4 Busca da literatura
A busca é a etapa que define o universo de onde a revisão vai tirar suas conclusões. Tudo o que vem depois (triagem, extração, síntese, certeza) opera sobre o conjunto de registros que a busca trouxe; um estudo que não foi encontrado não pode ser incluído, e a ausência não aparece em nenhum diagrama de fluxo. Por isso as normas tratam a busca como parte do controle de viés, e não como tarefa administrativa: uma revisão sistemática exige busca completa, objetiva e reprodutível em várias fontes, e depender de uma base só produz um conjunto de estudos que pode não representar a evidência disponível (Lefebvre et al. 2025, sec. 4.2.2; MacDonald et al. 2024, sec. 3.2.1). Nas ciências sociais o problema se agrava, porque resumos estruturados são raros, a terminologia é pouco padronizada e muitos trabalhos sobre políticas públicas saem como notas técnicas, preprints ou relatórios (MacDonald et al. 2024, sec. 3.2; Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 27).
Esta etapa exige decisões que precisam estar no protocolo (Seção 3.1) e ser registradas à medida que são tomadas: quais conceitos da pergunta entram na estratégia e quais ficam de fora; em que idiomas buscar; quais bases, repositórios e sites consultar; como traduzir a mesma lógica para a sintaxe de cada base; como saber se a estratégia está recuperando o que deveria (revisão por pares e estudos-âncora); quando parar; como documentar cada execução de modo que outra pessoa consiga repeti-la; e quando atualizar. O capítulo cobre ainda a busca por citações (bola de neve), a literatura cinzenta brasileira e internacional, o uso de IA para sugerir termos e o papel apenas exploratório da bibliometria. A deduplicação, o funil e a triagem dos registros encontrados ficam na Seção 5.1; a validação de ferramentas de IA, na Seção 12.1.
4.1 Decisões e regras
As tabelas desta seção resumem as regras padrão. Cada regra tem uma exceção possível, mas a exceção precisa ser justificada no protocolo ou numa emenda e testada contra os estudos-âncora (ver a seção de validação adiante).
Estrutura da estratégia
A lógica é a mesma em todas as normas: identificar os conceitos principais da pergunta, juntar sinônimos e variantes de cada conceito com OR e combinar os conceitos com AND (Lefebvre et al. 2025, sec. 4.4.2; MacDonald et al. 2024, sec. 6.5.1). O material didático sobre busca apresenta a mesma estrutura em blocos P, I, (M), O e C, com truncamento e termos em português, inglês e espanhol (Schaefer 2026a, 19). A diferença está em quantos blocos usar: cada bloco a mais exige que o registro contenha pelo menos um termo daquele bloco, e qualquer estudo que não descreva o conceito no título ou no resumo some da busca (MacDonald et al. 2024, sec. 6.5.1).
| Decisão | Regra padrão | Quando mudar | Fonte |
|---|---|---|---|
| Conceitos na string | População ou contexto AND intervenção. Comparador quase nunca entra | Incluir o desfecho (O) quando ele define a pergunta e aparece de forma consistente em títulos e resumos, e o teste com âncoras mostra que o bloco não derruba estudos elegíveis | Lefebvre et al. (2025, sec. 4.4.2); MacDonald et al. (2024, sec. 6.3, 6.10) |
| Pergunta mista (efeito e mecanismo, percepção, implementação) | Estratégia em mais de um fio, unidos por OR: P AND I AND O para efeito; P AND I AND termos de percepção, implementação ou mecanismo; ou simplesmente P AND I, sem bloco de desfecho | Pergunta só de efeito | Lefebvre et al. (2025, sec. 4.4.2) |
| Termos dentro do bloco | Sinônimos, variantes de grafia, siglas, nomes de programas e leis, em PT, EN e ES, unidos por OR | Não há; a lista cresce por iteração documentada | Lefebvre et al. (2025, MECIR C33); Schaefer (2026a, 19) |
| Operador NOT | Não usar | Só com teste registrado mostrando que nenhuma âncora é removida | Lefebvre et al. (2025, MECIR C32); MacDonald et al. (2024, sec. 6.5.1) |
| Frases e proximidade | Aspas para expressões fixas; proximidade (NEAR/x, W/n, ~N) quando as palavras variam de ordem ou têm termos no meio | Base sem proximidade: usar frase ou AND e aceitar mais ruído | MacDonald et al. (2024, sec. 6.5.2) |
| Truncamento | Radical longo o bastante para não capturar palavras de outro campo, testado nos resultados | Google Scholar não tem truncamento; escrever as variantes | Whitehead e Maude (2016, 60); Boeker et al. (2013) |
| Siglas ambíguas | Incluir a sigla só quando ela for exclusiva do tema, ou amarrada a um termo do tema por proximidade ou AND | Sigla sem outro significado relevante | Regra operacional desta base; siglas fazem parte dos termos livres (Lefebvre et al. 2025, MECIR C33) e o custo é precisão (Lefebvre et al. 2025, sec. 4.4.3) |
| Campos | Título, resumo e palavras-chave | Texto completo só com justificativa e teste de precisão | MacDonald et al. (2024, sec. 6.5.4); OpenAlex (2026) |
| Idioma | Termos em PT, EN e ES; nenhum limite de idioma na base | Se o idioma for critério de elegibilidade, aplicá-lo na triagem, não na busca | Lefebvre et al. (2025, sec. 4.4.5); Schaefer (2026a, 19) |
| Datas | Sem limite; se o critério de elegibilidade tiver marco (lei, criação do programa), buscar a partir de uma data anterior ao marco | Atualização de revisão: começar antes do fim da busca anterior, com sobreposição | Lefebvre et al. (2025, MECIR C35, sec. 4.4.5); Petticrew e Roberts (2006, pp. 102-103) |
| Tipo de documento e área temática da base | Sem limites | Justificar e testar com âncoras; registrar no log | Lefebvre et al. (2025, sec. 4.4.5); MacDonald et al. (2024, sec. 6.5.6); Rethlefsen et al. (2021, item 9) |
Tirar o filtro de idioma de uma base anglófona não equivale a buscar em periódicos e bases de outros idiomas (Lefebvre et al. 2025, MECIR C19). Uma revisão sobre política brasileira que só busca na Web of Science e na Scopus, mesmo com termos em português, pode continuar cega para boa parte da produção nacional: na área de Comunicação e Informação, pouco mais de 20% da produção dos programas de pós-graduação está indexada na WoS (Lycarião et al. 2025, 3).
Fontes
| Componente | Regra | Fonte |
|---|---|---|
| Bases bibliográficas | Pelo menos duas bases, escolhidas pelo tema; uma base só não é adequada | Lefebvre et al. (2025, sec. 4.3.1.1); MacDonald et al. (2024, sec. 3.2.1) |
| Bases temáticas e regionais | Incluir a base da disciplina (EconLit, ERIC, PubMed etc.) e a base regional pertinente (SciELO, LILACS) | Lefebvre et al. (2025, MECIR C25) |
| Teses e dissertações | Catálogo de Teses da CAPES ou BDTD em perguntas sobre o Brasil | Lefebvre et al. (2025, MECIR C28); Schaefer (2026a, 21) |
| Literatura cinzenta | Sites e repositórios de órgãos de governo, institutos e organismos internacionais pertinentes, escolhidos e justificados no protocolo | Lefebvre et al. (2025, MECIR C28); MacDonald et al. (2024, sec. 4.3.1); Schaefer (2026a, 22) |
| Revisões anteriores | Buscar revisões sobre o mesmo tema antes de montar a string e examinar seus estudos e estratégias | Lefebvre et al. (2025, MECIR C29); Whitehead e Maude (2016, 60) |
| Listas de referências | Conferir as referências de todos os estudos incluídos e das revisões relevantes (obrigatório) | Lefebvre et al. (2025, MECIR C30) |
| Busca para frente (quem cita) | Considerar seriamente em temas difíceis de buscar, partindo de todos os incluídos | Hirt et al. (2024, rec. 2 e 4) |
| Google Scholar | Nunca fonte principal; se usado, via Publish or Perish, com número de resultados triados definido e relatado | Gusenbauer e Haddaway (2020); Haddaway et al. (2015); Lefebvre et al. (2025, sec. 4.5) |
| Contato com autores e especialistas | Registrar se foi feito, com quem e o que rendeu | Rethlefsen et al. (2021, item 6); Petticrew e Roberts (2006, pp. 104-105) |
Validação, parada e atualização
| Controle | Regra ou limiar | O que fazer se falhar | Fonte |
|---|---|---|---|
| Revisão por pares da estratégia | Aplicar PRESS 2015 depois de pronta a estratégia da base principal e antes de traduzi-la para as demais | Revisar e registrar a versão nova | McGowan et al. (2016); Lefebvre et al. (2025, sec. 4.4.8) |
| Estudos-âncora de validação | Conjunto definido antes da string; meta: recuperar todas as âncoras indexadas nas bases buscadas; manter as âncoras de validação fora da escolha de termos (regra operacional desta base) | Diagnosticar cada âncora perdida (não indexada ou indexada e não recuperada) e revisar a string no segundo caso | MacDonald et al. (2024, sec. 5.2); Lefebvre et al. (2025, sec. 4.4.11) |
| Recall relativo por base | Calcular e relatar; base com recall baixo indica tradução ruim | Revisar a tradução daquela base | Lefebvre et al. (2025, sec. 4.4.11) |
| Incluídos vindos de outros métodos | Alerta quando mais de 25% a 30% dos estudos incluídos vierem só de citações, sites ou contatos | Verificar se esses estudos estão indexados nas bases e por que a string não os trouxe; emendar e rodar de novo | Especificação desta base (Seção D.1, item 9); Lefebvre et al. (2025, sec. 4.4.11) |
| Parada na construção da string | Parar quando novos termos não trazem registros relevantes novos e quando retirar termos passa a perder relevantes | Continuar iterando | Lefebvre et al. (2025, sec. 4.4.11); MacDonald et al. (2024, sec. 6.9) |
| Iterações da bola de neve | Nova rodada enquanto a anterior render estudos elegíveis | Encerrar e registrar o número de rodadas | Hirt et al. (2024, rec. 8) |
| Atualização | Se a busca tiver mais de 12 meses (de preferência seis) na data prevista de publicação, rodar de novo todas as fontes e triar | Relatar estudos novos como aguardando classificação, se não der para incorporar | Lefebvre et al. (2025, MECIR C37, C38) |
| Buscadores web e Google Scholar | Definir antes o número de resultados triados por consulta e relatar esse número, não o total exibido | Estender o corte se ainda aparecerem relevantes perto do limite | Lefebvre et al. (2025, sec. 4.5); Lefebvre et al. (2024, 35) |
O limiar de 25% a 30% não é uma norma internacional: é uma regra operacional adotada nesta base para disparar diagnóstico. Proporções altas são comuns em ciências sociais (numa revisão sobre habitação, só cerca de um terço dos estudos veio das bases) (Petticrew e Roberts 2006, 80), ao passo que, em buscas biomédicas conduzidas por um especialista em informação, 84 de 1.830 referências incluídas (4,6%) vieram de outros métodos (Bramer et al. 2017). O alerta não significa que a revisão falhou; significa que é preciso verificar se as bases não tinham esses estudos (problema de fonte) ou se tinham e a string não os pegou (problema de estratégia). A Cochrane faz a mesma leitura: muitos estudos novos vindos da busca por citação sugerem que a busca original não foi ótima (Lefebvre et al. 2025, sec. 4.4.11).
4.2 Sensibilidade, precisão e estudos-âncora
Sensibilidade (ou recall) é a fração dos relatos relevantes existentes que a busca recuperou; precisão é a fração dos relatos recuperados que são relevantes (Lefebvre et al. 2025, sec. 4.4.3):
\[\text{sensibilidade} = \frac{a}{a+b} \qquad \text{precisão} = \frac{a}{a+c}\]
em que \(a\) são relevantes recuperados, \(b\) relevantes não recuperados e \(c\) irrelevantes recuperados. Aumentar a sensibilidade reduz a precisão, e revisões sistemáticas devem maximizar a primeira aceitando precisão baixa, porque triar resumos é relativamente rápido: 60 a 120 por hora, ou 500 a 1.000 num dia de oito horas (Lefebvre et al. 2025, sec. 4.4.3). Em temas sociais a precisão costuma ser muito baixa: uma revisão sobre efeitos de novas estradas triou mais de 23.000 títulos e resumos para chegar a 32 estudos (Petticrew e Roberts 2006, 84).
Petticrew e Roberts chamam de specificity o que a Cochrane chama de precisão (proporção de recuperados que são relevantes) (Petticrew e Roberts 2006, 83). Em estatística de testes diagnósticos, especificidade é outra coisa. Neste livro, use sempre “precisão” para a busca e reserve “especificidade” para a validação da triagem (Seção 5.1 e Seção 12.1).
Como \(b\) nunca é conhecido, a sensibilidade real não pode ser calculada. O que se calcula é o recall relativo contra um conjunto de estudos sabidamente elegíveis. A técnica de recall relativo mede, para cada base, quantos dos estudos elegíveis que estão indexados naquela base a estratégia daquela base recuperou (Lefebvre et al. 2025, sec. 4.4.11). O guia Campbell chama esses estudos de artigos-semente ou benchmark: devem ser reunidos antes da construção da estratégia, representar a diversidade de evidência esperada (disciplina, região, período, desenhos, variáveis) e, idealmente, ser recuperados em sua totalidade pela busca combinada; o guia admite usar o mesmo conjunto para colher termos e para testar a estratégia (MacDonald et al. 2024, sec. 5.2).
Esse uso duplo tem um risco de circularidade que o material didático também não trata. Se os termos da string forem escolhidos olhando os títulos e resumos das âncoras, a string vai encontrar as âncoras por construção, e o teste deixa de dizer algo sobre os estudos desconhecidos. A Cochrane adverte que achar só os estudos-chave pode indicar uma estratégia enviesada para o que já se conhecia (Lefebvre et al. 2025, sec. 4.4.11). A regra operacional desta base resolve isso dividindo as âncoras em dois grupos:
| Grupo | Origem | Uso permitido |
|---|---|---|
| Âncoras de desenvolvimento | Estudos que a equipe já conhecia, resultados da busca exploratória | Colher termos, testar versões intermediárias da string |
| Âncoras de validação | Estudos incluídos em revisões anteriores, indicados por especialistas ou achados por busca por citação independente, conferidos contra os critérios de elegibilidade | Só o teste final; ninguém que escolhe termos lê seus títulos e resumos antes do teste |
As métricas a registrar são:
\[R_{\text{comb}} = \frac{|A_v \cap R|}{|A_v^{\text{idx}}|} \qquad R_b = \frac{|A_v^{\text{idx},b} \cap R_b|}{|A_v^{\text{idx},b}|} \qquad p_{\text{om}} = \frac{n^{\text{só outros métodos}}_{\text{incl}}}{n_{\text{incl}}}\]
em que \(A_v\) é o conjunto de âncoras de validação, \(R\) a união dos registros recuperados por todas as estratégias em bases, \(A_v^{\text{idx}}\) as âncoras indexadas em pelo menos uma base buscada, \(R_b\) os registros da base \(b\) e \(A_v^{\text{idx},b}\) as âncoras indexadas nessa base. Para saber se uma âncora está indexada, busque-a pelo título ou DOI na própria base. Em \(p_{\text{om}}\), um estudo achado pela bola de neve que também estava nos resultados de alguma base conta como identificado pelas bases.
Como referência de ordem de grandeza, e não como limiar normativo, Bramer e colegas usaram 95% de recall como parâmetro e estimaram que 60% das revisões publicadas não o alcançam por não buscarem bases suficientes (Bramer et al. 2017).
4.3 Sintaxe por base e formatos de exportação
Cada base interpreta aspas, curingas, proximidade e precedência de operadores de um jeito, e a mesma string colada em duas interfaces pode produzir buscas diferentes. A estratégia deve ser substantivamente a mesma em todas as bases e adaptada à sintaxe e ao vocabulário de cada uma (MacDonald et al. 2024, sec. 6.10). As regras abaixo foram conferidas na documentação disponível em setembro de 2026; interfaces mudam, e a data da documentação consultada deve ir para o log.
| Fonte | Campo recomendado | Frase e proximidade | Truncamento e curingas | Pontos de atenção | Exportação (nos exemplos) |
|---|---|---|---|---|---|
| Web of Science Core Collection (Clarivate) | TS= (título, resumo, palavras-chave do autor e Keywords Plus) |
Aspas; NEAR/x, com distância padrão de 15 palavras |
* à direita exige pelo menos três caracteres antes |
Precedência NEAR/x, SAME, NOT, AND, OR: use parênteses | BibTeX, texto (savedrecs.txt), planilha (Schaefer 2026c; Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 28) |
| SciELO Citation Index na plataforma WoS | TS= |
Sintaxe da plataforma WoS | Sintaxe da plataforma WoS | Relatar “SciELO Citation Index, plataforma Web of Science”, não só “SciELO” | TSV (wos_scielo.txt) (Schaefer 2026c) |
| SciELO (search.scielo.org) | Conferir a ajuda da interface | Conferir | Conferir | Não misturar resultados da interface própria com os da plataforma WoS sem registrar as duas buscas | CSV |
| Scopus (Elsevier) | TITLE-ABS-KEY() |
Aspas retas = frase aproximada; chaves {} = frase exata; W/n sem ordem, PRE/n com ordem |
Curingas funcionam dentro de aspas e viram caracteres literais dentro de chaves | Precedência OR, depois W/n e PRE/n, depois AND, depois AND NOT; aspas curvas podem gerar erro de análise | CSV (scopus.csv) (Schaefer 2026c) |
| OpenAlex API | filter=title_and_abstract.search: ou search= (este inclui texto completo) |
Aspas; "termo1 termo2"~N |
Curingas * e ? exigem search.exact e três caracteres antes; a busca padrão aplica stemming |
AND, OR e NOT em maiúsculas; URL limitada a cerca de 4 KB, então strings longas precisam ser divididas | CSV e .rds (Schaefer 2026c) |
| Google Scholar via Publish or Perish | Todo o registro (sem controle de campo) | Aspas; sem proximidade documentada | Sem truncamento | Máximo de 1.000 resultados; consultas acima de ~250 caracteres têm o excedente ignorado; ordenação não transparente; o PoP reescreve a consulta na sintaxe do Scholar | CSV com GSRank e QueryDate (Schaefer 2026c); também BibTeX, EndNote, RIS |
Catálogo de Teses CAPES (dados abertos via capesR) |
Título e resumo, filtrados localmente | Expressões regulares com fronteira de palavra | Definido na expressão regular | Cobertura documentada do pacote: 1987 a 2022 (versão 0.1.0) | Planilha gerada no R (Schaefer 2026c) |
| BDTD (IBICT) | Busca avançada | Conferir a ajuda | Conferir | Cerca de 900 mil teses e dissertações | Ferramenta de exportação lançada em 2024 |
| Portal de Periódicos CAPES | Não é base: é o acesso institucional a WoS, Scopus e outras (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, pp. 27-28) | Sintaxe da base acessada | Idem | Relatar a base e a plataforma de fato usadas | Da base acessada |
| PubMed e LILACS | Palavras do texto combinadas com vocabulário controlado (MeSH, com explosão) | Conforme a ajuda | Conforme a ajuda | Temas de saúde; LILACS é a base regional latino-americana | Conforme a interface |
| EconLit, SSRN, RePEc | Conforme a ajuda | Conforme a ajuda | Conforme a ajuda | Economia; SSRN e RePEc concentram working papers | Conforme a interface |
Fontes da tabela: WoS (Clarivate 2026); Scopus (Elsevier 2026); OpenAlex (OpenAlex 2026); Publish or Perish e Google Scholar (Harzing 2007; Boeker et al. 2013; Lefebvre et al. 2024, 10); capesR (Medeiros et al. 2024); BDTD (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia 2024); PubMed e vocabulário controlado (Whitehead e Maude 2016, 60; Lefebvre et al. 2025, MECIR C33); LILACS (Lefebvre et al. 2025, MECIR C25); EconLit, SSRN e RePEc (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, pp. 53-54; Petticrew e Roberts 2006, pp. 112-113). Pelo Publish or Perish, os limites também valem para outras fontes: 200 resultados para Scopus e para Web of Science, 1.000 para OpenAlex e Crossref (Harzing 2007).
O Google Scholar mostra no máximo 1.000 resultados e não informa como os escolhe, o que compromete transparência e reprodutibilidade (Lefebvre et al. 2024, 10). Numa comparação de 28 sistemas, foi considerado inadequado como sistema principal (Gusenbauer e Haddaway 2020). Com strings semelhantes, a sobreposição com a WoS variou de 10% a 67%, e ele deixou de achar literatura importante em cinco de seis estudos de caso; para literatura cinzenta, os autores sugerem concentrar a triagem nos primeiros 200 a 300 resultados (Haddaway et al. 2015). Use-o como fonte complementar, com o número triado registrado.
OpenAlex na prática
O OpenAlex é aberto, tem cerca de 250 milhões de trabalhos (junho de 2024) e permite busca para frente e para trás (Lefebvre et al. 2024, 11). Três cuidados. Primeiro, o parâmetro search cobre título, resumo e texto completo, o que tende a trazer registros que só mencionam os termos de passagem; para reproduzir a lógica de “título, resumo e palavras-chave” das bases comerciais, use o filtro por campo (OpenAlex 2026). Segundo, a busca padrão aplica stemming e remove palavras vazias; curingas só funcionam com search.exact (OpenAlex 2026), de modo que uma string escrita para a Scopus com "tax amnest*" não significa a mesma coisa no OpenAlex. Terceiro, conte antes de baixar: o script de exemplo do REFIS chama oa_fetch(..., count_only = TRUE) antes da coleta e guarda o objeto completo em .rds (Schaefer 2026c). Anote a contagem no log.
# Ilustrativo (não executar sem adaptar): contar, depois coletar
library(openalexR)
q <- '("tax amnesty" OR "tax debt relief" OR "parcelamento tributário") AND (revenue OR arrecadação)'
# chamada no estilo do script de exemplo do REFIS: `search` inclui texto completo
n <- oa_fetch(entity = "works", search = q, count_only = TRUE)
# alternativa restrita a título e resumo, pelo filtro por campo da API:
# https://api.openalex.org/works?filter=title_and_abstract.search:<string codificada>
# registrar n, a data, o parâmetro usado e a versão da string antes da coletaPara citações, cada trabalho traz referenced_works (o que ele cita), o filtro cites:W... devolve quem cita um trabalho e cited_by:W... devolve os trabalhos citados por ele. A lista referenced_works pode ser mais curta que a bibliografia impressa, porque só entram referências que casam com registros do OpenAlex (OpenAlex 2026).
4.4 Bases por área, fontes lusófonas e literatura cinzenta
Por que bases lusófonas não são opcionais
Lycarião e colegas buscaram revisões sistemáticas lusófonas de Comunicação e Informação publicadas entre 2010 e 2021. A busca por “revisão sistemática” retornou 0 registros na WoS, 18 na SciELO, 37 na Scopus e 69 no DOAJ (Lycarião et al. 2025, 4); das 49 revisões selecionadas, 32 vieram do DOAJ, 9 da Scopus, 8 da SciELO e nenhuma da WoS (Lycarião et al. 2025, 5). Ao mesmo tempo, a WoS era o sistema mais usado por essas mesmas revisões (24 menções) (Lycarião et al. 2025, 6). Os autores chamam isso de invisibilidade autoproduzida e lembram que pouco mais de 20% da produção dos programas de pós-graduação da área está indexada na WoS (Lycarião et al. 2025, 3). O trade-off é real: DOAJ não permite buscas booleanas precisas e replicáveis, enquanto SciELO e Scopus se saem melhor nesse quesito (Lycarião et al. 2025, 7). A regra que decorre é combinar bases com boa sintaxe e bases com boa cobertura da comunidade em questão, registrando as limitações de cada uma. Os autores listam ainda Redalyc, Dialnet, Redib e Sumários.org entre as fontes que dão visibilidade à produção lusófona em humanidades (Lycarião et al. 2025, 8).
O mesmo vale para teses e repositórios. Repositórios institucionais são úteis para achar evidência produzida no Sul Global (MacDonald et al. 2024, sec. 4.3.6). No caso REFIS, 158 dos 190 registros identificados vieram do catálogo de teses e dissertações (Schaefer 2026b, 39).
Bases por área
| Área | Bases indicadas no material didático | Complementos com base nas normas |
|---|---|---|
| Políticas sociais e educação | Web of Science, Scopus/EBSCO, PsycINFO/ERIC, Portal CAPES (Schaefer 2026a, 21) | SciELO; Catálogo CAPES ou BDTD; revisões Campbell (MacDonald et al. 2024, sec. 4.3.2) |
| Saúde pública | PubMed/MEDLINE, Cochrane Library, LILACS, SciELO (Schaefer 2026a, 21) | Epistemonikos para revisões sistemáticas em saúde (Rada et al. 2020) |
| Meio ambiente e recursos naturais | WoS, Scopus/GreenFILE, Environmental Science DB, OpenAlex (Schaefer 2026a, 21) | SciELO e teses quando o contexto é brasileiro (Lefebvre et al. 2025, MECIR C25, C28) |
| Economia e políticas públicas | EconLit/SSRN, 3ie/Campbell, IPEA/Banco Mundial, CAPES teses (Schaefer 2026a, 21) | RePEc (Petticrew e Roberts 2006, 113); Overton para documentos de política (Szomszor e Adie 2022) |
| Ciências sociais em geral (lista da proposta OQF, sem divisão por área) | Google Scholar, WoS (SSCI), Scopus, Catálogo CAPES, JSTOR, SSRN, PAIS, Worldwide Political Science Abstracts, EconLit, HeinOnline, OECD iLibrary, SciELO, Redalyc, ProQuest Dissertations & Theses (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, pp. 53-54) | Repositórios institucionais, inclusive de escolas de governo (MacDonald et al. 2024, sec. 4.3.6) |
O Anexo D da proposta OQF foi montado a partir de um verbete da Wikipedia (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 54); trate-o como lista de partida, não como avaliação de cobertura.
Literatura cinzenta
Literatura cinzenta é o que circula fora dos canais comerciais de publicação: relatórios de órgãos de governo, ONGs, instituições acadêmicas, anais, teses, white papers (MacDonald et al. 2024, sec. 4.3.1). Nas ciências sociais, parte da pesquisa mais importante nunca sai em periódico (Petticrew e Roberts 2006, pp. 99-100), e em avaliação de políticas muitos trabalhos saem como notas técnicas, preprints ou relatórios (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 27). Não há regra sobre quanto buscar; a equipe deve decidir onde e como, considerando tempo e capacidade, e justificar as fontes (MacDonald et al. 2024, sec. 4.3.1).
| Fonte | Tipo | Como registrar |
|---|---|---|
| Repositório do IPEA (repositorio.ipea.gov.br) | Instituto de pesquisa federal | Termos usados, coleções percorridas, data, número triado |
| TCU e CGU (Base de Conhecimento da CGU, repositorio.cgu.gov.br) | Documentos de governo e relatórios de avaliação e auditoria (Schaefer 2026a, 22) | Idem, com o tipo de documento pesquisado |
| Ministérios e institutos estaduais | Documentos de governo e relatórios de avaliação (Schaefer 2026a, 22) | URL da seção percorrida; salvar cópia local dos documentos |
| Repositórios institucionais (universidades, Enap e outras escolas de governo) | Teses, relatórios e artigos, publicados ou não (MacDonald et al. 2024, sec. 4.3.6) | Idem |
| FGV e outros institutos brasileiros | Think tanks (Schaefer 2026a, 22) | Idem |
| Banco Mundial (Open Knowledge Repository), BID, OCDE, ONU, FAO | Organismos internacionais (Schaefer 2026a, 22; Petticrew e Roberts 2006, 113) | Idem |
| 3ie Development Evidence Portal | Avaliações de impacto e revisões em desenvolvimento (Schaefer 2026a, 21) | String e filtros da interface |
| Overton | Documentos de política que citam pesquisa acadêmica (Szomszor e Adie 2022) | String, filtros, data |
| OSF | Estudos não publicados e em andamento, inclusive fora da saúde (MacDonald et al. 2024, sec. 4.3.4, 4.3.5) | Termos e data |
Petticrew e Roberts citam o GAO, braço de auditoria e avaliação do Congresso dos EUA, como fonte relevante de avaliações de programas (Petticrew e Roberts 2006, 96); o material didático aponta TCU e CGU como referências para o caso brasileiro (Schaefer 2026a, 22).
Para cada site, registre nome, URL, data, estratégia (termos e limites), caminho percorrido (navegação por menus, busca interna ou base dentro do site), filtros pré-definidos usados, observações e quem fez a busca (MacDonald et al. 2024, sec. 9.2). Salve localmente os documentos relevantes, porque páginas somem (Lefebvre et al. 2025, sec. 4.5). Buscas na web não são reprodutíveis como buscas em bases, mas precisam ser documentadas para que o leitor avalie sua confiabilidade (Lefebvre et al. 2025, sec. 4.5).
4.5 Busca por citações e outros métodos
A declaração TARCiS padronizou a terminologia: busca por citação é o termo guarda-chuva; busca para trás examina as referências citadas; busca para frente examina os trabalhos que citam; as referências de partida são as sementes (Hirt et al. 2024, rec. 1). Uma revisão de escopo com 47 estudos metodológicos encontrou valor agregado da busca por citação em quase todos que avaliaram seu benefício, mas uso raro de múltiplos índices, iterações ou software (Hirt et al. 2023).
| Recomendação | Aplicação prática |
|---|---|
| Em temas difíceis de buscar, considerar seriamente busca para trás e para frente como técnicas suplementares (Hirt et al. 2024, rec. 2) | Avaliação de políticas costuma cair aqui: terminologia pouco padronizada e resumos sem estrutura (MacDonald et al. 2024, sec. 3.2) |
| Usar como sementes todos os registros incluídos da busca primária (Hirt et al. 2024, rec. 4) | Rodar depois da elegibilidade em texto completo, não sobre uma seleção de “estudos importantes” |
| Busca para trás triando títulos e resumos das referências (Hirt et al. 2024, rec. 5) | Exportar as referências com metadados, não só ler a bibliografia em PDF |
| Considerar dois índices de citação combinados (Hirt et al. 2024, rec. 6) | Por exemplo, OpenAlex e WoS, ou OpenAlex e Google Scholar para quem cita |
| Deduplicar antes da triagem (Hirt et al. 2024, rec. 7) | Deduplicar contra todo o corpus já triado, não só dentro da rodada |
| Nova iteração se a rodada achar elegíveis (Hirt et al. 2024, rec. 8) | Novos incluídos viram sementes da rodada seguinte |
| Não usar busca por citação isolada quando se busca completude (Hirt et al. 2024, rec. 9) | Bola de neve complementa, não substitui, as bases |
Duas regras adicionais valem nesta base. Os registros da bola de neve são triados com a mesma versão dos critérios de elegibilidade usada na busca principal e entram no ramo “outros métodos” do diagrama PRISMA, que tem modelo próprio para buscas em bases, registros e outras fontes (Page et al. 2021). E revisões sistemáticas encontradas no caminho não entram como estudos primários: servem de semente e de fonte de âncoras (Seção 5.1). Ferramentas como o citationchaser automatizam a busca para trás e para frente (Haddaway et al. 2022); no OpenAlex, os filtros cites: e cited_by: fazem o mesmo, com a ressalva de cobertura já mencionada. Trabalhos muito recentes demoram a ser citados, o que limita a busca para frente (Petticrew e Roberts 2006, 98).
Contato com autores e especialistas é outro método. Deve ser feito depois das buscas iniciais, com a lista do que já foi encontrado (Petticrew e Roberts 2006, 104; MacDonald et al. 2024, sec. 4.3.4), e registrado conforme o item 6 do PRISMA-S (Rethlefsen et al. 2021).
4.6 Construção iterativa, IA e bibliometria
A escolha de termos requer conhecimento do campo, consulta a especialistas e a outras revisões, ou tentativa e erro, “(que deve ser reportada)” (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, pp. 26-27). Desenvolver uma estratégia é iterativo: os termos mudam com base no que já foi recuperado (Lefebvre et al. 2025, MECIR C33). Hawker e colegas, citados por Petticrew e Roberts, refinaram a estratégia examinando como os estudos achados nas primeiras buscas tinham sido indexados (Petticrew e Roberts 2006, 89). O material didático sobre busca pede que todas as versões testadas sejam documentadas (Schaefer 2026a, 19). Na prática, cada versão da string recebe um identificador e uma linha no registro de desenvolvimento:
| versão | base | data | mudança | motivo | n | âncoras de desenvolvimento recuperadas |
|---|---|---|---|---|---|---|
| v1 | Scopus | aaaa-mm-dd | versão inicial P AND I | protocolo | … | … de … |
| v2 | Scopus | aaaa-mm-dd | retirada a sigla X | registros de outra área na amostra examinada | … | … de … |
Esse registro alimenta a narrativa da busca que a Cochrane recomenda para explicar as decisões ao revisor por pares (Lefebvre et al. 2025, sec. 4.5).
IA para sugerir termos
A Cochrane lista chatbots como ChatGPT e Claude entre as opções para sugerir estruturas de busca a partir de uma descrição detalhada da pergunta (Lefebvre et al. 2025, sec. 4.4.2). O suplemento técnico, porém, registra problemas: modelos treinados até certa data, treinados em revisões com buscas de má qualidade, sugestões de termos controlados incorretos, respostas diferentes para o mesmo prompt em momentos distintos e referências fabricadas (Lefebvre et al. 2024, pp. 64-65). O guia Campbell recomenda cautela (MacDonald et al. 2024, sec. 6.4.3). No exemplo do REFIS, o bloco de mecanismos da string foi construído com auxílio de IA, e várias ferramentas foram comparadas para gerar e validar strings (Schaefer 2026b, pp. 32-33).
As regras desta base são: a IA pode sugerir sinônimos, traduções PT, EN e ES, siglas e estruturas; cada termo sugerido passa por verificação de sentido por alguém da área e por teste de contagem e de âncoras de desenvolvimento antes de entrar; a sintaxe gerada pela IA é reescrita e testada em cada base; a IA nunca é fonte de registros (listas de estudos geradas por chatbot não entram no corpus); e o log guarda modelo, data e prompt. A declaração de uso de IA e sua validação estão na Seção 12.1.
Bibliometria como apoio
Mineração de texto e ferramentas como o VOSviewer, que analisa coocorrência de termos e mostra relações entre temas, ajudam a identificar e agrupar conceitos em temas complexos (Lefebvre et al. 2024, pp. 61, 63). O VOSviewer foi desenhado para mapas de palavras-chave por coocorrência e de autores ou periódicos por cocitação (Eck e Waltman 2010, 524); o bibliometrix permite análises semelhantes no R, como redes de coocorrência de palavras-chave (Aria e Cuccurullo 2017; Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 102). O material didático sobre busca apresenta a bibliometria como análise do corpus (volume por ano, redes, impacto) (Schaefer 2026a, 26), e a proposta OQF a usa de forma exploratória, para mapear coocorrência de palavras-chave (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 102).
Mapas bibliométricos servem para achar termos e clusters que a string esqueceu, a partir de um conjunto piloto. Não servem para decidir inclusão: clusters, número de citações ou fator de impacto não são critérios de elegibilidade. Um mapa feito sobre os resultados de uma string também herda os pontos cegos dessa string. Filtros textuais sobre o corpus seguem a regra de etiquetar, e não excluir, descrita na Seção 5.1.
4.7 Passo a passo
- Partir do protocolo congelado. Liste os conceitos a partir da pergunta e do framework (PICOC, CMMO; Seção 2.1) e dos critérios de elegibilidade (Seção 3.1). A busca deve ser motivada diretamente pelos critérios (Lefebvre et al. 2025, MECIR C19).
- Procurar revisões existentes. Campbell Library, Cochrane Library, Epistemonikos (saúde), 3ie, registros no OSF, além de buscas exploratórias; ferramentas de IA como a Consensus podem ajudar a localizá-las (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, pp. 26-27). Anote estratégias reaproveitadas (PRISMA-S item 11) e os estudos incluídos nelas.
- Montar as âncoras antes da string. Separe âncoras de desenvolvimento e de validação conforme a tabela da seção anterior. Registre para cada âncora: identificador, DOI ou título, de onde veio, e se está indexada em cada base prevista.
- Montar a tabela de termos. Uma linha por conceito, colunas PT, EN e ES, com sinônimos, variantes, siglas, nomes de programas e leis, e termos de desenho de estudo quando pertinentes. Para avaliações de políticas, a lista de termos de avaliação não experimental de Petticrew e Roberts (quase-experimento, experimento natural, séries temporais interrompidas, antes e depois controlado, avaliação de impacto, descontinuidade de regressão) é um bom ponto de partida (Petticrew e Roberts 2006, 82).
- Escolher os blocos. Comece com P AND I. Teste o bloco O com as âncoras de desenvolvimento: se ele derruba âncoras, deixe-o fora ou crie um fio sem ele.
- Rodar v1 na base principal e iterar. Examine uma amostra dos resultados para localizar fontes de ruído (siglas, truncamentos amplos) e termos ausentes. Registre cada versão. Pare quando novos termos não trazem relevantes novos (Lefebvre et al. 2025, sec. 4.4.11).
- Revisão por pares PRESS. Com a estratégia da base principal pronta e antes de traduzi-la, peça a outra pessoa com experiência em busca que a revise pelos seis elementos do PRESS: tradução da pergunta; operadores booleanos e de proximidade; cabeçalhos de assunto; busca por palavras do texto; ortografia, sintaxe e números de linha; limites e filtros (McGowan et al. 2016). Registre quem revisou, quando e o que mudou.
- Traduzir para cada base. Mantenha a lógica e ajuste campo, frase, proximidade, truncamento e precedência (tabela de sintaxe). Confira limites de tamanho (cerca de 250 caracteres no Google Scholar, cerca de 4 KB de URL no OpenAlex), use aspas retas e, quando uma ferramenta intermediária reescreve a consulta (como o PoP), guarde a consulta efetivamente enviada.
- Contar antes de exportar. Rode cada estratégia, anote o número exibido e compare com as versões anteriores. Diferenças grandes sem mudança na string indicam erro de digitação ou mudança na interface.
- Executar a busca final e exportar. Copie e cole a string exatamente como rodou, sem redigitar (Lefebvre et al. 2025, sec. 4.5). Anote base, plataforma, data, campos, limites, número de resultados e número exportado. Exporte todos os registros com resumo, guarde o arquivo bruto sem edição e calcule um hash do arquivo.
- Validar. Calcule \(R_{\text{comb}}\) e \(R_b\) com as âncoras de validação. Para cada âncora indexada e não recuperada, identifique o termo ou bloco responsável, corrija, registre a emenda e rode de novo as bases afetadas.
- Buscar literatura cinzenta e sites. Aplique termos simplificados, defina antes o número de resultados triados e registre cada site conforme a lista do guia Campbell (MacDonald et al. 2024, sec. 9.2).
- Rodar a bola de neve depois do texto completo. Sementes = todos os incluídos. Para trás e para frente, em dois índices se possível; deduplicar contra o corpus; triar com a mesma versão dos critérios; iterar enquanto surgirem incluídos (Hirt et al. 2024).
- Calcular \(p_{\text{om}}\). Acima de 25% a 30%, diagnosticar: os estudos estavam indexados? Que termos eles usam? Emendar a string e rodar de novo, se for o caso.
- Atualizar antes de publicar. Se a última busca tiver mais de 12 meses na data prevista de publicação, rodar de novo todas as fontes e triar (Lefebvre et al. 2025, MECIR C37). Alertas salvos nas plataformas ajudam a acompanhar o tema (Lefebvre et al. 2025, sec. 4.4.9).
- Montar o material suplementar. Estratégias completas por base, log PRISMA-S, lista de âncoras com resultado do teste, relatório PRESS, sementes e rodadas da bola de neve, registro dos sites.
4.8 O que as diretrizes exigem
PRISMA-S
O PRISMA-S tem 16 itens, organizados em fontes e métodos (1 a 7), estratégias de busca (8 a 13), revisão por pares (14) e gestão de registros (15 e 16), e o material suplementar deve permitir replicar a busca (Rethlefsen et al. 2021). A coluna da direita diz o que o log precisa guardar para que o item possa ser relatado.
| Item | Exigência (paráfrase) | Campo do log |
|---|---|---|
| 1 | Nome de cada base e da plataforma | fonte, plataforma |
| 2 | Se várias bases foram buscadas juntas numa plataforma, listar todas | bases_na_plataforma |
| 3 | Registros de estudos buscados | fonte com tipo “registro” |
| 4 | Sites e fontes on-line ou impressas navegadas, e como | tipo_fonte = site, caminho |
| 5 | Se referências citadas ou citantes foram examinadas e com que método, citando as sementes | metodo = citacao, sementes, indice |
| 6 | Contato com autores, especialistas ou outros | metodo = contato |
| 7 | Outras fontes ou métodos | metodo = outro |
| 8 | Estratégias completas de cada fonte, copiadas exatamente como rodadas | string_exata, versao_string |
| 9 | Declarar ausência de limites ou descrever e justificar os limites | limites, justificativa_limites |
| 10 | Filtros de busca publicados usados, citados | filtro_publicado |
| 11 | Estratégias adaptadas de revisões anteriores, citadas | origem_estrategia |
| 12 | Métodos de atualização; se a sintaxe mudou, relatar original e nova | atualizacao |
| 13 | Data da última busca de cada estratégia | data_execucao |
| 14 | Processo de revisão por pares da busca | press_revisor, press_data |
| 15 | Total de registros por base e fonte | n_resultados, n_exportado |
| 16 | Processo e software de deduplicação | registrado na etapa 5 (Seção 5.1) |
PRISMA 2020, PRISMA-ScR, MECIR, MECCIR e PRESS
| Diretriz | Item | Exigência pertinente |
|---|---|---|
| PRISMA 2020 | 6 | Todas as bases, registros, sites, organizações, listas de referências e outras fontes, com a data da última consulta de cada uma (Page et al. 2021) |
| PRISMA 2020 | 7 | Estratégias completas de todas as bases, registros e sites, com filtros e limites (Page et al. 2021) |
| PRISMA 2020 | 16a | Resultados da busca e seleção, do número de registros identificados aos estudos incluídos, idealmente em diagrama (Page et al. 2021) |
| PRISMA 2020 (resumo) | 4 | Fontes de informação e data da última busca de cada uma (Page et al. 2021) |
| PRISMA-ScR | 7 | Todas as fontes, com datas de cobertura e contatos, e a data da busca mais recente (Tricco et al. 2018) |
| PRISMA-ScR | 8 | Estratégia eletrônica completa de pelo menos uma base, com limites, de forma a poder ser repetida (Tricco et al. 2018) |
| MECIR (Cochrane) | C19, C35 | Planejar a busca; não restringir idioma e status de publicação; justificar datas e formatos (Lefebvre et al. 2025) |
| MECIR | C25, C28, C29, C30 | Bases regionais e temáticas; literatura cinzenta; revisões anteriores; listas de referências (C30 obrigatório) (Lefebvre et al. 2025) |
| MECIR | C32, C33 | Estrutura por conceitos, sem NOT; vocabulário controlado e termos livres com variantes, siglas, truncamento e proximidade (Lefebvre et al. 2025) |
| MECIR | C36, C37, C38 | Documentar a busca; rodar de novo se passar de 12 meses; incorporar os estudos novos (Lefebvre et al. 2025) |
| MECCIR (Campbell), item 3 | Estratégia de busca | Múltiplas bases, cinzenta, referências de revisões e incluídos; log com data, resultados, base, plataforma e estratégia exata; contato com especialistas (MacDonald et al. 2024, sec. 9.1.1) |
| PRESS 2015 | Seis elementos | Revisão por pares antes de rodar e antes de traduzir (McGowan et al. 2016) |
| TARCiS | Rec. 1 a 10 | Terminologia, uso e relato da busca por citação (Hirt et al. 2024) |
O PRISMA 2020 foi desenhado para intervenções em saúde, mas seus itens se aplicam a revisões de intervenções sociais e educacionais (Page et al. 2021). O guia Campbell recomenda fortemente o PRISMA-S, mais detalhado que o MECCIR para a busca (MacDonald et al. 2024, sec. 9.1.2).
4.9 Exemplo trabalhado
Caso 1: proibição de celulares nas escolas
O que foi feito. O protocolo usou PICOC com população de estudantes, escolas e redes, intervenção de proibição ou restrição de celulares e contexto global (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 100). A busca foi feita em Web of Science, Google Scholar (via Publish or Perish 8.0), Scopus e SciELO, com acesso a WoS e Scopus pelo portal institucional (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 101). Foram recuperados 1.740 documentos: 400 do Google Scholar, 87 da SciELO, 798 da Scopus e 455 da WoS (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 102; Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 28). O Anexo H da proposta mostra as strings: no Google Scholar, uma em português e outra em inglês, 200 resultados cada; na SciELO, (("celular" OR "smartphone" OR "telefone") AND ("escola" OR "estudante")); na WoS e na Scopus, uma string em inglês com quatro blocos e restrições de área temática (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 101). Depois da triagem restaram 19 trabalhos, e mais dois foram acrescentados por busca manual; na proposta, esses dois são descritos como duas revisões sistemáticas sobre o tema, e a validação da busca consistiu em verificar que “todos os trabalhos que encontramos estavam nas revisões” (Schaefer, Borges, e De Freitas 2025, 29). No artigo publicado, os dois acréscimos aparecem como bola de neve por citações (Schaefer, Borges, e Gomes Filho 2025, 102).
Onde está a fragilidade. A lista abaixo é de aprimoramentos, não de invalidação; a maioria dos pontos é comum em revisões publicadas.
| Ponto | O que se observa | Consequência | Fonte |
|---|---|---|---|
| Strings não equivalentes | SciELO só com dois blocos e só em português; WoS e Scopus só em inglês | Sensibilidade e precisão diferentes por base; estudos em português ficam fora das bases comerciais | Schaefer, Borges, e De Freitas (2025, 101) |
| Versões divergentes | No artigo, a WoS tem o bloco (achievement OR learn OR development OR success) e student sem truncamento; na proposta, (achievement OR learn*) |
Não se sabe qual string rodou; item 8 do PRISMA-S não é atendido | Schaefer, Borges, e Gomes Filho (2025, 101); Schaefer, Borges, e De Freitas (2025, 101) |
| Google Scholar | As exportações do PoP mostram a consulta enviada: parênteses removidos, OR convertido em barra vertical e AND em espaço (187 caracteres na versão em português), com bani*, escola* e aprend* passados literalmente |
O Scholar não tem truncamento, então esses termos não funcionam como radicais; o texto relatado no quadro não é o texto enviado | Schaefer (2026c); Boeker et al. (2013) |
| Corte de 200 por consulta | As duas exportações têm exatamente 200 registros (posições 1 a 200); o Scholar devolve até 1.000 e o PoP permite fixar um máximo menor | Legítimo se pré-definido e relatado como número triado, não como total encontrado | Schaefer (2026c); Harzing (2007); Lefebvre et al. (2025, sec. 4.5) |
| Termos genéricos | phone, policy, rule, class* (captura classification) e ban* (captura bank, band) |
Precisão baixa: dos 1.740 registros, 19 trabalhos respondiam à pergunta; os primeiros resultados do Scholar em português são livros de educação sem relação com celulares; o volume foi reduzido com filtros de dicionário que excluem registros | Schaefer, Borges, e De Freitas (2025, pp. 28-29, 101); Schaefer (2026c) |
| Datas de busca | Não informadas no artigo, embora as exportações do PoP registrem 19/03/2025; recorte temporal aparece como 2004-2024 no quadro, 2010-2024 na tabela da proposta e 2007 no filtro aplicado | Itens 13 do PRISMA-S e 6 do PRISMA 2020 não atendidos | Schaefer, Borges, e Gomes Filho (2025, pp. 101-102); Schaefer, Borges, e De Freitas (2025, pp. 11-12, 28); Schaefer (2026c) |
| Validação na direção errada | Conferiu-se se os estudos achados estavam nas revisões anteriores, e não se os estudos das revisões foram achados | Não mede recall; um conjunto pequeno e todo contido nas revisões é compatível com busca fraca | Schaefer, Borges, e De Freitas (2025, 29); Lefebvre et al. (2025, sec. 4.4.11) |
| Revisões como estudos | Duas revisões entraram no banco de trabalhos analisados | Dupla contagem de evidência; deveriam ser sementes da bola de neve e fonte de âncoras | Schaefer, Borges, e De Freitas (2025, 29) |
O que deveria ser feito. (a) Duas revisões sobre o tema, a revisão de escopo de Campbell e colegas (Campbell et al. 2024) e a revisão rápida de Böttger e Zierer (Böttger e Zierer 2024), seriam usadas antes da busca: seus estudos incluídos, conferidos contra os critérios, formariam as âncoras de validação, e as próprias revisões seriam sementes de busca por citação. (b) A pergunta é mista (efeito e percepção), então a estratégia teria dois fios: um com bloco de desfecho acadêmico e outro com termos de percepção e implementação no lugar desse bloco, para não perder estudos qualitativos que não medem desempenho. (c) Termos em PT, EN e ES em todas as bases, com proximidade para amarrar “política” e “regra” ao celular. (d) Log PRISMA-S com datas e strings exatas. Uma tradução ilustrativa para a WoS, a ser testada e revisada por pares antes de usar:
# Ilustrativo, Web of Science Core Collection. Bloco C = celular perto de proibição
# C:
TS=(("mobile phone" OR "mobile phones" OR "cell phone" OR "cell phones" OR cellphone*
OR smartphone* OR "mobile device" OR "mobile devices" OR celular OR celulares
OR "teléfono móvil" OR "teléfonos móviles")
NEAR/5
(ban OR bans OR banned OR banning OR prohibit* OR restrict* OR "phone-free"
OR policy OR policies OR rule OR rules OR proibi* OR restri* OR prohibi* OR restric*))
# E (ambiente escolar):
TS=(school* OR pupil* OR student* OR classroom* OR escola* OR alun* OR estudante*
OR escuela* OR alumn*)
# Fio A (efeito): C AND E AND TS=(achievement OR "academic performance" OR "test scores"
# OR grades OR desempenho OR aprendizagem OR rendimiento)
# Fio B (percepção e implementação): C AND E AND TS=(perception* OR attitude* OR teacher*
# OR implement* OR enforc* OR percep* OR implementa* OR docente* OR professor*)
# Estratégia final: fio A OR fio B. Registrar também a contagem de C AND E sem terceiro
# bloco: a diferença mostra quantos registros os blocos de desfecho deixam de fora.
Na Scopus, a mesma lógica usaria TITLE-ABS-KEY com aspas retas; no OpenAlex, sem curingas na busca padrão, as variantes precisariam ser escritas por extenso ou a busca passaria para search.exact; no Google Scholar, a string teria de ser dividida em consultas curtas, cada uma com seu número triado registrado.
Caso 2: programas de refinanciamento tributário (REFIS)
O que foi feito. O protocolo previa descritores em português e inglês e as bases “Scholar, Scielo, Portal de Teses e Dissertações” (Schaefer 2026a, 16). A busca executada usou OpenAlex, SciELO pela plataforma WoS, WoS, Scopus, teses e dissertações e IPEA (Schaefer 2026b, 21). O material didático sobre filtragem mostra uma string simples com blocos I, O e C, um bloco de mecanismos construído com IA e duas versões da string do OpenAlex na mesma data (26/04/2026): a primeira com as siglas “PAES”, “PAEX”, “PERT” e “PRT”, que na interface web retornou 86 trabalhos, e a segunda sem essas siglas (Schaefer 2026b, pp. 31-37). O quadro-resumo registra WoS 3, WoS SciELO 21, SciELO 0, “BDTD” 158 (com filtros de área e de ano 2000-2024), OpenAlex 4 e IPEA 4, total 190, com “Nenhum” como filtro nas demais linhas (Schaefer 2026b, 39). No fluxo PRISMA, 186 registros das bases entram na deduplicação, os 4 do IPEA ficam fora dela, e a bola de neve acrescenta 9 estudos a um corpus final de 21 (Schaefer 2026b, 48).
O código mostra como a linha “BDTD” foi produzida: o script baixa os dados abertos do Catálogo de Teses da CAPES com capesR para 2000 a 2024, filtra por expressão regular aplicada só ao título, com os termos unidos por | e sem fronteira de palavra (incluindo “tax avoidance”, “tax planning” e “planejamento tributário”), remove duplicatas por título, filtra por área e grava o resultado como bdtd.xlsx (Schaefer 2026c). O script de junção lê os arquivos do OpenAlex, das teses, da SciELO e da WoS; não há arquivo do IPEA nem da bola de neve (Schaefer 2026c).
Diagnóstico.
| Ponto | Consequência | Correção |
|---|---|---|
| Fonte rotulada como “BDTD” é o Catálogo da CAPES | Item 1 do PRISMA-S incorreto; leitor procuraria na base errada | Relatar “Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES, dados abertos via capesR” |
| Anos 2023 e 2024 pedidos a um pacote que documenta cobertura até 2022 (Medeiros et al. 2024) | O filtro “2000 até 2024” pode prometer cobertura que não existe | Conferir os anos efetivamente baixados e registrar a cobertura real |
| Regex só no título e sem fronteira de palavra | “refis” casa com “Refiscalizar”; estudos com o termo só no resumo ficam fora | Buscar em título e resumo, com fronteira de palavra e testes contra falsos acertos |
| Termos “tax planning” e “planejamento tributário” na busca de teses, contra o critério que exclui planejamento tributário sem foco no REFIS (Schaefer 2026b, 26) | Pode trazer registros fora do escopo e aumentar a carga de triagem | Manter apenas se as âncoras mostrarem necessidade, e aí registrar a justificativa |
| String da WoS com o fragmento “regis (Topic)” | Indica string redigitada ou colada com erro | Copiar do histórico da base, exatamente como rodou |
| Datas ausentes, exceto no OpenAlex; campos não informados | Busca não reprodutível | Log PRISMA-S completo |
| Scopus listada entre as bases, sem linha no quadro | Não se sabe se foi buscada e com que resultado | Toda busca executada vira uma linha do log, mesmo com zero resultados |
| Duas versões da string do OpenAlex, sem registro de qual gerou o arquivo; 86 na web contra 4 no quadro | Não se sabe o efeito da retirada das siglas | Registrar versão, contagem e motivo de cada mudança |
| IPEA fora da deduplicação e bola de neve fora do pipeline | Ramo “outros métodos” do PRISMA sem lastro; duplicatas possíveis | Registros de sites e citações entram no mesmo esquema, com metodo_identificacao |
| 9 dos 21 estudos finais (43%) vieram da bola de neve | Acima do alerta de 25% a 30% | Verificar se os 9 estão indexados nas bases e que termos usam; emendar a string |
O último ponto é o mais informativo. Com WoS devolvendo 3 registros e OpenAlex 4, é plausível que as strings das bases estivessem restritivas demais (o bloco de contexto exigia “Brazil” ou “Brasil”, e o de desfecho exigia termos de arrecadação, falência, emprego ou conformidade). Isso é hipótese, não achado: a verificação consiste em buscar cada um dos 9 estudos pelo título nas bases e ver qual bloco o excluiu.
Um log mínimo para o REFIS, preenchido com o que o material didático e os scripts permitem saber, ficaria assim (“NR” = não relatado):
| busca_id | fonte | plataforma/acesso | data | campos | versão | limites | n | arquivo |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| B01 | Web of Science Core Collection | Clarivate | NR | Topic | NR | NR | 3 | wos.bib |
| B02 | SciELO Citation Index | Web of Science | NR | NR | NR | NR | 21 | wos_scielo.txt |
| B03 | SciELO | NR | NR | NR | NR | NR | 0 | NR |
| B04 | Catálogo de Teses e Dissertações CAPES | dados abertos, capesR |
NR | título (regex) | NR | área; anos 2000-2024 | 158 | bdtd.xlsx |
| B05 | OpenAlex | NR | 2026-04-26 | NR | NR (duas versões na mesma data) | NR | 4 | openalex.csv |
| B06 | Scopus | NR | NR | NR | NR | NR | NR | NR |
| O01 | Repositório do IPEA | site | NR | NR | “refis” | NR | 4 | NR |
| O02 | Busca por citação | NR | NR | NR | sementes NR | NR | 9 incluídos | NR |
Fontes da tabela: Schaefer (2026b, pp. 21, 35-39, 48); Schaefer (2026c).
4.10 Erros comuns e como evitá-los
| Erro | Exemplo | Como evitar |
|---|---|---|
| Uma base, um idioma, um termo | Revisão sobre desenho de políticas só na WoS, só artigos, só inglês, string única “policy design*” (Aguiar et al. 2023, pp. 4-5) | Pelo menos duas bases mais uma regional e teses; termos PT, EN, ES; justificar qualquer limite |
| Bases comerciais anglófonas para tema lusófono | Nenhuma das 49 revisões lusófonas estava na WoS (Lycarião et al. 2025, 5) | SciELO, teses, repositórios brasileiros como componentes obrigatórios |
| Strings não equivalentes entre bases | SciELO com dois blocos e WoS com quatro no caso dos celulares | Tabela de tradução por base; PRESS antes de traduzir |
| Muitos blocos | Bloco de desfecho ou de país derrubando estudos que não citam o conceito no resumo | Testar cada bloco com âncoras; fio sem o bloco |
| NOT e filtros de área da base | Exclusão silenciosa de registros relevantes | Não usar NOT; filtros só justificados e registrados |
| Truncamento curto ou onde não existe | ban*, class*, cerv* (Whitehead e Maude 2016, 60); truncamento no Google Scholar |
Variantes por extenso; conferir amostra de resultados |
| Siglas ambíguas | Siglas de programas que coincidem com outros termos técnicos | Amarrar a sigla ao tema por proximidade ou AND; testar |
| Aspas curvas e sintaxe reescrita pela ferramenta | Aspa de fechamento curva em "Brazil*” (Schaefer 2026a, 20); PoP convertendo a string para a sintaxe do Scholar |
Editor de texto simples; aspas retas; conferir a consulta efetivamente enviada e o limite de tamanho de cada interface |
| String redigitada | Fragmento “regis (Topic)” no quadro do REFIS | Copiar do histórico da base; salvar captura de tela quando não houver histórico |
| Bloco da tabela ausente da string | Tabela de termos com bloco de comparação que não aparece na string final (Schaefer 2026a, 20) | Gerar a string a partir da tabela, por script ou revisão cruzada |
| Portal no lugar da base | “Portal de Periódicos CAPES” relatado como sistema de busca (Lycarião et al. 2025, 6) | Relatar base e plataforma efetivas |
| Validação circular ou invertida | Âncoras usadas para escolher termos; conferir se os achados estão nas revisões | Âncoras de validação separadas; recall relativo |
| Outros métodos fora do ledger | Registros do IPEA fora da deduplicação; bola de neve sem arquivo | Todo registro entra com busca_id e método de identificação |
| Revisão incluída como estudo | Duas revisões no banco de trabalhos dos celulares | Revisões viram sementes e fonte de âncoras |
| Busca envelhecida | Publicação mais de 12 meses depois da última busca | Rodar de novo antes de publicar (Lefebvre et al. 2025, MECIR C37) |
| String gerada por IA aceita sem teste | Sintaxe ou termo controlado incorreto; referências inventadas (Lefebvre et al. 2024, pp. 64-65) | Verificação humana, contagem e âncoras para cada termo; IA nunca como fonte de registros |
| Bibliometria como critério | Excluir por cluster, citações ou fator de impacto | Uso apenas exploratório; decisão de elegibilidade segue os critérios |
4.11 Na skill revisao-sistematica
A skill está em construção; esta seção descreve o contrato planejado para a etapa 4 do fluxo, que termina no portão G3 (strings por base, PRESS, âncoras independentes, log PRISMA-S).
- Estado e pastas.
rs.py statusroda sempre primeiro. O projeto criado porrs.py inittem01-busca/brutos/(exportações sem edição) e01-busca/strings/(versões das strings). Ors_estado.jsonguarda uma listabuscascomid,fonte,string_id,executada_em,n_bruto,filtros_na_base,arquivoesha256; cada busca gera um eventobusca_registradanors_log.jsonl, e cada versão de string ou do conjunto de âncoras geraartefato_versionado. Claude não edita esses arquivos à mão; sórs.pyescreve neles. - Templates e checklists.
assets/templates/log_buscas.csv(colunas do log PRISMA-S desta seção),assets/checklists/prisma_seassets/checklists/press, eassets/dicionarios/metodo_pt_en_es.csvcomo ponto de partida para termos de desenho de estudo. As instruções operacionais ficam emreferences/02-busca.md. - Scripts. O módulo
rslib/busca_openalexexecuta buscas no OpenAlex (contagem, coleta, reconstrução do resumo) e registra a busca;rslib/bola_de_nevefaz a busca para trás porreferenced_workse para frente porcites:, marca os registros com método de identificação “citação”, deduplica contra o corpus e repete rodadas até não haver novas inclusões. As exportações manuais das demais bases (WoS em texto, TSV, BibTeX ou planilha; Scopus CSV; SciELO; Publish or Perish; CAPES e BDTD; Zotero) são lidas pelos importadores da etapa 5 (Seção 5.1), que preservambusca_idemetodo_identificacaoemregistros.csv. - Portão G3. No modo checkpoints, a skill para e pede aprovação humana com: strings por base, relatório PRESS, resultado do teste de âncoras de validação e log PRISMA-S completo. No modo autopiloto, G3 vira pendência registrada e os produtos saem marcados como rascunho não validado.
- Alertas. Busca com mais de 12 meses; proporção de incluídos por outros métodos acima de 25% a 30% (calculada depois da etapa 7, na qual a bola de neve é re-triada com a mesma versão dos critérios, portão G5).
- Pedido parcial “só a busca/strings”. A skill trabalha só com as referências de pergunta, protocolo e busca, sem abrir projeto nem dados.
- Contagens. O PRISMA gerado por
rs.py prismacalcula os registros identificados por base e por outros métodos a partir das tabelas de registros, nunca de números digitados.
4.12 Como relatar
O texto mínimo da seção de métodos precisa dizer: fontes consultadas, com base e plataforma, e a data da última busca de cada uma; estrutura da estratégia (conceitos, idiomas, campos) e onde estão as strings completas; limites aplicados e sua justificativa, ou a declaração de que não houve limites; como os termos foram desenvolvidos (revisões anteriores, especialistas, IA com validação); revisão por pares da estratégia; teste com estudos-âncora e resultado; literatura cinzenta e sites, com critério de quantos resultados triar; busca por citação (sementes, direção, índices, rodadas); contato com autores; atualização. O material suplementar traz as strings exatamente como rodadas, o log e a lista de âncoras.
Exemplo de redação, para uma revisão sobre proibição de celulares nas escolas refeita com as regras deste capítulo (valores entre colchetes a preencher):
Buscamos na Web of Science Core Collection (Clarivate), na Scopus (Elsevier), no SciELO Citation Index (plataforma Web of Science), no OpenAlex (API) e no Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES (dados abertos), com última busca em [data] em todas as bases. A estratégia combinou termos para celular e para proibição ou restrição, em português, inglês e espanhol, com um bloco de ambiente escolar; um segundo fio, com termos de percepção e implementação no lugar do bloco de desempenho, capturou estudos qualitativos. Não aplicamos limites de idioma, data ou tipo de documento. Os termos foram derivados do protocolo e de duas revisões anteriores [refs.]; sugestões de sinônimos geradas por [modelo, data] foram verificadas e testadas antes de entrar na estratégia. A estratégia da Scopus foi revisada por [pessoa com experiência em busca] com o checklist PRESS 2015 antes de ser traduzida para as demais bases. Um conjunto de [k] estudos-âncora de validação, extraído dos estudos incluídos nas revisões anteriores e não usado na escolha de termos, foi recuperado integralmente pela busca combinada ([k]/[k]; recall relativo por base no Apêndice [X]). Consultamos os repositórios do IPEA e da CGU e o 3ie Development Evidence Portal, triando os [N] primeiros resultados de cada consulta. Fizemos busca por citação para trás e para frente a partir de todos os estudos incluídos, no OpenAlex e no Google Scholar, em [r] rodadas, até que nenhuma rodada rendesse novos estudos elegíveis. As estratégias completas, como executadas, e o registro de todas as buscas estão no Apêndice [Y], seguindo o PRISMA-S.
4.13 Leituras
Normas e guias
- Rethlefsen et al. (2021): checklist de 16 itens para relatar buscas; base do log desta etapa.
- Page et al. (2021): itens 6, 7 e 16a do PRISMA 2020 e modelos de diagrama com “outros métodos”.
- Tricco et al. (2018): itens 7 e 8 para revisões de escopo.
- McGowan et al. (2016): os seis elementos da revisão por pares de estratégias e o momento de fazê-la.
- Lefebvre et al. (2025): capítulo 4 do Cochrane Handbook, com as expectativas MECIR sobre fontes, estrutura, limites, parada, documentação e atualização.
- Lefebvre et al. (2024): suplemento técnico com índices de citação, Google Scholar, OpenAlex, mineração de texto e IA.
- MacDonald et al. (2024): guia Campbell, a transposição das regras Cochrane para ciências sociais, com artigos-semente e documentação de sites.
- Hirt et al. (2024): dez recomendações para busca por citação.
Evidência metodológica sobre fontes
- Bramer et al. (2017): quanto cada combinação de bases recupera; referência para o parâmetro de 95% de recall.
- Gusenbauer e Haddaway (2020): comparação de 28 sistemas de busca e por que o Google Scholar não serve como fonte principal.
- Haddaway et al. (2015) e Boeker et al. (2013): limites do Google Scholar para busca sistemática e para literatura cinzenta.
- Hirt et al. (2023): evidência sobre o valor agregado da busca por citação.
- Szomszor e Adie (2022) e Rada et al. (2020): o que há em Overton e Epistemonikos.
Leituras de apoio
- Petticrew e Roberts (2006) (cap. 4): busca em ciências sociais, termos para avaliações não experimentais, literatura cinzenta, parada e registro.
- Whitehead e Maude (2016): introdução operacional a palavras-chave, truncamento, filtros e relato.
- Lycarião et al. (2025): evidência sobre a invisibilidade da produção lusófona nas bases mais usadas.
- Aguiar et al. (2023): exemplo de estratégia com uma base e um termo, útil para discutir limitações.
- Schaefer, Borges, e De Freitas (2025) e Schaefer, Borges, e Gomes Filho (2025): estratégia de busca do método OQF e sua aplicação ao caso dos celulares.
- Schaefer (2026a) e Schaefer (2026b): blocos, bases por área, cinzenta, IA e o caso REFIS.
- Eck e Waltman (2010), Aria e Cuccurullo (2017) e Arruda et al. (2022): ferramentas de bibliometria para apoio exploratório.