência de efeitos
Vários efeitos do mesmo estudo (desfechos, momentos, subgrupos ou modelos) não são independentes. Glass e Smith, com 725 comparações de 77 estudos, escreveram que “there is no sensible way to reduce each study to one observation” e por isso deixaram de lado intervalos e testes (Glass e Smith 1979, 8). Hoje há quatro soluções, em ordem de preferência operacional:
- Um efeito por estudo por análise, escolhido por regra do protocolo (Seção 3.1). García e Saavedra usaram a estimativa do estudo de maior qualidade, depois a mais recente e a do modelo com controles mais completos; no tempo, a de maior exposição (García e Saavedra 2017, 933, 935). Em não randomizados, a estimativa ajustada que minimiza o confundimento (Reeves et al. 2024, sec. 24.6.1).
- Efeito sintético por estudo: média ponderada dos efeitos dependentes com variância ajustada por correlação assumida. Vaessen e colegas usaram r = 0,8 quando os desfechos vinham dos mesmos tratados e controles, 0,2 quando os grupos diferiam e 0,5 nos demais casos (Vaessen et al. 2014, 34–35). Como o ρ do CHE, essa correlação é um palpite e pede sensibilidade (Harrer et al. 2021, sec. 10.4.2).
- Modelo multinível de três níveis, útil quando a pergunta envolve a variação dentro dos estudos (Harrer et al. 2021, sec. 10.1-10.2).
- CHE + RVE. O modelo de efeitos correlacionados e hierárquicos escreve \(T_{ij} = \mathbf{x}_{ij}\boldsymbol\beta + u_j + v_{ij} + e_{ij}\), com heterogeneidade entre estudos (τ), dentro de estudos (ω) e uma correlação amostral ρ comum aos pares de efeitos do mesmo estudo; os autores esperam que seja a primeira escolha de modelo de trabalho em muitas aplicações, sobretudo quando há pouca informação sobre as correlações (Pustejovsky e Tipton 2022, preprint, p. 12), e o modelo deve ser escolhido pela estrutura dos dados e de preferência pré-registrada, nunca comparando resultados de modelos diferentes (Pustejovsky e Tipton 2022, preprint, p. 19). A inferência usa erros-padrão cluster-robust com correção CR2, pensada para cerca de 40 estudos ou menos (Harrer et al. 2021, sec. 10.4.1), e gl de Satterthwaite; o erro tipo I fica controlado quando os gl passam de 4 ou 5, e como eles dependem das covariáveis, o número de estudos não basta para dispensar a correção (Pustejovsky e Tipton 2018, arXiv v2, p. 14). A skill trata gl < 4 como resultado não confiável (Seção D.1, item 4) e repete a análise com vários valores de ρ (Harrer et al. 2021, sec. 10.4.2).
Subgrupos e meta-regressão
Subgrupos e meta-regressão investigam modificação de efeito entre estudos e são observacionais: estudos não são sorteados entre contextos, e características podem estar confundidas entre si (Deeks et al. 2024, sec. 10.11.5.6, 10.11.6). As regras do Handbook: pré-especificar poucas características, com racional teórico; tratar análises post hoc como geradoras de hipóteses; considerar ajuste da significância se investigar mais de uma ou duas características; comparar subgrupos com teste formal (C67), nunca pela significância dentro de cada um; seguir o plano do protocolo (C68); e não considerar meta-regressão com menos de dez estudos (Deeks et al. 2024, sec. 10.11.3.1, 10.11.4, 10.11.5). Médias de características individuais (idade média, renda média) sujeitam a análise a viés ecológico (Deeks et al. 2024, sec. 10.11.5.5). Ausência de diferença entre subgrupos não demonstra equivalência (Harrer et al. 2021, sec. 7.2), e na meta-regressão o teste de permutação ajuda a detectar sobreajuste (Harrer et al. 2021, sec. 8.3.3.4).
García e Saavedra dão um modelo em política social: moderadores com previsão teórica (valor da transferência, programa nacional ou piloto, condicionalidades), controle de região, qualidade e publicação, meta-regressão só nos domínios com estimativas suficientes e aviso de que interações não foram modeladas (García e Saavedra 2017, 938–39). Na OQF, moderadores pré-especificados a partir da teoria do programa (Seção 2.1) entram na análise quantitativa se k permitir; hipóteses vindas da síntese qualitativa são exploratórias (Seção 9.1).
Small-study effects e viés de publicação
O funil (efeito contra erro-padrão, em escala invertida) mostra small-study effects, a tendência de estudos menores darem efeitos diferentes dos maiores. Viés de não publicação é só uma das causas; as outras são vieses maiores nos estudos pequenos, heterogeneidade verdadeira, artefato (SMD e OR correlacionados com o próprio EP) e acaso, por isso a assimetria não diagnostica viés de publicação (Page et al. 2024, sec. 13.3.4.3, 13.3.4.5). O julgamento formal usa a ferramenta ROB-ME, que combina resultados faltantes dentro dos estudos, potencial de estudos faltantes e funil em “baixo risco”, “algumas preocupações” ou “alto risco” (Page et al. 2024, sec. 13.3.5), e alimenta o domínio de viés de publicação do GRADE (Seção 10.1).
| Ferramenta | O que faz | Regra de uso | Fonte |
|---|---|---|---|
| Funil com contornos | Sombreia regiões de P = 0,01, 0,05 e 0,10; estudos “faltando” em região não significativa sugerem viés de relato, em região significativa sugerem outra causa | k ≥ 10 (Seção D.1, item 7); leitura visual é subjetiva | Page et al. (2024, sec. 13.3.4.3); Vaessen et al. (2014, 65) |
| Egger | Regressão do efeito no erro-padrão | k ≥ 10; o Egger original não é recomendado para OR e SMD | Page et al. (2024, sec. 13.3.4.4) |
| Egger com EP modificado (SMD) | Usa \(\sqrt{(n_1+n_2)/(n_1 n_2)}\) como preditor, que não depende do efeito, mantendo o erro tipo I nominal | Padrão para g e d | Pustejovsky e Rodgers (2019); Harrer et al. (2021, sec. 9.2.1.2) |
| PET-PEESE | PET: \(y_i = \beta_0 + \beta_1 SE_i\); PEESE: \(y_i = \beta_0 + \beta_1 SE_i^2\), por mínimos quadrados ponderados pelo inverso da variância; se o intercepto do PET for positivo com p < 0,10 (unilateral a 5%), usar o do PEESE, senão o do PET | k ≥ 10; EP modificado com SMD; pode corrigir demais; a regressão ponderada comum (lm) usa erro multiplicativo, e a meta-regressão, erro aditivo: declarar a variante |
Stanley e Doucouliagos (2014); Harrer et al. (2021, sec. 9.2.1.5) |
| Comparar efeito fixo e aleatório | Se o aleatório se desloca para os estudos pequenos, avaliar se estes diferem de fato ou foram divulgados seletivamente | Sempre que I² > 0 e houver preocupação com small-study effects | Page et al. (2024, sec. 13.3.4.6) |
| 3PSM | Modelo de seleção com um corte em p unilateral 0,025 (parâmetros μ, τ² e δ₂) | Sensibilidade; intervalos de p vazios fazem δ derivar | Viechtbauer (2010); Harrer et al. (2021, sec. 9.2.3.1) |
Por que nunca corrigir a estimativa principal: os modelos de seleção supõem que nenhum outro mecanismo gera small-study effects e enganam se isso for falso (Page et al. 2024, sec. 13.3.4.6); nenhum método de correção domina os demais, estimativas corrigidas dos mesmos dados podem ir de zero ao efeito original, e nenhum dá resultado aceitável com I² na faixa de 75% (Harrer et al. 2021, sec. 9.3). Aplique vários métodos pré-especificados e leia-os como faixa de sensibilidade. Vaessen e colegas dão o modelo de interpretação: funil com contornos sem assimetria aparente e meta-regressão atribuindo a assimetria restante ao risco de viés, com estudos mais válidos mostrando efeitos menores (Vaessen et al. 2014, 61, 65–66).
Síntese sem meta-análise
Contagem de votos por direção. Cada efeito é classificado como benefício ou dano só pelo sinal da estimativa pontual, sem olhar significância nem magnitude. O número de benefícios \(u\) entre \(n\) estudos é testado contra a proporção 0,5 (teste de sinal, binomial exato), e \(u/n\) é relatada com intervalo de confiança. A skill usa o intervalo exato de Clopper-Pearson (Clopper e Pearson 1934), o mesmo da validação da triagem (Seção 12.1); o Handbook sugere Wilson ou Jeffreys, que são alternativas aceitáveis (McKenzie e Brennan 2024, sec. 12.2.1.3). No exemplo do Handbook, 10 de 12 estudos favorecem a intervenção: 83% (IC 95% de 55% a 95%), P = 0,039 bilateral, com três estudos sem direção fora da contagem (McKenzie e Brennan 2024, sec. 12.4.2.3); esse intervalo é o de Wilson, e o de Clopper-Pearson iria de 52% a 98% (cálculo nosso). Frases como “a maioria dos estudos encontrou” são contagem implícita e precisam ser declaradas como método (McKenzie e Brennan 2024, sec. 12.2.1.3). O teste tem pouco poder, perde denominador quando muitos estudos têm direção conflitante e não deve ser usado com suspeita de viés de publicação; padrões não devem ser descritos como “estatisticamente significativos” (Boon e Thomson 2021). Nikolakopoulos argumenta ainda que, nesse contexto, os dados não são gerados pela distribuição binomial que o teste supõe (Nikolakopoulos 2020). Por isso a skill usa o teste de sinal como descrição da incerteza, com a direção sempre pela estimativa pontual relativa à direcao_desejada e a significância em variável separada (Seção D.1, item 2; Seção 7.1).
Por que a contagem por significância é inválida. Ela conta estudos subpotentes como evidência contra o efeito: de dois estudos com o mesmo efeito estimado, só o de maior poder vira benefício, e o poder da contagem convencional tende a zero à medida que o número de estudos cresce, salvo com estudos grandes e efeitos ao menos moderados; a versão de três grupos (significativo a favor, significativo contra, não significativo) tem o mesmo defeito (McKenzie e Brennan 2024, sec. 12.2.2.1). É o procedimento que Figueiredo e colegas apresentam como a forma mais simples de acumular achados (Figueiredo Filho et al. 2014, 212). Glass e Smith já criticavam revisões que “took ‘statistical significance’ of differences far too seriously” (Glass e Smith 1979, 2) e mostravam por quê: se só 55% a 60% das comparações apontam na direção do efeito, revisões narrativas de uma ou duas dezenas de estudos produzem confusão (Glass e Smith 1979, 10). Vaessen e colegas partem de uma leitura “ingênua” (15 de 25 estudos com relação positiva e significativa) e mostram que só a meta-análise com avaliação de risco de viés permitia concluir algo (Vaessen et al. 2014, 39, 82).
Gráficos.
- Effect direction plot revisado: uma linha por estudo e uma coluna por domínio de desfecho, com setas ▲ (melhora), ▼ (piora) e ◂▸ (sem mudança ou conflitante). Dentro do estudo, registra-se a direção quando todos os desfechos do domínio concordam ou quando pelo menos 70% concordam; abaixo disso, conflitante. O tamanho da seta indica o n do grupo de intervenção (> 300; 50 a 300; < 50) e a cor da linha, o risco de viés; conflitantes saem do teste de sinal bilateral (Boon e Thomson 2021). A versão original usava significância no algoritmo, e o Handbook diz que ela precisa de desenvolvimento antes de ser recomendada (McKenzie e Brennan 2024, sec. 12.3.5).
- Albatross plot: dispersão do tamanho amostral contra o p bilateral, separada pela direção, com contornos de tamanho de efeito aproximados; exige só p unilateral e n total (ou p bilateral, direção e n) (Harrison et al. 2017; McKenzie e Brennan 2024, sec. 12.3.4). Complementa a combinação de valores-p.
- Harvest plot: matriz com uma linha por dimensão (por exemplo, renda, escolaridade) e uma coluna por hipótese concorrente (gradiente positivo, negativo ou nenhum); cada estudo é uma barra cuja altura indica a adequação do desenho, o tom distingue desfechos comportamentais de intermediários e a anotação conta critérios de qualidade atendidos (Ogilvie et al. 2008). Os artigos originais classificavam por significância; a versão aceitável classifica por direção (McKenzie e Brennan 2024, sec. 12.3.5).
- Forest plot sem diamante, ordenado ou dividido por uma característica relevante (desenho, risco de viés, tamanho) (McKenzie e Brennan 2024, sec. 12.3.2). Para estudos não randomizados, é a exibição padrão quando não se combina; diagnósticos de heterogeneidade continuam úteis mesmo sem estimativa conjunta (Reeves et al. 2024, sec. 24.6.2.3).
Literatura cinzenta brasileira (teses da CAPES e da BDTD, relatórios do IPEA e do TCU) entra na mesma tabela de efeitos com o mesmo checklist; o que não traz estimativa com EP segue para os métodos aceitáveis acima, e não para uma narrativa estudo a estudo (McKenzie e Brennan 2024, Tabela 12.1.a).
Taxa de sucesso (Cancela e Geys), reinterpretada
O programa de leituras associa a “taxa de sucesso dos estudos” a Cancela e Geys (Schaefer 2026d), e o slide sobre análise de dados mostra uma tabela sobre voto obrigatório de uma revisão com meta-análise de pesquisas agregadas publicada em Government and Opposition (Stockemer, 2017, p. 704): na linha do voto obrigatório com sanções, 32 estudos, 74 modelos, 72 “sucessos”, 0 “fracassos”, 2 “sem relação”, taxa de 0,97 (Schaefer 2026b, 39). Em Cancela e Geys, que declaram misturar contagem de votos e testes combinados, a direção esperada é fixada a priori e cada coeficiente é um “teste”: sucesso se significativo com o sinal esperado, fracasso se não significativo, anomalia se significativo com sinal contrário. O estudo é “sucesso” se mais da metade dos testes o for, e “fracasso” nos demais casos; o “r aproximado” = (sucessos − anomalias)/testes recebe IC \(\bar r \pm 1{,}96\, s/\sqrt{n}\), e a variável “tem poder explicativo” se o IC exclui zero (Cancela e Geys 2016, 265–66). Um mérito a preservar: só agregam operacionalizações “suficientemente equivalentes”; e os autores reconhecem que a magnitude não é considerada (Cancela e Geys 2016, 266).
Isso é contagem de votos por significância (McKenzie e Brennan 2024, sec. 12.2.2.1). Além disso, o “r” é proporção de votos, não tamanho de efeito; a taxa por teste pesa mais quem publica muitas especificações; e o resultado modal junta anomalias e fracassos. A reinterpretação aceitável:
| Taxa de sucesso (como está) | Reinterpretação aceitável |
|---|---|
| Sucesso = significativo com sinal esperado | Benefício = estimativa pontual do modelo principal com o sinal desejado, qualquer que seja o p |
| Unidade = teste (modelo) ou resultado modal do estudo | Unidade = estudo, com um modelo principal escolhido pela regra do protocolo |
| Taxa e “r aproximado” com IC ± 1,96 s/√n | Proporção de benefícios u/n com IC de Clopper-Pearson e teste de sinal bilateral |
| “Tem poder explicativo” se o IC exclui zero | “Há alguma evidência de efeito na direção declarada”, sem afirmação de magnitude |
| Sem ponderação e sem risco de viés | Sensibilidade sem estudos de risco alto; effect direction plot com cor por risco de viés |
Quando os estudos reportam coeficiente e erro-padrão com operacionalizações comparáveis, o caminho preferível é converter para métrica comum e meta-analisar (Seção 7.1); a contagem por direção fica para o que não pode ser convertido.
Distribuição de t normativos (Gerring e colegas)
Gerring, Knutsen e Berge revisaram mais de 1.100 análises de mais de 600 artigos sobre efeitos da democracia em 30 desfechos, sem meta-análise tradicional porque a diversidade de desfechos impede padronizar coeficientes (Gerring et al. 2022, 357, 359). Usaram o t do modelo de referência de cada análise, com sinal “normativamente ajustado” (positivo quando a democracia se associa ao resultado desejável): só 22% são negativos (Gerring et al. 2022, 362, 365). Como o funil exige coeficientes e erros-padrão comparáveis, examinaram viés de limiar pela distribuição de t: 11% das análises têm |t| entre 1,96 e 2,26, sem acúmulo equivalente em 1,65 ou 2,58 (Gerring et al. 2022, 368). O material didático sobre análise de dados reproduz a figura (Schaefer 2026b, 37).
A proposta OQF sugere usar t como medida padronizada, pois “quanto maior o valor de T, maior a diferença entre grupo de controle e tratamento” (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 22). Mas “the t-value is not an effect, strictly speaking”: mede a estimativa relativa ao erro-padrão (Gerring et al. 2022, 364) e cresce com a amostra, de modo que um efeito minúsculo num painel enorme pode ter t maior que um efeito grande num experimento pequeno. Os autores, ao classificar análises em “ruim”, “nulo” e “bom” pelo corte de ±1,96, reconhecem o perigo desses limiares e pedem cautela com menos de 10 análises (Gerring et al. 2022, 366). Na skill, a distribuição de t serve para diagnosticar viés de limiar sem EP comparável e para descrever direção (proporção de t > 0); nunca para magnitude nem para classificar por significância.
Testes combinados: fórmulas corretas
O material didático toma os testes de Figueiredo e colegas (Figueiredo Filho et al. 2014, 213), e a proposta OQF os descreve como “úteis para mensurar a escala, ou tamanho, do efeito” (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 21), embora combinar valores-p não informe magnitude (McKenzie e Brennan 2024, Tabela 12.2.a). Todos pressupõem estudos que respondem à mesma pergunta, testes independentes e resultados válidos (Figueiredo Filho et al. 2014, 212). Só são aceitáveis quando não há estimativas com EP para meta-analisar, e o método escolhido é relatado com sensibilidade a essa escolha (McKenzie e Brennan 2024, sec. 12.2.1.2). As versões corretas, com direção declarada a priori:
Conversão de p. O p bilateral não contém direção. Se o efeito vai na direção da hipótese, \(p^{(1)} = p^{(2)}/2\); se vai na contrária, \(p^{(1)} = 1 - p^{(2)}/2\). Se o estudo só informa “p < 0,05”, usa-se 0,05, e o p precisa ter sido calculado respeitando clusters ou pareamento (McKenzie e Brennan 2024, sec. 12.2.1.2). Valores-p bilaterais de dois estudos com direções opostas podem ser ambos pequenos e produzir um p combinado pequeno (Zaykin 2011).
Fisher (p bilateral, rotulado “não direcional”). \[ X^2 = -2\sum_{i=1}^{k}\ln p_i^{(2)} \sim \chi^2_{2k}. \] Com p bilaterais, um X² grande indica efeito em pelo menos um estudo, em qualquer direção: efeitos opostos se somam em vez de se cancelar (dois estudos com direções opostas podem produzir um p combinado pequeno (Zaykin 2011)), e um único p minúsculo domina a soma. É a forma que a especificação adota, com o rótulo “não direcional” (Seção D.1, item 5), e a mesma do script de análise do REFIS (Schaefer 2026a), que não traz o rótulo. Com p unilaterais, a estatística indicaria efeito na direção declarada em pelo menos um estudo (McKenzie e Brennan 2024, sec. 12.2.1.2), mas um estudo na direção contrária continuaria contribuindo quase nada sem subtrair; por isso a pergunta direcional fica com o Stouffer ponderado. Figueiredo e colegas já anotavam que o teste pode dar resultados inconsistentes quando a maioria dos estudos vai na mesma direção (Figueiredo Filho et al. 2014, 213, nota 6).
Stouffer ponderado (Z de Lipták). \[ Z_w = \frac{\sum w_i z_i}{\sqrt{\sum w_i^2}}, \qquad z_i = \Phi^{-1}\!\left(1 - p_i^{(1)}\right), \qquad w_i = \sqrt{n_i}, \] com p combinado \(1 - \Phi(Z_w)\) (Zaykin 2011). Tem mais poder que Fisher e que o Z sem pesos (Whitlock 2005), e com pesos iguais a \(\sqrt{n}\) tem poder comparável ao do método de Lancaster (Zaykin 2011). Estudos em direções opostas se cancelam, o que o torna a versão direcional adequada.
Winer (com t, não com z). \[ Z_W = \frac{\sum t_i}{\sqrt{\sum df_i/(df_i - 2)}}, \] em que \(t_i\) é a estatística t do estudo com sinal alinhado à direção desejada e \(df_i/(df_i-2)\) é a variância de t; a aproximação normal vale com df ≥ 10 e o teste pode dar resultados inconsistentes em amostras pequenas (N < 10) (Figueiredo Filho et al. 2014, 213, nota 7). O teste exige \(df_i > 2\) e o t reportado. Transformar t em p, p em z e dividir pela raiz da soma das variâncias de t mistura escalas: com z no numerador, o denominador correto seria \(\sqrt{k}\), que é o Stouffer.
Cooper (teste de sinal). A fórmula usada no material didático, \(Z_c = (N_p - N/2)/(\sqrt{N}/2)\) (Figueiredo Filho et al. 2014, 213), é a aproximação normal de uma binomial com média N/2 e desvio-padrão √N/2. Com poucos estudos, use o binomial exato bilateral e relate a proporção com IC (McKenzie e Brennan 2024, sec. 12.2.1.3, 12.4.2.3), de preferência o exato de Clopper-Pearson (Clopper e Pearson 1934). Cooper é a contagem de votos por direção e só é válido se “direção” for o sinal da estimativa pontual; contar só os achados significativos em cada direção é a contagem por significância.
Benchmarks de interpretação da magnitude
Rótulos como “pequeno” e “grande” dependem do campo e são fixados no protocolo, não escolhidos depois (Seção D.1, item 6; Seção 3.1). As convenções de Cohen (d = 0,2; 0,5; 0,8) não se basearam em estimativas empíricas e só são recomendadas quando não há estimativas do campo; em gerontologia, 2.941 valores de g deram 0,16, 0,38 e 0,76 nos percentis 25, 50 e 75 (Brydges 2019, 1). Para estudos causais de intervenções da educação infantil ao ensino médio com testes padronizados, Kraft propõe menos de 0,05 como pequeno, de 0,05 a menos de 0,20 como médio e 0,20 ou mais como grande, a partir de 1.942 efeitos de 747 RCTs (Kraft 2020, versão do autor, p. 21). O mesmo g = 0,22 é “pequeno” por Cohen, fica entre os percentis 25 e 50 de Brydges e é “grande” por Kraft, dentro do recorte dele. Kraft lembra ainda que ensaios pequenos e intervenções focalizadas costumam dar efeitos maiores que intervenções universais (Kraft 2020, versão do autor, p. 13). O script de simulação de exemplo oferece outra tradução: com d = 1, a média do grupo tratado fica no percentil 84 do controle, e a probabilidade de superioridade é Φ(d/√2) (Schaefer 2026c).
8.3 Passo a passo
Conferir o plano de síntese do protocolo (Seção 3.1): células (família de intervenção × construto), métrica, direção desejada por desfecho, regra de modelo principal, estimador, moderadores com hipótese, sensibilidades, δ e benchmarks do campo, métodos de viés por resultados faltantes e modelo de trabalho para dependência. Mudança vira emenda datada.
Montar a tabela de comparabilidade: uma linha por estudo com as sete dimensões do checklist e o risco de viés por domínio (Seção 6.1). Separar randomizados de não randomizados; excluir revisões e meta-análises e verificar sobreposição com os estudos primários delas; excluir não randomizados em risco crítico.
Preparar os efeitos: um efeito por estudo por célula, com
formula_id, EP, n por grupo, marca de conversão aproximada e trecho verbatim com página (Seção 7.1). Conferir sinais (alerta para |g| > 2) e se o EP respeita clusters; dados errados são causa comum de heterogeneidade extrema (Deeks et al. 2024, sec. 10.10.3).Decidir o caminho por célula: k ≥ 3 e efeitos com EP confiável levam à meta-análise; senão, método aceitável do SWiM. Registrar a decisão.
Rodar o modelo principal (REML + HKSJ modificado) e extrair μ, IC, τ² com IC, τ, Q, I² com IC e PI (PI só com k ≥ 5).
library(metafor) # dat: um efeito por estudo; yi = g alinhado à direção desejada; vi = variância res <- rma(yi, vi, data = dat, method = "REML", test = "adhoc", slab = estudo) res # mu, IC (t com k-1 gl), Q, I2 (base tau2), tau2 confint(res) # IC Q-profile de tau2, tau e I2 predict(res) # pi.lb, pi.ub = intervalo de predição forest(res, addpred = TRUE, header = TRUE, order = "obs")Equivalente no pacote usado no material didático (Harrer et al. 2021, sec. 4.2.1; Schwarzer 2026):
library(meta) m <- metagen(TE = yi, seTE = sqrt(vi), studlab = estudo, data = dat, sm = "SMD", common = FALSE, method.tau = "REML", method.random.ci = "HK", adhoc.hakn.ci = "se", prediction = TRUE) # I2 pela fórmula de Q (padrão do meta) summary(m); forest(m)Interpretar a heterogeneidade por τ e PI na escala do efeito, cotejando com o benchmark e com δ. Se o PI cobre benefício e dano relevantes, o efeito médio não resume a política; o rótulo “Misto” exige moderador pré-especificado ou achado qualitativo que explique (Seção 9.1).
Tratar a dependência, se a pergunta exigir todos os efeitos por estudo:
library(clubSandwich) V <- vcalc(vi, cluster = estudo, obs = id_efeito, rho = 0.6, data = dat_multi) che <- rma.mv(yi, V, random = ~ 1 | estudo/id_efeito, data = dat_multi, method = "REML", sparse = TRUE) robust(che, cluster = estudo, clubSandwich = TRUE) # CR2 + gl de Satterthwaite coef_test(che, vcov = "CR2") # conferir d.f. >= 4 # sensibilidade: repetir com rho = 0.2 e 0.8Moderadores pré-especificados, só com estudos suficientes (≥ 4 por nível e ~10 por característica):
sub <- rma(yi, vi, mods = ~ nivel_ensino, data = dat, method = "REML", test = "adhoc") sub # teste de moderadores = diferença formal entre subgrupos permutest(sub, iter = 5000)Viés por resultados faltantes (testes só com k ≥ 10 e tamanhos variados) (Harrer et al. 2021, sec. 9.2.1.2, 9.2.1.5, 9.2.3.1):
funnel(res, level = c(90, 95, 99), shade = c("white", "gray55", "gray75"), refline = 0, legend = TRUE) # funil com contornos dat$se_mod <- sqrt((dat$n1 + dat$n2) / (dat$n1 * dat$n2)) rma(yi, vi, mods = ~ se_mod, data = dat, method = "REML") # Egger com EP de Pustejovsky-Rodgers # no meta: m$n.e <- dat$n1; m$n.c <- dat$n2; metabias(m, method.bias = "Pustejovsky") pet <- lm(yi ~ se_mod, weights = 1 / vi, data = dat) # PET, variante WLS (erro multiplicativo) peese <- lm(yi ~ I(se_mod^2), weights = 1 / vi, data = dat) # PEESE b0 <- coef(summary(pet))[1, ] # intercepto: estimativa, EP, t, p p_unilateral <- pt(b0["t value"], df = df.residual(pet), lower.tail = FALSE) # regra: intercepto do PET > 0 com p unilateral < 0,05 (p bilateral < 0,10) -> PEESE; senão, PET # sensibilidade: rma(yi, vi, mods = ~ se_mod, data = dat, method = "FE") (erro aditivo, teste z) selmodel(res, type = "stepfun", steps = 0.025, alternative = "greater") # 3PSM rma(yi, vi, data = dat, method = "FE") # comparar com o aleatórioRelate essas estimativas como sensibilidade, faça o julgamento ROB-ME e leve-o ao GRADE (Seção 10.1).
Sensibilidade: leave-one-out; sem estudos de risco alto; sem conversões aproximadas; outro estimador de τ²; efeitos aleatórios convencional ao lado do HKSJ; sem o estudo que concentra o peso. Resumir numa tabela, não em vários forest plots (Deeks et al. 2024, sec. 10.14).
leave1out(res) update(res, subset = rob != "alto") update(res, subset = conversao != "aproximada") update(res, method = "PM"); update(res, method = "DL"); update(res, test = "z")Sem meta-análise: tabela estruturada por célula; contagem por direção com teste de sinal e IC de Clopper-Pearson; effect direction plot com cor por risco de viés; albatross plot se houver p e n; combinação de p com Z ponderado só se esse for o dado disponível.
u <- sum(dat$direcao == 1); n <- sum(dat$direcao %in% c(1, -1)) binom.test(u, n, p = 0.5, alternative = "two.sided") # teste de sinal exato e IC de Clopper-Pearson prop.test(u, n, correct = FALSE)$conf.int # alternativa: IC de WilsonTestes combinados (se usados), com um p por estudo, direção declarada e a ressalva obrigatória:
X2 <- -2 * sum(log(dat$p_bilateral)) pchisq(X2, df = 2 * nrow(dat), lower.tail = FALSE) # Fisher, não direcional (p bilateral) p1 <- ifelse(dat$sinal == 1, dat$p_bilateral / 2, 1 - dat$p_bilateral / 2) # p unilateral na direção declarada z <- qnorm(p1, lower.tail = FALSE) # evita z infinito quando p1 é minúsculo w <- sqrt(dat$n) Zw <- sum(w * z) / sqrt(sum(w^2)); pnorm(Zw, lower.tail = FALSE) # Stouffer ponderado stopifnot(all(dat$df > 2)) Zwin <- sum(dat$t_alinhado) / sqrt(sum(dat$df / (dat$df - 2))) # Winer com t pnorm(Zwin, lower.tail = FALSE)Revisão metodológica e portão G8: um segundo revisor confere comparabilidade, direção, dependência, sensibilidade e ressalvas antes de a síntese alimentar a certeza e a caixa de ferramentas.
8.4 O que as diretrizes exigem
PRISMA 2020 (Page et al. 2021):
| Item | Exigência |
|---|---|
| 12 | Medida de efeito usada por desfecho na síntese ou apresentação |
| 13a | Processo para decidir que estudos entram em cada síntese |
| 13b | Preparação dos dados (estatísticas faltantes, conversões) |
| 13c | Métodos de tabulação e exibição dos resultados de estudos e sínteses |
| 13d | Métodos de síntese com justificativa; se houve meta-análise, modelos, métodos para identificar presença e extensão da heterogeneidade e software |
| 13e | Métodos para explorar causas de heterogeneidade |
| 13f | Análises de sensibilidade |
| 14 | Métodos para avaliar risco de viés por resultados faltantes |
| 19 | Para cada estudo, estatísticas por grupo e estimativa com precisão, de preferência em tabelas ou gráficos |
| 20a | Características e risco de viés dos estudos de cada síntese |
| 20b | Resultados de todas as sínteses: estimativa, precisão e heterogeneidade; direção do efeito |
| 20c | Resultados das investigações de heterogeneidade |
| 20d | Resultados das análises de sensibilidade |
| 21 | Avaliações de risco de viés por resultados faltantes |
| 22 | Certeza da evidência por desfecho (Seção 10.1) |
| 27 | Disponibilidade de dados extraídos, dados das análises e código |
SWiM (revisões com síntese sem meta-análise em pelo menos um desfecho) (Campbell et al. 2020, Tabela 1):
| Item | Conteúdo |
|---|---|
| 1a / 1b | Grupos da síntese (populações, intervenções, desfechos, desenhos) com racional, de preferência pela teoria da mudança; mudanças em relação ao protocolo |
| 2 | Métrica padronizada por desfecho, por que foi escolhida e métodos de transformação |
| 3 | Métodos de síntese usados e justificativa |
| 4 | Critérios para priorizar estudos na síntese (desenho, risco de viés, proximidade com a pergunta) |
| 5 | Métodos para examinar heterogeneidade dos efeitos |
| 6 | Métodos para avaliar a certeza |
| 7 | Métodos gráficos e tabulares; características usadas para ordenar os estudos |
| 8 | Resultado de cada comparação e desfecho, com certeza, em linguagem coerente com a pergunta, indicando os estudos que contribuem |
| 9 | Limitações dos métodos de síntese e dos agrupamentos |
O SWiM expande itens de síntese do PRISMA e do RAMESES e não se aplica a síntese de dados qualitativos, para a qual existem ENTREQ e eMERGe (Campbell et al. 2020). A teoria da mudança que justifica os agrupamentos (item 1a) vem da Seção 2.1. O Handbook pede ainda que a revisão nomeie o método em vez de escrever só “síntese narrativa” (McKenzie e Brennan 2024, sec. 12.2).
MECIR (Cochrane):
| Item | Nível | Exigência | Fonte |
|---|---|---|---|
| C62 | Obrigatório | Meta-analisar só estudos suficientemente similares | Deeks et al. (2024, sec. 10.10.1) |
| C63 | Obrigatório | Avaliar presença e extensão da heterogeneidade, sem limiares simples | Deeks et al. (2024, sec. 10.10.2) |
| C67 | Obrigatório | Comparar subgrupos com teste estatístico formal | Deeks et al. (2024, sec. 10.11.3.1) |
| C68 | Obrigatório | Seguir o plano de subgrupos do protocolo, sem ênfase indevida | Deeks et al. (2024, sec. 10.11.5.2) |
| C69 | Obrigatório | Considerar a heterogeneidade na interpretação, sobretudo com direções opostas | Deeks et al. (2024, sec. 10.10.3) |
| C71 | Altamente desejável | Sensibilidade para pressupostos, imputações, decisões limítrofes e risco alto | Deeks et al. (2024, sec. 10.14) |
| C73 | Altamente desejável | Considerar o impacto de vieses de não relato | Page et al. (2024, sec. 13.4) |
8.5 Exemplo trabalhado
O que o artigo dos celulares fez
A revisão de Schaefer, Borges e Gomes Filho perguntou se proibir ou restringir celulares melhora o desempenho escolar, motivada pela Lei nº 15.100/2025, que vale para a educação básica (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 98). Dos 21 trabalhos incluídos, oito tinham desenho causal: três experimentais, quatro de seleção em observáveis (diferenças em diferenças) e uma meta-análise (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 99, 104). A análise quantitativa seguiu a sequência da proposta OQF (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 103–5):
- Contagem: sete de oito estudos com efeito positivo, seis estatisticamente significativos.
- Fisher = 65,74 e Cooper = 2,88 (ambos p < 0,05), lidos como rejeição de que “a direção e a significância” seriam aleatórias e como reforço da consistência.
- g de Hedges a partir do coeficiente do modelo principal, dos n de tratamento e controle e do DP da variável dependente, com o pacote
meta: efeito comum de 0,22, “fraco, mas consistente”. - Forest plot com IC total [0,02; 0,42] e rodapé “χ²₇ = 29,73 (P < ,001), I² = 76,5%”; a diferença em relação à meta-análise de Böttger e Zierer é atribuída à inclusão de estudos do ensino superior.
O Anexo J da proposta OQF traz o código de conversão e os dados: esc_B para os ids 1, 4, 3 e 5, esc_f para os ids 15 e 20, esc_t(p = 0.015) para o id 24, cujo resultado vinha de um teste de Mann-Whitney, e o id 28 “produzido a partir de Meta Análise”, com TE = 0,05, seTE = 0,05 e n = 9 (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 103–6). Os comentários do código identificam o id 3 como “The impact of banning mobile phones” e o id 24 como “The Effect of Cell Phones on Attention” (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 104–5), títulos que, na lista de referências do artigo, correspondem a um estudo em escolas secundárias suecas e a um estudo com estudantes de enfermagem (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 111–12).
Reanálise com os dados do Anexo J
Todos os números desta tabela são cálculo nosso, a partir de TE e seTE do Anexo J (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 106), com metafor e meta. O modelo REML + HKSJ reproduz o IC publicado; o intervalo convencional com os mesmos dados seria 0,05 a 0,38. O artigo não declara o método.
| Análise | k | g (IC 95%) | Intervalo de predição | τ² (τ) |
|---|---|---|---|---|
| REML + HKSJ (reproduz o artigo) | 8 | 0,22 (0,02 a 0,42) | −0,28 a 0,71 | 0,037 (0,19) |
| REML + HKSJ modificado | 8 | 0,22 (0,02 a 0,42) | −0,28 a 0,71 | 0,037 (0,19) |
| Efeito fixo | 8 | 0,06 (0,05 a 0,07) | n/a | n/a |
| DerSimonian-Laird + HKSJ | 8 | 0,09 (−0,04 a 0,23) | −0,11 a 0,30 | 0,004 (0,06) |
| Sem o id 28 (meta-análise) | 7 | 0,27 (0,03 a 0,50) | −0,31 a 0,84 | 0,046 (0,21) |
| Sem ids 28 e 24 (meta-análise e conversão de Mann-Whitney) | 6 | 0,24 (−0,03 a 0,52) | −0,38 a 0,87 | 0,048 (0,22) |
| Id 24 recalculado com médias e DP (g = 0,87) | 8 | 0,31 (0,04 a 0,58) | −0,43 a 1,04 | 0,083 (0,29) |
| Leave-one-out: sem o id 15 | 7 | 0,17 (−0,03 a 0,37) | −0,28 a 0,62 | 0,027 (0,16) |
Exceto na linha de efeito fixo, todos os modelos usam intervalo de Hartung-Knapp; n/a = não se aplica.
Outros resultados (cálculo nosso): o IC de τ² vai de 0,006 a 0,242; o id 1 (n = 130.482) recebe 93% do peso no modelo fixo e 20% no aleatório, e as três estimativas mais precisas somam 58% do peso aleatório; retirar qualquer um dos ids 4, 5, 15, 20 ou 24 faz o IC do modelo aleatório cruzar zero; a correlação de Spearman entre efeito e erro-padrão é 0,90, com as três estimativas mais precisas perto de zero (0,06; −0,01; 0,05) e as cinco menos precisas entre 0,39 e 0,67. Com k = 8, abaixo do mínimo de 10, esse padrão é só descritivo, sem teste de Egger.
Problemas e o que deveria ter sido feito
1. Uma meta-análise entrou como estudo primário. O id 28 é uma meta-análise (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 105; Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 104), cujos estudos podem se sobrepor aos outros sete. O que fazer: excluir da análise e usar a meta-análise na bola de neve, verificando se os estudos primários elegíveis dela já estão no corpus.
2. Educação básica e ensino superior foram misturados. O artigo atribui a diferença com Böttger e Zierer à inclusão do ensino superior (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 105), mas a lei é da educação básica (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 98), e as limitações listam quatro dimensões não harmonizadas: tipo de banimento, público, foco da intervenção e tipo de avaliação (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 109), isto é, contraste, cenário e mensuração (Slough e Tyson 2023, 21–22, 28). O que fazer: análise principal só com educação básica e provas padronizadas; ensino superior como evidência indireta no GRADE (Seção 10.1); estimativas por nível lado a lado, com teste de diferença só com pelo menos quatro estudos por nível (Fu et al. 2011).
3. A conversão do Mann-Whitney foi feita pelo p, e errada. O id 24 tinha U = 1859,5, Z = −2,151, P = ,015 e também médias e DPs, mas foi convertido com esc_t(p = 0.015), como se fosse o p bilateral de um teste t (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 105). O g usado (0,44) difere da conversão com o p bilateral correto de Z = 2,151 (0,39) e da conversão por médias e DPs (0,87) (cálculo nosso). O diagnóstico das conversões, inclusive os n divergentes dos ids 4 e 20, está na Seção 7.1. O que fazer aqui: marcar a conversão como aproximada e rodar a sensibilidade sem ela; sem os ids 28 e 24, o IC inclui zero.
4. O peso do estudo maior vem de um erro-padrão que ignora o desenho. Em esc_B, a variância de g sai só dos tamanhos dos grupos, não do erro-padrão do coeficiente relatado (inspeção do código do esc 0.5.1) (Lüdecke 2019). Com 130.482 alunos, o id 1 fica com EP de 0,005 e 93% do peso no modelo fixo. Em desenhos com clusters, variâncias assim costumam estar erradas (McKenzie e Brennan 2024, sec. 12.2.1.1), e os intervalos de estudos não randomizados muito grandes são os que menos representam a incerteza verdadeira (Reeves et al. 2024, sec. 24.6.1). O que fazer: derivar o EP de g do EP do coeficiente, registrar o nível de alocação e testar a sensibilidade a esse peso.
5. I² apareceu só no rodapé e o artigo concluiu “consistente”. O forest plot informa I² = 76,5% (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 105), mas o resumo fala em efeito “consistente em diferentes metodologias e contextos” (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 97). Não há τ², IC de τ², intervalo de predição nem declaração do estimador e do tipo de IC, que o PRISMA pede nos itens 13d e 20b (Page et al. 2021). O que fazer: relatar τ = 0,19 e PI de −0,28 a 0,71 (num contexto parecido, o efeito verdadeiro pode ir de pequeno prejuízo a ganho grande) e trocar “consistente” por “positivo em média, com heterogeneidade grande” (C69) (Deeks et al. 2024, sec. 10.10.3).
6. O efeito médio se deslocou para os estudos pequenos, e isso não foi discutido. O efeito fixo (0,06) é bem menor que o aleatório (0,22), e as estimativas mais precisas estão perto de zero. O Handbook manda avaliar se os pequenos diferem de fato ou foram divulgados seletivamente e, se os maiores forem mais rigorosos ou mais típicos da política na prática, considerar a análise restrita a eles (Page et al. 2024, sec. 13.3.4.6). Há uma explicação de heterogeneidade verdadeira plausível: ensaios pequenos e focalizados costumam dar efeitos maiores que intervenções universais (Kraft 2020, versão do autor, p. 13), e a lei brasileira é universal. O que fazer: tabela de sensibilidade pré-especificada (efeito fixo, só os estudos grandes, sem cada estudo) e conclusão proporcional a ela.
7. Os testes combinados foram mal usados e não são reprodutíveis. Com a fórmula usada no material didático, sete de oito positivos dão Zc = (7 − 4)/(√8/2) = 2,12, não 2,88. O teste de sinal exato bilateral dá p = 0,070 com 7/8 e p = 0,125 com 6/7 sem a meta-análise; a proporção de benefícios é 87,5% (IC de Clopper-Pearson de 47% a 99,7%; o de Wilson iria de 53% a 98%). O Fisher publicado (65,74) não é reprodutível sem os valores-p usados; com p bilaterais derivados de TE/seTE, o id 1 sozinho daria 145 dos 184 pontos, e no Stouffer ponderado por √n teria 93% da soma dos pesos ao quadrado (cálculos nossos). O n = 9 do id 28 não diz quantos alunos a estimativa representa, o que tira o sentido da ponderação para ele. E os testes não “reforçam” a meta-análise, porque respondem a outra pergunta (McKenzie e Brennan 2024, Tabela 12.2.a). O que fazer: com g e EP disponíveis, omitir os testes; se mantidos, Z ponderado com p unilateral para a pergunta direcional, Fisher só com p bilateral e o rótulo “não direcional”, e a ressalva obrigatória.
8. A contagem de “significativos” não bate com os dados. O texto fala em seis estudos significativos (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 104), mas pelos TE e seTE do Anexo J só os ids 1, 5, 15 e 24 têm |z| > 1,96 (cálculo nosso). O que fazer: significância, se relatada, em variável separada e calculada sobre o efeito sintetizado; nunca como critério de “funciona”.
9. O rótulo de magnitude foi escolhido depois. O artigo chama 0,22 de “fraco” com base num guia genérico (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 105); restrita a estudos causais da educação básica com provas padronizadas, a mesma estimativa seria grande pelo benchmark de Kraft (Kraft 2020, versão do autor, p. 21). O que fazer: fixar o benchmark do campo no protocolo.
Como poderia ficar o relato, com os números da reanálise só para ilustrar (a análise principal correta, restrita à educação básica, exige reclassificar os estudos pela população):
“Oito estimativas de desempenho foram combinadas num modelo de efeitos aleatórios (REML, IC de Hartung-Knapp modificado): g = 0,22 (IC 95%: 0,02 a 0,42; τ = 0,19; I² = 76,5%; intervalo de predição de 95%: −0,28 a 0,71). As três estimativas mais precisas ficaram próximas de zero (−0,01 a 0,06), e as cinco menos precisas, entre 0,39 e 0,67; o modelo de efeito fixo deu 0,06. Com menos de dez estudos, não testamos assimetria. O intervalo passou a incluir zero ao retirar qualquer um de cinco estudos pequenos, ao usar o estimador de DerSimonian-Laird e ao excluir a meta-análise incluída por engano e a conversão aproximada de um teste de Mann-Whitney (g = 0,24; IC −0,03 a 0,52; seis estudos). A evidência é compatível com efeito médio positivo, mas não sustenta efeito consistente entre contextos nem o rótulo ‘Positivo’ antes da avaliação de certeza.”
O código dos testes combinados do REFIS
O script de análise do caso REFIS aplica os quatro testes aos estudos b2, no geral e por estratégia de identificação e cluster de desfecho, para a direção “ampla” e a “restrita” (Schaefer 2026a). No codebook, a direção ampla é binária (1 = positivo, 0 = negativo, no sentido normativo) e a restrita vale 1 ou −1 só quando p < 0,05, e 0 quando p ≥ 0,05 (Schaefer 2026c, aba b2_quantitativo). Comparado às fórmulas corretas:
| Função (linhas) | O que faz | Problema | Correção |
|---|---|---|---|
teste_fisher (268-276) |
−2Σ ln p com p bilateral; descarta p = 0 | Sem o rótulo de teste não direcional; um p ≈ 0 domina; p zerado por underflow some sem aviso na soma | Manter o p bilateral com o rótulo “não direcional / pelo menos um estudo”; log de p calculado com log.p; a pergunta direcional vai para o Stouffer ponderado |
teste_stouffer (278-286) |
z = sinal × Φ⁻¹(1 − p/2); Σz/√k; p combinado bilateral | Sem pesos | Pesos √n; p combinado unilateral na direção declarada |
teste_winer (292-302) |
O mesmo z, dividido por √Σ gl/(gl − 2); peso 1 se gl ausente ou ≤ 2 | Usa z no lugar de t; só coincide com Σt porque o p foi calculado de t por aproximação normal | Receber o t do estudo e o gl; exigir gl > 2; sem gl, não calcular Winer |
teste_cooper (307-315) |
Binomial exato bilateral sobre sinais, sem os zeros | Correto como teste de sinal na direção ampla | Relatar proporção com IC de Clopper-Pearson |
| Direção restrita (855 e codebook) | Sinal 0 para todo p ≥ 0,05; p desses estudos vira NA | Na versão “restrita”, Fisher, Stouffer e Winer combinam só resultados significativos, e o Cooper conta só significativos: é contagem por significância | Eliminar a versão restrita; significância só como descrição |
p_b2 e gl_b2 (846, 851) |
p = 2Φ(−|t|); gl = n_t + n_c − controles − 2 | Aproximação normal ignora gl pequenos; gl não considera clusters | 2 * pt(-abs(t), df) com o gl do estudo |
A versão corrigida está no passo 12 da Seção 8.3. O próprio script sinaliza |t| > 20 como suspeito e avisa que p = 0 sai do Fisher e domina Stouffer e Winer (linhas 872-886) (Schaefer 2026a); na skill, esse papel cabe ao alerta de plausibilidade numérica previsto no contrato da skill (Seção D.5).
8.6 Erros comuns e como evitá-los
| Erro | Por que é problema | Como evitar |
|---|---|---|
| Contar como “funciona” só o que é significativo (taxa de sucesso, “seis em dez artigos”) | Poder da contagem tende a zero; estudos subpotentes viram evidência contrária (McKenzie e Brennan 2024, sec. 12.2.2.1); exemplo em Figueiredo Filho et al. (2014, 218) | Contagem por direção com teste de sinal, ou meta-análise |
| Tratar teste combinado como medida de “escala” do efeito (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 21) | Combinar p não informa magnitude (McKenzie e Brennan 2024, Tabela 12.2.a) | Magnitude só por g, IC e PI; testes com ressalva |
| Usar t como tamanho de efeito (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 22) | t mede a estimativa relativa ao EP e cresce com n (Gerring et al. 2022, 364) | Converter para métrica comum; distribuição de t só para viés de limiar |
| Winer com z; Stouffer com p bilateral; Fisher lido como direcional; versão “restrita” só com significativos | Mistura escalas, perde direção, seleciona pela significância (Zaykin 2011) | Fórmulas da Seção 8.2 |
| Incluir revisão ou meta-análise como estudo | Dupla contagem de estudos primários (Pollock et al. 2024, sec. V.4.4) | Excluir da síntese de primários; bola de neve; em rápida ou overview, usar só no nível de revisão, com CCA (Seção 1.1) |
| Combinar randomizados com não randomizados, ou populações fora do PICOC | Viola a separação por desenho (Reeves et al. 2024, sec. 24.6.2.1) e a harmonização (Slough e Tyson 2023, 21) | Checklist de comparabilidade antes do modelo |
| Vários efeitos do mesmo estudo como se fossem independentes | IC estreito demais; peso maior para quem publica mais modelos (Glass e Smith 1979, 8) | Um efeito por estudo, efeito sintético ou CHE + RVE |
| EP de g calculado só pelos n, num estudo com clusters | Peso inflado do estudo grande (Reeves et al. 2024, sec. 24.6.1) | EP a partir do EP do coeficiente; sensibilidade ao peso |
| Wald com DerSimonian-Laird como padrão | Erro tipo I inflado com poucos estudos (IntHout et al. 2014) | REML + HKSJ modificado |
| Ler I² como heterogeneidade absoluta ou omitir τ e PI | I² depende da precisão e da fórmula (Harrer et al. 2021, sec. 5.2; Schwarzer 2026) | Relatar τ², τ, PI e interpretar na escala do efeito |
| Chamar de “consistente” um resultado com I² alto e PI que cruza zero | Contraria C69 (Deeks et al. 2024, sec. 10.10.3) | Linguagem guiada pelo PI e pela sensibilidade |
| Comparar subgrupos pela significância de cada um; meta-regressão com poucos estudos | Diferença de poder lida como diferença de efeito (Deeks et al. 2024, sec. 10.11.3.1, 10.11.5) | Teste formal; ≥ 4 por nível; ~10 por característica pré-especificada |
| Egger original com SMD, funil com k < 10 ou estimativa “corrigida” como principal | Erro tipo I inflado, pouco poder, pressupostos não verificáveis (Pustejovsky e Rodgers 2019; Page et al. 2024, sec. 13.3.4.4, 13.3.4.6) | EP modificado; k ≥ 10; correções só como sensibilidade e no GRADE |
| Escolher benchmark de magnitude depois de ver o resultado | Rótulo arbitrário (Brydges 2019, 1; Kraft 2020) | Benchmark do campo no protocolo |
| Escrever “síntese narrativa” sem método | Irreprodutível (McKenzie e Brennan 2024, sec. 12.2) | Nomear o método e seguir o SWiM |
8.7 Na skill revisao-sistematica
O contrato abaixo segue a especificação desta base (Apêndice D). A skill está em construção.
- Onde fica: etapa 10 (síntese, certeza e caixa de ferramentas), fechada pelo portão G8; os insumos vêm da etapa 9, cujo portão G7 exige efeitos numéricos 100% verificados com âncora de página ou dupla extração com arbitragem. Saídas em
06-analise/, com o eventoanalise_executadaemrs_log.jsonl. - Arquivos:
references/07a-sintese-quantitativa.md(destilado deste capítulo),assets/checklists/swim,assets/mapas/conversoes_efeito.csv. - Comandos e scripts:
rs.py analise preparar-efeitosgera a tabela de efeitos a partir do master ou de um CSV com (m, sd, n), (t, df) ou (coef, se);R/efeitos.Raplica as conversões comformula_id, avisos e rejeição de meta-análise como estudo;R/meta.Rroda REML + HKSJ modificado, τ², I², PI, forest plot, funil, Egger e PET-PEESE só com k ≥ 10 (com o EP modificado quando todos os estudos têm \(n_1\) e \(n_2\); senão com o EP de g, informado no JSON; na variante de mínimos quadrados ponderados com erro multiplicativo, como no passo 9, que é a implementação de Harrer et al. (2021, sec. 9.2.1.5) e fica registrada no JSON com os graus de liberdade e o t do intercepto; PEESE só quando o intercepto do PET é positivo com p unilateral < 0,05), 3PSM como sensibilidade, leave-one-out erma.mv+ CR2, e exigemetafor;R/swim.Rfaz teste de sinal com IC de Clopper-Pearson, effect direction plot e albatross plot; a exclusão de resultados de risco crítico da análise principal, quando prevista no protocolo, vale emmeta.R,swim.Retestes_combinados.R, sempre depois de escolhido o efeito, a direção ou o p de cada estudo, com a análise completa em sensibilidade;R/testes_combinados.Rimplementa, em R base, Stouffer ponderado com p unilateral, Winer com t, Cooper como teste de sinal e Fisher “não direcional” com p bilateral. Os scripts compartilham a interface deR/_cli.R. - Pedido parcial “só a meta-análise”: master ou CSV com as colunas acima; caminho
analise preparar-efeitos→efeitos.R→meta.R(Seção D.5). - Armadilhas com checagem: contagem por significância; efeitos dependentes e dupla contagem; conversões ou sinais errados (
formula_id+direcao_desejada, alerta para |g| > 2); agregação de evidência não comparável. - Caixa de ferramentas:
rs.py caixasó monta a tabela rastreável; testes combinados nunca definem rótulo. As regras (Positivo, Negativo, Nulo, Inconclusivo, Misto) usam IC, PI, δ e certeza; sem meta-análise, “Positivo” exige teste de sinal com p < 0,05, pelo menos cinco estudos, pelo menos 70% benéficos e não apenas estudos de risco alto (Seção D.4; Seção 9.1). - Agentes:
extrator-efeitos(um PDF → CSV com trecho e página, várias estimativas por estudo) antes de G7;revisor-metodologicoem G8. - Modos: em checkpoints, G8 para e pede aprovação humana; no autopiloto, G8 vira pendência e o relatório sai como “RASCUNHO NÃO VALIDADO”.
- Degradação: sem
metafor, não há meta-análise (SWiM e testes combinados seguem); sem R, não há síntese quantitativa (síntese qualitativa, caixa e PRISMA seguem). - Testes previstos: g a partir de médias e DP e de t contra valores de referência; testes combinados num vetor fixo;
meta.Rcom conjunto de dados conhecido.
8.8 Como relatar
Métodos (mínimo): (i) critérios para agrupar estudos em cada síntese e resultado do checklist de comparabilidade (PRISMA 13a; SWiM 1); (ii) métrica, direção desejada e conversões, com marcação das aproximadas (PRISMA 12, 13b; SWiM 2); (iii) regra de um efeito por estudo ou modelo de dependência com ρ e correção (PRISMA 13d); (iv) modelo, estimador de τ², método do IC, medidas de heterogeneidade, intervalo de predição e software com versão (PRISMA 13d); (v) moderadores pré-especificados e teste usado (PRISMA 13e); (vi) análises de sensibilidade (PRISMA 13f); (vii) métodos para viés por resultados faltantes e limiar de k (PRISMA 14); (viii) se houve síntese sem meta-análise, método, pergunta respondida e gráficos (SWiM 3, 7); (ix) benchmark de magnitude e δ fixados no protocolo.
Resultados (mínimo): por célula, k, número de participantes, estimativa com IC, τ² com IC, τ, I², intervalo de predição, estudos que contribuem e seu risco de viés (PRISMA 20a-20b); resultados de moderadores (20c); tabela de sensibilidade (20d); julgamento ROB-ME, com funil e testes quando k ≥ 10 ou a frase “com menos de dez estudos, não testamos assimetria” (21); ressalva obrigatória para qualquer teste combinado; dados e código disponíveis (27).
Exemplo de redação (métodos):
“Só combinamos estudos da mesma família de intervenção e construto de desfecho, com comparador, janela, população e estimando equivalentes; randomizados e não randomizados foram analisados em separado. Cada estudo contribuiu com o efeito do modelo principal definido no protocolo, expresso como g de Hedges (positivo = melhora). Usamos efeitos aleatórios com τ² por REML e intervalo de Hartung-Knapp-Sidik-Jonkman modificado (metafor 5.0.1, R 4.5), com IC Q-profile para τ², I² e intervalo de predição de 95% quando k ≥ 5. Nível de ensino foi o único moderador pré-especificado (meta-regressão com teste de permutação, ao menos quatro estudos por nível). Na sensibilidade, excluímos cada estudo, os de risco alto e os efeitos de conversão aproximada, trocamos o estimador por Paule-Mandel e DerSimonian-Laird e comparamos com o intervalo convencional. O risco de viés por resultados faltantes foi julgado com o ROB-ME; funil com contornos, Egger com erro-padrão modificado, PET-PEESE e modelo de seleção de três parâmetros seriam usados com dez ou mais estudos. Sem meta-análise, usamos contagem pela direção da estimativa pontual com teste de sinal exato bilateral, proporção com IC de Clopper-Pearson e effect direction plot, seguindo o SWiM.”
8.9 Leituras
Normas e guias
- Deeks et al. (2024): Cochrane, cap. 10; modelos, heterogeneidade, HKSJ, predição, subgrupos.
- McKenzie e Brennan (2024): Cochrane, cap. 12; síntese sem meta-análise e gráficos.
- Page et al. (2024): Cochrane, cap. 13; ROB-ME e funil.
- Reeves et al. (2024): Cochrane, cap. 24; não randomizados na síntese.
- Page et al. (2021) e Campbell et al. (2020): PRISMA 2020 e SWiM.
- Fu et al. (2011): AHRQ; mínimos para subgrupos e meta-regressão.
Métodos específicos
- Harrer et al. (2021): tutorial em R de meta-análise.
- IntHout et al. (2014), Röver et al. (2015) e Jackson et al. (2017): HKSJ e sua modificação.
- Pustejovsky e Tipton (2022) e Pustejovsky e Tipton (2018): CHE, CR2 e gl de Satterthwaite.
- Pustejovsky e Rodgers (2019) e Stanley e Doucouliagos (2014): Egger para SMD e PET-PEESE.
- Boon e Thomson (2021), Harrison et al. (2017), Ogilvie et al. (2008) e Nikolakopoulos (2020): gráficos e limites do teste de sinal.
- Whitlock (2005) e Zaykin (2011): Z ponderado.
- Viechtbauer (2010), Schwarzer (2026) e Lüdecke (2019): pacotes
metafor,metaeesc. - Kraft (2020) e Brydges (2019): benchmarks por campo.
Leituras de apoio
- Figueiredo Filho et al. (2014): fórmulas dos testes combinados.
- Glass e Smith (1979): dependência e crítica à significância.
- Vaessen et al. (2014): separação por desenho, efeito sintético, funil com contornos.
- García e Saavedra (2017): melhor estimativa, RVE e meta-regressão guiada por teoria.
- Slough e Tyson (2023): harmonização e validade externa.
- Cancela e Geys (2016) e Gerring et al. (2022): taxa de sucesso e distribuição de t.
- Schaefer, Borges, e Gomes Filho (2025) e Schaefer, Borges, e De Freitas (2025): caso dos celulares.
- Schaefer (2026b), Schaefer (2026a) e Schaefer (2026c): slides, script do REFIS e codebook.